22 de outubro de 2014 | Ano 1, Edição #7 | Texto: and | Ilustração:
Bruxas cinematográficas
Malévola.

Malévola.

Texto de Jordana Andrade e Natasha Ferla

O cinema não poderia durante toda a sua história deixar de contar narrativas sobre bruxas. Diferente do senso comun, as bruxas e suas intenções variam bastante. Nem sempre elas são imaginadas como mulheres ruins que querem fazer o mal para outras pessoas, às vezes são só um grupo entre tantos nesse mundão por ai, um grupo que pode realizar feitiços e magias. Algumas histórias são apenas de mulheres, outras possuem bruxos também, e todas elas possuem um grande senso de irmandade.

Selecionamos alguns seriados e filmes que falam sobre bruxas e falamos um pouco sobre cada um deles e suas características.

American Horror Story: Coven (2013-2014)

American Horror Story é um seriado norte-americano focado no terror e no sobrenatural. Cada temporada (a primeira é de 2011) tem uma história nova com novos personagens. A terceira temporada foi focada em bruxas, mais exatamente na fictícia Academia Miss Robichaux, coordenada por Cordelia Foxx (Sarah Paulson), onde as jovens com habilidades foram do comum vão para aprender melhor sobre si, seus dons e a história de suas irmãs. Além dessas, há também Marie Laveou (Angela Basset), conhecida pelas suas práticas voodoo. Nessa temporada os homens foram totalmente secundários: empregados ou caçadores de bruxas. Guiadas pela grande diva do seriado, Jessica Lange, que interpretada Fiona Goode, as bruxas da academia uniam forças com Marie – sua eterna inimiga – para combater um grupo de homens cuja missão era eliminar essas mulheres. As bruxas no seriado não são mostradas como sendo do bem nem do mal, apenas um grupo de pessoas entre tantas, que, por serem diferentes, sempre foram caçadas. Os roteiristas de AHS sempre conseguem se superar de um jeito ou de outro e cada episódio é cheio de surpresas e bizarrices. Uma das coisas mais icônicas dessa temporada é o figurino preto das personagens. Num dos primeiro episódios Fiona leva as garotas para passear por New Orleans e as manda usarem preto. Como o seriado passa na quarta-feira – que é o dia que se usa rosa no filme Meninas Malvadas –, o “On Wednesday we wear pink” (nas quartas-feiras nós usamos rosa) virou “On Wednesday we wear black” (nas quartas-feiras nos usamos preto).

A feiticeira.

A feiticeira.

A Feiticeira (Bewitched, 1964–1972)

A Feiticeira foi um seriado norte-americano que foi ao ar nos anos 60, centrado em Samantha Stephens, que vinha de uma família de bruxos, mas que, agora casada, tinha que deixar de lado seus poderes e tentar ser uma dona de casa como qualquer outra. Ainda que ela fizesse um esforço, era impossível deixar que a magia não fosse parte de sua vida. Era o jantar que podia ficar pronto com uma mexida de nariz (Samantha conseguia fazer mágica mexendo o mesmo) ou sua mãe Endora (Agnes Moorehead) – que não conseguia entender o casamento de sua filha com James (Dick York), um simples mortal – insistindo em chegar casa aparecendo na sala do nada, ao invés de bater na porta. O seriado, que foi até o começo dos anos 70, tem como linha principal as desventuras de Samantha na vida doméstica. A iniciativa de deixar a magia de lado veio do próprio James, que quer ter uma vida mediana como qualquer casal da época. Samantha oscila entre sua real natureza e o que o papel de esposa espera dela. De acordo com a revista americana TV Guide o seriado é um dos 50 melhores programas de televisão de todos os tempos.

Sabrina.

Sabrina.

Sabrina, dos anos 90, conta as desventuras de uma jovem que aos 16 anos descobre que, assim como as outras mulheres de sua família, é uma bruxa, tendo que lidar com a adolescência, a escola e, agora, seu recém descobertos poderes. American Horror Story, A Feiticeira e Sabrina são todos seriados americanos para a televisão que mostram bruxas que vivem a mercê da sociedade, mas de maneira relativamente tranquila – menos em AHS, em que uma falsa sensação de segurança domina elas.

Jovens Bruxas (The Craft, 1996)

Em Jovens Bruxas, Sarah vai pra uma cidade nova e as primeiras pessoas que conhece são três bruxas na sua escola: Nancy, Bonnie e Rochelle. A magia em Jovens Bruxas é extremamente pagã, com vários rituais sabáticos e várias referências à Wicca. O deus do filme é ficcional, mas se apresenta como a maioria dos deuses pagãos: não como uma entidade, mas como presente em todas as coisas, não sendo homem nem mulher, nem gente, nem espírito. É um ser superior presente em todas as coisas do universo, na natureza, nas pessoas. Sarah acaba descobrindo que sua mãe era uma poderosa bruxa, e que acabou herdando os dons naturais da mãe, assim se tornando a quarta integrante do grupo de jovens bruxas. Até que alguma coisa dá muito errado, mas eu não vou contar o final do filme… esse você tem que descobrir. Mas a lição de magia mais importante que fica é: tudo que você desejar voltará três vezes mais forte para você – independente do desejo ser bom ou mau, ele vai retornar triplicado.

Abracadabra (Hocus Pocus, 1993)

É um filme da Disney. Já começo por aqui pra mostrar que você TEM que assistir! A bruxaria em Abracadabra é daquela bem clichê, mas sem deixar de ser divertida: as bruxas têm verrugas, fazem poções no caldeirão e voam em vassouras. Elas vivem em Salem e são más (de uma forma um pouco ingênua, que nos acaba fazendo gostar das três irmãs bruxas), mas, após um feitiço – em que elas sugariam a vitalidade de uma menininha para ficarem belas e jovens – dar errado, elas são mortas na fogueira pelos moradores de Salem, como mandava a tradição. O que ninguém esperava é que antes de morrerem elas lançariam uma maldição, as fazendo retornar 300 anos depois.

Malévola.

Malévola.

Malévola (Maleficent, 2014)

Que a Malévola é má, a gente já tinha aprendido lá em Bela Adormecida, clássico atemporal da Disney. Mas por que ela é má? Esse filme nos conta essa história, e não tem como não haver compaixão por essa bruxa, que, na verdade, parece mais com a descrição de uma fada do que de um ser malvado. Após sofrer nas mãos de um humano (que, numa análise mais profunda, pode ser comparado a um estupro, visto que Stefan arranca suas asas, a coisa que Malévola mais amava, após drogá-la com um “boa noite, Cinderela” – ah, a ironia), Malévola fica rancorosa e lança uma maldição sobre a filha de Stefan, Aurora, que é ninguém menos que a própria bela adormecida. Só que o feitiço vira contra o feiticeiro: Malévola acompanha os passos da menina e acaba se apaixonando por ela, que nunca demonstrou um pingo de medo de seus chifres e suas maçãs do rosto protuberantes. O final é digno da Disney: todo mundo fica feliz e se ama no final. Menos o vilão, que não é a Malévola.

Nos da Capitolina já falamos várias vezes sobre bruxas e a relação de amizade e companheirismo entre mulheres e adoramos filmes de bruxas. Ainda mais quando podemos usá-las para questionar normas da nossa sociedade. Como, por exemplo, a Malévola, que por anos foi um ícone de maldade e no mais recente filme teve seu passado mostrado de maneira mais sincera, nos fazendo entender certos posicionamentos dela. Podemos ir mais fundo e pensar no exemplo de Samantha, da Feiticeira, que deixou os poderes de lado por um pedido do marido. Quantas mulheres já deixaram de fazer alguma coisa que gostavam em nome de outra pessoa, ou quase anularam seu verdadeiro eu? Talvez tudo isso seja discussão pra outra hora, mas é inegável que as bruxas têm muito o que nos ensinar sobre irmandade, ainda mais já que vivemos em um mundo que desde cedo diz às meninas e mulheres que elas não são amigas, não sabem conviver juntas sem fazer intrigas. Além de dicas de filmes e seriados, fica também a lição de que juntas somos mais fortes.

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

Jordana Andrade
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Tech & Games

Jordana, 22, nascida no mar e logo nova levada para a selva, hoje mora em Belo Horizonte. Ilustradora, designer, tatuadora, fotógrafa, figurinista e bota na conta aí qualquer outra profissão "hype" mas que não dá dinheiro nenhum. Consegue ser acumuladora e maníaca de limpeza ao mesmo tempo, não perguntem como. Concilia sua agenda (e talvez até a sua vida) conforme as séries que tem de assistir. Muito feminista, tem até tatuagem sobre o assunto.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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