1 de agosto de 2017 | Ano 4, Edição #36 | Texto: e | Ilustração: Yasmin Lopes
Carta das editoras #36: Cidade
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Cidade é uma aglomeração de pessoas em determinado espaço. Cidade é o que cada um de nós percebe e vive nela. Daí que, ao mesmo tempo, vivemos em cidade iguais, mas diferentes. Cada um de nós enxerga esse espaço a partir de suas experiências ali. É natural, portanto, que Aline e Yasmin (somos as editoras do especial de agosto) tenham experiências diferentes, além de morarmos em lugares diferentes.

Quando eu (oi, Aline aqui!) me mudei para Niterói, demorou um pouco para aquele ambiente deixar de ser hostil e se tornar a minha cidade. Foi preciso um bocado de gente para me ensinar a transitar ali, para me ajudar a criar memórias, para me ajudar a achar meu pedaço de terra em meio a tanta gente, a tanto chão. Eu, do interior do Espírito Santo, construí os caminhos na cidade grande a pé, mas também pegando ônibus. Hoje transito mais de metrô do que há uns anos e também vou de carro (peço pelo aplicativo, faço sinal para o táxi, mas não tenho vontade de ter meu carro). Vi os ciclistas reivindicarem um lugar nas ruas e ganharem faixas vermelhas para serem ocupadas. A minha cidade vai sendo construída a cada dia, a cada descoberta. Cidade é um organismo vivo. Somos as células. A cada dia estamos num lugar diferente.

Já eu (Yasmin falando!) cresci em uma cidade imensa, vasta e múltipla. Uma cidade que desde cedo me forçou a aprender sobre trânsitos e contrastes, que me fez fascinada por descobrir lugares e por isso a aguentar os maçantes trajetos de metrô e ônibus. Onde passo meus dias eu sou a “que mora longe”; onde acordo e vou dormir sou a que “vive lá na cidade”. Ora por necessidade, ora por gosto, é nesse pêndulo que habito São Paulo.

Observar o que um lugar produz deve ser das coisas que mais me atrai na vida: as marcas, as histórias, os estragos, as alegrias. É ver que para além de concreto, as cidades são feitas de gente. Meus bairros favoritos dizem mais sobre as pessoas que estão em minhas boas lembranças do que sobre construção, asfalto e tinta. E me admira como tudo se transforma e se mistura; uma rua é também cheiro, palavras, abrigo, alguém (ou trauma, medo, brigas). São, enfim, fases das nossas vidas perpetuados publicamente, divididas com tantas outras pessoas.

Com o tempo encontrei na fotografia um suporte para registrar os lugares que conheço e que me constroem. Gostar tanto de andar por aí me fez testemunha, contadora de histórias e fotógrafa. É ver todo dia nos lugares e nas fotos o percurso da minha vida, das pessoas que me afetam e das pessoas que constroem cidades.

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Como nós duas já dissemos pelas nossas experiências, cidades são feitas de pessoas. Mas todas as pessoas podem transitar igualmente pela cidade? A todos os corpos é permitido esse direito? E como faz quando grupos deixam de existir, vão sendo apagados nesse espaço? Como faz quando a eles é negado ocupar a rua, manifestar sua arte, mostrar sua identidade?

Cidade é o lugar onde a gente, mesmo rodeado de pessoas pode se sentir sozinho. Mas também é lugar de afeto, de criar laços, de se reconhecer enquanto gente, grupo. Sobre essas várias facetas é que vamos falar nos próximos 31 dias. Só que, além de falar, queremos ouvir também. Nasce, nessa edição #36, o espaço #Capitomigas, um lugar especial para a colaboração das leitoras. Como o nosso tema é CIDADE queremos saber: o que você ama sobre a cidade que você mora? Mande a resposta por e-mail em formato de foto OU ilustração OU um pequeno parágrafo para contato@revistacapitolina.com.br ou use a hashtag #Capitomigas até o dia 24/8. Sua contribuição vai aparecer no fim do mês em um artigo especial com uma seleção das respostas enviadas. Mãos à obra?

Seja bem-vindo, agosto!

Yasmin Lopes
  • Coordenadora de Poéticas
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Sociedade

Yasmin, se divide entre a graduação de Terapia Ocupacional e as ~artes~. Nasceu e vive em São Paulo, porém sonha com o mar. Não moraria em uma casa sem plantas, faz dancinhas ridículas no quarto e mantém um caderno quase-secreto de colagens e textos. Se estiver com sua câmera na mão, se basta assim - a sua única possível metade da laranja.

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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