1 de outubro de 2015 | Edição #19 | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Carta das editoras #19: Crescimento

Crescer dói. Os filmes, livros e seriados tentam nos avisar isso, mas só damos ouvidos quando estamos no ápice da dor. Crescer dói muito. Doem as espinhas, o peso, a postura ruim. Dói o medo de não pertencer, de ser igual e de ser diferente, de ficar pra trás de alguma forma. As responsabilidades doem, o não poder fazer algo que você quer muito dói, os afastamentos e as brigas e os amores não correspondidos, tudo isso dói. Ao mesmo tempo, isso não é nada comparado à experiência total que é crescer.

Por mais que os medos existam e não possamos driblar as desilusões, dentro de nós borbulha algo muito maior. Os adultos rancorosos e engessados em suas próprias histórias vão dizer que são apenas hormônios, mas isso é mentira. O que está dentro de nós é um poder tão grande, tão forte, que acaba que ele é a base de todos os nossos sentimentos. Nós sentimos esse poder quando estamos com muita raiva e percebemos que, naquele momento, poderíamos quebrar uma parede em um soco. Ou quando estamos tão felizes que nosso brilho se torna mais forte que o sol. Isso que guardamos bem fundo no peito, esse poder ainda sem forma, pode vir a ser construtivo ou destrutivo, controlado ou descontrolado, usado por inteiro ou só uma parte. E dar forma a isso que está dentro de nós é exatamente o processo de crescimento.

Dois meses antes do meu vestibular, ganhei de uma amiga querida O Livro dos abraços, do Galeano. No primeiro conto, havia o segredo do mundo:

“- O mundo é isso – revelou. – Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.

Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.”

Esse mês, na Capitolina, vamos falar sobre crescimento, sobre esse processo louco e assustador, esse processo constante, o que nos mantém vivas. Aqui, vamos dividir nossos medos, nossas experiências e as sabedorias que aprendemos nesse meio tempo. Juntas, vamos colocar lenha em nossas fogueirinhas e dar mais um passo a caminho do nosso brilho mais forte, do uso completo do poder que temos dentro de nós, de transformar isso tudo em mais um motivo pra abrir o sorriso e saber que, mesmo com tantas coisas que fazem doer, estamos bem.

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

  • Ana Luísa

    Cada dia que passa amo mais essa revista gente <3

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Uma lista de filmes sobre crescimento seria super legal

  • Lah

    Alguma referência ao Clube dos Cinco, por favooooor! S2

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos