18 de novembro de 2019 | Ano 5, Edição #49 | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Carta das Editoras #49: Pertencimento

Uma das características sociais que diferenciam os seres humanos de outros seres vivos é a nossa necessidade de pertencer e nos conectarmos. A ausência de pertencimento e a solidão pode ter sérias consequências para o indivíduo, por isso o assunto não é banal.  A Capitolina nasceu porque não conseguimos ter um senso de pertencimento com o que a mídia nos comunicava. Não éramos nem as comunicadoras e nem o público-alvo dos veículos, o que fazia com que nos sentíssemos deslocadas das narrativas e a margem da produção de conhecimento. Faz cinco anos que existimos, que rompemos com essa concepção e procuramos criar um espaço em que todas (e todes) se sentissem parte.

Apesar desse ser sempre nosso objetivo, achamos importante neste momento dedicar uma edição para falar sobre pertencimento. Esse conceito que guia todo nosso trabalho, mas que ainda não é discutido como deveria. Mas afinal, o que é pertencimento? É uma crença subjetiva em uma origem comum que une diferentes pessoas. É a noção de que fazemos parte de uma coletividade, que compartilhamos algo em comum. 

Quando nos sentimos parte de algo maior que nós mesmo, somos mais motivados a participar e incidir sobre os rumos desse lugar social e potencialmente a buscar uma transformação social. Por isso, a noção de pertencimento é especialmente importante para minorias políticas ou grupos que foram colocados à margem como mulheres, pessoas negras e indígenas, LGBTs, pessoas gordas e com deficiência.

E quando falamos sobre o tema não podemos  de tratar de outros conceitos que também se relacionam e precisamos trabalhar junto, como representatividade, criação de espaços seguros, auto narrativas e uma sociedade mais diversa. Sem isso, a discussão acaba ficando superficial.

Em 2019, já falamos sobre esperança, cuidado, água e orgulho. Para fechar o ano, nesta edição, vamos falar sobre a ausência de pertencimento para pessoas negras (lembrando que estamos no mês da consciência negra), mudanças, nossa relação com a natureza e a menstruação, afrofuturismo e muito mais.

Vicky Régia
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
  • Coordenadora de Esportes
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 23 anos, é formada em jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. É apaixonada pela arte de contar histórias e dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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