1 de fevereiro de 2015 | Edição #11 | Texto: , and | Ilustração: Gabriela Sakata
Carta das Editoras #11: Comunidade

Há mais ou menos um ano, eu, Clara, estava conversando com algumas meninas em um grupo do Facebook quando apareceu essa ideia de fazer uma revista que nos representasse. E quem melhor do que garotas como quaisquer outras para representarem garotas como quaisquer outras, não é mesmo? As meninas se animaram. Especialmente duas: Sofia e Lorena. E, num ímpeto de fazer acontecer, esqueci de todo aquele papo de não confie em estranhos que os adultos me ensinaram quando eu era pequena, puxei papo com essas duas meninas que nunca tinha visto na vida e assim, juntas, decidimos criar a Capitolina.

Tudo foi quase como num passe de mágica: Sofia e Lorena concordaram na hora em entrar nessa história comigo, outras garotas no grupo decidiram também colaborar com o projeto. Em menos de 24 horas já tínhamos 80 garotas no nosso grupo do Facebook. Em quatro meses, decidimos as estruturas gerais, os pontos principais e criamos o layout do site. A conversa que se deu em setembro de 2013 se concretizou – mesmo que virtualmente – em abril de 2014 com a nossa primeira edição da Capitolina.

Aprendemos tudo juntas: tipos de texto que funcionam, outros que não funcionam, esquemas de organização que não atrasam, que todo mundo participe. Aprendemos e ainda estamos aprendendo que muita mulher junta só podia dar em coisa boa.

Criamos entre nós essa espécie de comunidade. Mesmo sendo virtualmente, convivemos diariamente. Contamos para as outras de nossas alegrias e nossas tristezas, conversamos de livros, filmes e séries, damos dicas de absolutamente tudo, falamos de horóscopo até que demais da conta e, mais importante de tudo, criamos essa grande base de amor que faz com que todas nós nos sintamos mais fortes e empoderadas quando estamos juntas.

É que a comunidade – seja ela qual for – faz isso com a gente: nos influencia de diversas formas, podendo ser algo negativo (nos deixando mal porque não usamos as mesmas roupas, não temos o mesmo tamanho de corpo, a mesma cor da pele, os mesmos interesses e, por causa disso, nos excluindo) ou positivo (nos dando força, nos ensinando coisas que nos fazem bem, nos ajudando a ficarmos em paz conosco).

Neste mês, vamos explorar esses dois polos da comunidade: a pressão social e a rejeição, e também o fortalecimento e o pertencimento; como podemos nos sentir excluídas ou forçadas a ser de certa forma para nos aceitarem, mas também como podemos nos sentir construindo algo importante, cercada de pessoas que só fazem ajudar.

Na Capitolina somos mais fortes juntas: colaboradoras e leitoras. Enquanto nós – do lado de cá do computador – tentamos criar um lugar que mostre a você – do outro lado da tela – que não está sozinha, que, sim, as coisas vão ficar bem e que você tem todo o nosso apoio para os seus projetos, você nos ensina e nos mostra seu mundo, incluindo-nos nele e nos dando apoio para continuar o nosso projeto. No fim das contas, Os Saltimbancos sempre estiveram certos: todas juntas, somos fortes.

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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