1 de julho de 2015 | Edição #16 | Texto: , e | Ilustração: Isadora M.
Carta das editoras #16: Segredos
Ilustração: Isadora M.

Por um breve instante, considerei não contar o tema da edição que começa hoje, só pela piada e pela coerência. Mas não é assim que a banda toca, vocês já sabem o tema porque tá aí no título, e eu sou ruim demais com piadas para garantir o humor por uma carta das editoras inteira (só nesse primeiro parágrafo sei que já tô fazendo vocês ficarem constrangidas pela falta de graça), então vamos direto ao ponto: em julho, falaremos sobre segredos.

Vocês já devem saber só de olhar minha bio (fiquem tranquilas, eu espero vocês irem lá embaixo na página ler) que eu de-tes-to segredos. Nada me angustia mais do que não saber de coisas que os outros sabem, do que coisas propositalmente escondidas, do que estar no escuro sobre algo importante – a ponto de não suportar surpresas em geral (nunca façam uma festa surpresa pra mim, por favor). Por isso, escrever esta carta das editoras é difícil: afinal, o tema deste mês me aterroriza. Só que, pensando bem, já tivemos temas aterrorizantes – até escrevemos sobre o próprio medo. E, para mim, o que torna o segredo um tema fundamental é exatamente seu caráter intimidador.

Vamos falar sobre segredos, porque é assim que eles param de ser secretos. Vamos conversar sobre o que escondemos, vamos discutir o que os outros escondem, vamos apoiar quem prefere esconder certas coisas e dar força para quem quer se abrir. Vamos escrever sobre fofocas, sobre diários, sobre mensagens subliminares, sobre denúncias, sobe mistérios, sobre códigos, sobre proibições, sobre privacidade, sobre exposição. Vamos dar voz a quem abomina segredos tanto quanto eu, e a quem defende a importância de guardar segredos a sete chaves.

No fim das contas, segredos perdem seu poder quando falamos sobre eles (um pouco como o próprio medo), e, por essa razão, vamos passar 31 dias fazendo exatamente isso: escancarando os segredos que precisam ser escancarados.

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Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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