6 de fevereiro de 2016 | Saúde | Texto: e | Ilustração:
Campanha #ForaValencius e a Luta Antimanicomial
12695827_10153204119236627_175610117_n

Um de nossos temas preferidos e recorrentes aqui na Capitolina é a questão da saúde mental. Isso porque nós reconhecemos a importância e a necessidade de falarmos sobre pautas que vão além da questão física, porque sabemos que é uma luta diária para conseguirmos estar bem internamente e mentalmente. E é por isso que precisamos falar sobre Valencius Wurch.

Nossa pauta de hoje se baseia um pouco em questões históricas e no atual movimento que pede pela saída de Valencius Wurch, nomeado em dezembro de 2015 como novo coordenador geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde.

Você pode estar se perguntando o que exatamente tem a ver com isso e por que estão pedindo seu afastamento. Para conseguirmos explicar, é necessário fazer uma pequena retrospectiva. As questões que envolvem saúde mental são muito complexas e tem sido focos de grandes discussões até hoje, mas é inegável que ao longo dos anos conseguimos e tendemos a diminuir a dose de crueldade e desumanidade com que eram tratados aqueles que desviavam ou não se enquadravam de alguma forma nos moldes da dita ‘’normalidade’’.

As peças chaves para a humanização dos tratamentos são a luta antimanicomial e a reforma psiquiátrica, estabelecidas pela Lei 10.216/2001. Mas o que exatamente essa Lei significa? Ela visa preservar e proteger as pessoas que possuem algum transtorno porque radicaliza e reformula o modelo de assistência dado na área da saúde. Exige que essas pessoas sejam tratadas com dignidade e respeito, e coloca como um direito das mesmas serem tratadas e terem acesso a um sistema que acolha suas demandas. Ela se opõe ao modelo manicomial em que o paciente fica isolado e institui o tratamento nos hospitais-dia, possibilitando a socialização do paciente e sua integração na comunidade.

Você pode conferir nessa matéria detalhes sobre os bastidores de como era a vida dos pacientes internados nos manicômios e o porquê de temermos tanto um retrocesso nessa questão.

O atual coordenador de Saúde Mental, entretanto, já se posicionou publicamente como adversário da Reforma Psiquiátrica. Além disso, por dez anos, Wurch foi diretor da Casa de Saúde Dr. Eira, localizada em Paracambi, no Rio de Janeiro e considerada o maior manicômio privado da América Latina, fechada por ordem judicial em 2012. A casa já havia sido utilizada como local de prisão e tortura de presos políticos durante a ditadura. Na gestão de Wurch, o hospital foi alvo de inúmeras denúncias das condições subumanas em que viviam os internos, com relatos de pacientes que eram algemadas aos leitos, passavam fome, e sofriam todo tipo de violência, inclusive sexual.

Atualmente, em meio à campanha que pede a sua renúncia, Wurch declara um posicionamento diferente. Diz ser a favor da Reforma Psiquiátrica e concorda que a situação do hospital que dirigia era absurda – embora não assuma responsabilidade pela situação degradante. A mudança no discurso do ex-diretor não é suficiente para convencer ex-pacientes, familiares e militantes da luta antimanicomial. Eles seguem firmes em seu grito de #ForaValencius, na esperança de que sua nomeação seja revogada e de que não haja retrocessos na reforma psiquiátrica.

Nenhum passo atrás, tortura nunca mais.

 

 

 

Se você quiser se aprofundar mais sobre a questão, aqui vão alguns links:

http://goo.gl/MWtd8V

http://goo.gl/0TM0Tb

http://goo.gl/JaCDvG

Mariana Fonseca
  • Coordenadora de Saúde

Mariana tem 23 anos e estuda medicina. É carioca e ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Cinema & TV

Amanda, 20 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Mulher negra e nordestina, é estudante de psicologia e militante feminista. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

  • Penny Lane

    Tem algum tipo de petição onde possamos colher assinaturas, ou algo do tipo?

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.