1 de novembro de 2017 | Ano 4, Edição #39 | Texto: e | Ilustração: Sarah Roque
Carta as Leitoras Negras

Preta,

Sabemos que o mês de novembro faz surgir inúmeras discussões sobre o ser negro, o movimento negro e direitos que ainda nos falham. É uma época em que ficamos no olho do furacão, viramos assuntos em todas as rodas de conversa e refletimos, querendo ou não, sobre ser quem somos.

Mas sabemos que há pouca discussão acerca da sua individualidade, dos problemas que você enfrenta no dia a dia e das delícias de ser quem se é. Porque apesar de vivermos em uma sociedade racista, que precisa desta data para lembrar-se disto, há coisas boas em ser quem somos.

E estamos aqui para te lembrar a força que você é, simplesmente por ser você. Porque o mundo lá fora é difícil, sim. É difícil na escola, nos namoros, com a família, com os amigos. Não é fácil ser uma adolescente negra em lugar nenhum. Sabemos que é difícil crescer sem referências, sendo a única negra nos espaços sociais e com a sociedade falando o tempo inteiro que precisamos mudar para nos adequar.

Mas o que quase ninguém te conta é que quando você herda tua cor, teu cabelo, teu nariz e teu sangue, você traz consigo a ancestralidade, que independe de religião mas é o porto-seguro que você tanto procura. A ancestralidade que tentaram arrancar de nós quando nossos antepassados vieram para cá, mas que vai estar sempre com você para te lembrar que não anda só.

Por mais que a sociedade fale constantemente que devemos ter vergonha de quem somos, lembre-se que somos as herdeiras das rainhas africanas. Os nossos cabelos são nossas coroas, nossa cor é motivo de orgulho e nosso sangue é o berço da humanidade.

Ao longo deste mês queremos falar sobre você, preta. Iremos te mostrar mulheres negras para se inspirar, discutir representatividade e tratar da importância do autocuidado. Estamos aqui para te ajudar a lembrar que você é incrível e deve ter muito orgulho de quem você é e de tudo que você já construiu até agora. Vamos recuperar nossa ancestralidade que é a calmaria e a tempestade que você precisa para atravessar os dias, por mais difíceis que eles sejam. E é dela também que vem a beleza e os sorrisos, a delícia de ser você.

Você não está sozinha.

Todas nós estamos juntas.

E juntas nos levantamos

 

Vicky Régia
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
  • Coordenadora de Esportes
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 21 anos, estuda jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. Adora conhecer diferentes culturas e é apaixonada pela arte de contar histórias. Dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT e acorda todos os dias pensando em como mudar o mundo.

Lola Ferreira
  • Revisora
  • Social Media

Lola tem 22 anos, mora no Rio e é apaixonada por ele e pelo jornalismo. Busca o contato com suas raízes a todo tempo, e deseja que todas as mulheres negras assim o façam. Lê, escreve e estuda muito - mas julga que nunca será suficiente. Deveria se importar menos com a opinião alheia, mas ao mesmo tempo ouvir os outros é o que mais gosta de fazer. Acredita em astrologia e no amor como chave para mudar o mundo.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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