1 de março de 2015 | Edição #12 | Texto: , e | Ilustração: Isadora M.
Carta das editoras #12: Desatino
Ilustração: Isadora M.

Como vocês sabem, todo mês temos um tema para a Capitolina. Para decidir esse tema, abrimos um tópico no nosso grupo do Facebook pedindo sugestões para as colaboradoras. Depois de algumas (muitas) sugestões, fazemos uma enquete e votamos. Quando fizemos isso no final de janeiro para decidir como seria março, o vencedor foi “loucura”. Mas “loucura” é, como várias colaboradoras apontaram ao longo desse processo de decisão, uma palavra bastante capacitista, ou seja, que perpetua preconceitos contra pessoas que possuem transtornos; uma palavra usada com muitas conotações pejorativas, de forma a indicar que pessoas com determinados transtornos – ou pessoas que simplesmente fogem de uma norma esperada – são estranhas, anormais, erradas.

Partimos, então, em busca de um termo que abrangesse o que queríamos falar este mês, mas sem a carga pesada e violenta de “loucura”. Pensamos em uma variedade de palavras, das mais bobas às mais técnicas, e, com a ajuda de especialistas em capacitismo, chegamos ao termo “desatino”, que representa um certo desequilíbrio, um fugir das normas, sem a conotação negativa e excludente que outras palavras – afinal, nossa intenção é sempre que as leitoras se sintam acolhidas e representadas pelo nosso trabalho.

Esse mês falaremos, então, de temas que dizem respeito ao que sai das categorias ditas “normais”. Falaremos mais a fundo sobre o estigma de palavras como “loucura”, do estigma de ser diagnosticado como portador de algum transtorno, de patologizações, tratamentos médicos e questões psiquiátricas; falaremos sobre criatividade e produções artísticas que escapam do esperado; falaremos sobre personagens fictícias que são desmerecidas por agirem de forma diferente do que esperamos.

No fim das contas, a linha que conduz todos os assuntos de março, sob o guarda-chuva do desatino, é a da ilusão de normalidade, e tudo que está às margens dessa definição.

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Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

  • Ana Beatriz Andrade

    Me identifiquei pelo tema ,por não pertencer ao que dizem ser ”normal” em muitos aspectos e por ser o mês do meu aniversário… É meio que um presente me identificar com outras garotas que fogem dos padrões

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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