14 de novembro de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Cachorro quente e arroz colorido NU LIMITE

Então. Quando eu tinha uns 13 anos, uma amiga do colégio me chamou pra passar um feriado no sítio do pai dela. “Vai uma galera”, ela disse. Eu imaginei uma sede imponente, umas 15 pessoas do colégio, piscina, cavalos e afins. No fim das contas éramos três meninas, uma casa de 1800 e bolinha, sem forro no teto (o que dava margem para que morcegos invadissem o recinto durante a noite) e equipada com precisamente ZERO GELADEIRAS. Isso mesmo – era praticamente um acampamento e ninguém me avisou nada.

Não que eu seja fresca – mas também não sou a pessoa mais aventureira ever, e acho que tudo bem. Pra resumir a história, eu acabei pegando um ônibus de volta para a civilização no meio do feriado, mas não sem antes experimentar a maior iguaria já inventada por pessoas desprovidas de geladeira: o Cachorro Quente Nu Limite. Fomos nós que inventamos, no caso. Na verdade, era o que tinha na vendinha da cidade. Mas é que ficou tão surpreendentemente delicioso, que eu até já refiz, mesmo sem precisar.

Peço apenas não rir na minha cara quando eu revelar que o Cachorro Quente Nu Limite nada mais é do que um cachorro quente feito apenas com produtos enlatados e/ou pouco perecíveis. Para completar, e para contemplar aquelas que realmente não vão ter coragem de lidar com a salsicha enlatada, vou ensinar também o delicioso Arroz Colorido Nu Limite, que é um prato perfeito não só para quando você estiver acampando, mas também para quando a sua conta já tiver baixado dos três dígitos no fim do mês.

Vamos aos ingredientes então.

Cachorro Quente Nu Limite

  • 1 lata de salsicha
  • 1/2 lata de milho verde (a outra metade vai no arroz)
  • pão de cachorro quente
  • batata palha (vai no arroz também)
  • ketchup*
  • mostarda*
  • 1 cebola roxa (metade pro arroz)
  • alguns dentes de alho (metade pro.. cês já entenderam, né?)
  • molho de tomate temperado

Arroz Colorido Nu Limite

  • 1 xícara de arroz
  • 1 cenoura picada
  • um punhado de vagem manteiga picada
  • milho
  • cebola
  • alho
  • sal

*Muita gente não sabe, mas mostarda e ketchup não precisam ser guardados na geladeira, nem mesmo depois de abertos. A recomendação é apenas para deixá-los em local fresco, e consumir em no máximo um mês.

*Queria ter tirado uma foto de tudo dentro das latinhas pra vocês verem, mas não podemos fazer propaganda das marcas (risos) então tive que desenlatar. Pras meninas vegetarianas que quiserem muito fazer o cachorro quente, aviso que no supermercado em que eu fui (Zona Sul, aqui no Rio), tinha essa opção de Salsicha Vegetal Enlatada. É bem mais cara (R$ 11,00, enquanto a enlatada normal é R$ 3,00 e uns quebrados, mas tem). O legal do Cachorro Quente Nu Limite é que ele alimenta um batalhão, mas sai bem baratinho 😉

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Vamos lá:

Estou partindo do pressuposto de que você terá um fogareiro à disposição. Caso não tenha, o cachorro quente ainda é viável, é só não fazer o molho.

  1. Lave uma xícara de arroz e os vegetais.

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  1. Pique tudo que precisa ser picado.

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  1. Aqui eu vou fazer os dois ao mesmo tempo, mas normalmente esse não é o caso, né. A panela da esquerda é o cachorro, e da da direita é o arroz. O primeiro passo, em ambos os casos, é fritar a cebola e o alho em um pouco de azeite, até que amoleçam e dourem.

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  1. Depois é só jogar o molho e o milho na panela do cachorro quente, enquanto na do arroz você refoga o arroz e os vegetais.

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  1. O Cachorro já está praticamente pronto – é só jogar a salsicha, um pouquinho de água pra afinar um pouco o molho e provar o sal. Como eu comprei um molho temperado, nem precisou. No arroz você joga duas xícaras de água fervendo, mais um punhado de sal, e depois tampa a panela. Vai cozinhar por uns 10 a 15 minutos.

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  1. Então chegamos ao famigerado ponto do arroz: gente, tem que monitorar. Quando está cozinhando, o arroz vai empurrando os outros ingredientes pro centro da panela e vai abrindo uns furinhos por onde escapa o vapor. Quando você perceber que a água já sumiu, afaste um pouco de arroz com um garfo pra ver como está o fundo da panela. Se ainda tiver água, espere. Quando não tiver mais água nenhum borbulhando no fundo, e você sentir que vai comçar a grudar, aí você desliga o fogo e enrola a panela num pano de prato. Isso vai ajudar a puxar o resto da umidade e deixar o arroz mais soltinho.

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  1. Daí é só correr pro abraço, gente. Montei os dois assim com bastante batata palha em cima porque, bem, batata palha é vida.

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Fiquem com esta foto da minha pessoa saboreando um delicioso Cachorro Quente Nu Limite, só que no conforto da minha sala de estar.

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E, como sempre, contem pra gente quando fizerem as receitas! Agora a nossa coluna tem um e-mail: culinariaefvm@revistacapitolina.com.br

 

Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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