1 de agosto de 2015 | Edição #17 | Texto: , and | Ilustração: Bia Quadros
Carta das editoras #17: Comida

O processo de escolha do tema do mês da Capitolina se dá inteiramente por votação. A gente tem um banco de ideias enorme com sugestões mais variadas, e todo mês escolhemos uma delas para ser o nosso tema durante trinta dias. Muitas vezes acaba ganhando uma ideia que nunca pensamos que daria tanta pauta diferente, mas as meninas sempre surpreendem com pautas incríveis e acaba sendo um sofrimento escolher apenas 30 entre tantas coisas maravilhosas. Então, quando o tema “comida” foi votado para o mês de agosto, nem esquentei minha cabeça, porque sabia que, por mais que eu não tivesse ideia do que falar, muitas meninas ali dariam sugestões incríveis.

Mesmo sabendo disso, essa edição me surpreendeu. Ou melhor, nos surpreendeu – porque, assim como eu, as outras colaboradoras da revista também não esperavam o resultado que tivemos com as sugestões de pautas. Descobrimos juntas que “comida” é um dos temas mais políticos que existe. Porque falar de comida não é apenas dar dicas de receitas, fazer montagem de pizza, fazer teste pra ver se gosta mais de queijo ou chocolate, tirar foto do prato pra colocar no instagrão.

Falar de comida é também falar de cultura, já que cada sociedade tem uma relação com o que come. Falar de comida é também falar de ciência, já que não basta mais plantar sua horta em casa que tudo vai ficar bem. Falar de comida é também falar de machismo, já que somos nós mulheres as mandadas para a cozinha. Falar de comida é também falar de capitalismo, já que nos negam uma das nossas necessidades mais básicas se não tivermos dinheiro.

Falar de comida é também falar de política. É falar de distribuição, saúde, colonização, meio ambiente, (sub)nutrição, desperdício, de uma necessidade intrínseca a viver. Há muito que comida não é apenas pasto. Comida é motivo de guerras e de mortes. Ao mesmo tempo, comida é também motivo de amor e juntar o pessoal na laje. E falar de comida é também falar de reunião, de carinho, de cuidado.

Nossa cultura nos ensina que se juntar numa mesa para comer é demonstrar amor ao outro, é estabelecer laços. Seja comendo fora, pedindo comida ou fazendo uma receita em casa. Preparamos comida com calma e determinação como parte desse amor que temos ao próximo e a nós mesmas. Quando queremos estar bem, comemos algo que gostamos, algo que nos abrace por dentro. Quando queremos estar com os outros, saímos para um café, uma pizza, pedimos comida chinesa e vemos TV enquanto rimos da vida.

Minha bisavó há muito me ensinou: a comida é o veículo do amor. Aumento a frase: a comida é o veículo do amor e da política.

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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