1 de junho de 2014 | Edição #3 | Texto: , and | Ilustração: Bia Quadros
Carta das Editoras #3: Corpo

É o nosso terceiro mês com a Capitolina e cá estamos, mais de 60 garotas, novamente correndo contra os ponteiros para ter tudo pronto e impecável para as próximas edições. Garotas altas, baixas, com uma altura mediana, brancas, negras, gordas, magras, cis, trans*, peitudas, sem peitos, que calçam 35, que calçam 37, que calçam 40, com cabelos encaracolados, ondulados, lisos, pintados, da cor natural. Assim, nada melhor e mais importante do que tratarmos de corpos nesta edição de junho.

Desde pequenas somos ensinadas que nossos corpos têm que seguir um padrão de beleza. E isso pode ser tanto com alguém nos dizendo “você precisa emagrecer” da mesma forma que pode ser com só terem moças jovens, brancas e magras nas capas das revistas, nos filmes e mesmo nas descrições de muitos dos livros que têm por aí. E este padrão que nos é imposto faz com que, pouco a pouco, nos sintamos mal com nossos próprios corpos. A ponto de desenvolvermos distúrbios alimentares ou nos submetermos a uma série de hábitos que não são saudáveis para a gente (tanto no âmbito corporal, quanto no âmbito mental).

Conversando com as meninas sobre ideias de matérias para a Capitolina (ou mesmo só desabafando um pouco), percebemos cada vez mais como falta alguém para nos dizer que: Ei, calma, você é linda e esse padrão que colocaram pra gente é maluco e sem sentido. E exatamente por causa disso, decidimos nós mesmas falar isso. O nosso corpo é uma fonte de prazer, é com ele que nos expressamos – seja por movimentos, seja com o que colocamos nele – e não devíamos viver em conflito com ele.

Assim, o mês de junho vai ser recheado por muitos corpos, todos maravilhosos. E vamos tentar mostrar a vocês que o mais importante de tudo é vocês se sentirem seguras com quem são. O nosso corpo é uma espécie de casa, a gente mora dentro dele. E não dá pra fugir de lá. Mas nós podemos sempre tentar vê-lo de outra forma e, quem sabe, se for o caso, fazer alguma reforminha. Mas tudo o que fazemos com nossos corpos tem que ser porque é assim que nós queremos. Porque esta casa é nossa, de mais ninguém. E ela é a coisa mais linda que existe. Porque ela é nossa.

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Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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