1 de maio de 2015 | Edição #14 | Texto: , e | Ilustração: Gabriela Sakata
Carta das editoras #14: Universo
Ilustração por Gabriela Sakata

Tem poucas coisas mais cafonas do que falar do universo. Já fiz isso algumas vezes aqui na Capitolina e, sempre que entro no processo autoindulgente de reler meus textos, penso: “que cafona, Lorena.” Mas como não ser brega ao ver aquelas imagens de nebulosas salpicadas de purpurina? Como não escrever poemas líricos em honra de Calisto, a Ursa Maior, toda linda e cintilante em algum canto do céu? E, principalmente, como conservar qualquer traço de cinismo diante da constatação de que somos feitos de pó de estrela? Não dá. Eu quero me juntar a um coral gospel de vestidinhos brancos e louvar o espaço.

Sinto que, como um unicórnio, o universo está no fio da navalha entre o real e o místico. Entre o palpável e o abstrato. A astronomia e a astrologia. Tem o universo que tudo abraça e o universo pessoal de cada um. Ainda assim, ele fica lá no topo de um pedestal inacessível aos mortais; os escolhidos para levar seu evangelho adiante seriam os astronautas? Fincar bandeirinhas na lua não seria invadir seu templo, colonizar algo que não nos pertence?

Nesta edição, seremos todas bregas. Vai ter galáxias e glitter, extraterrestres e espaçonaves, universos paralelos e buracos de minhoca, direitos universais e culturas únicas, física, geometria, biologia, história e teorias malucas que a escola não nos ensinou. Vamos deitar juntas na grama e dar nomes ridículos às estrelas?

Pra fechar, “Life on Mars?” do David Bowie, e “Life on Mars?” do Seu Jorge, porque no universo cabe todo mundo.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

  • Duds Saldanha

    “o universo é grande. é vasto e complicado e ridículo. e algumas vezes, muito raramente, coisas impossíveis acontecem e nós as chamamos de milagres.” doctor who <3

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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