1 de setembro de 2014 | Edição #6 | Texto: , e | Ilustração: Isadora M.
Carta das Editoras #6: Medo
Ilustração: Isadora M.

Tem horas que a vida pode dar muito medo. São tantas as possibilidades do que pode acontecer, tanta coisa que já aconteceu que, às vezes, tudo o que conseguimos sentir é medo. No dicionário, uma das definições de “medo” é “preocupação com determinado fato ou com uma determinada possibilidade”. É claro que sabemos que o medo vai além dessa preocupação. Ele te invade de uma maneira surpreendente, como se, de repente, BUM: você está cheinha de medo. Você pode acordar com medo, ficar com medo no meio de uma caminhada, ou pode construir esse medo aos poucos, inclusive com ajuda de outras pessoas (como é o caso dos medos que a sociedade nos ensina a ter – medo de andar na rua sozinha de noite, de nunca casar, de não ser bem sucedida na vida e assim por diante). De qualquer forma, quando você menos espera, se vê invadida por esse sentimento e fica totalmente paralisada.

O medo paralisa, deixa-nos sem reação, sem saber o que fazer, sem agir racionalmente – às vezes, sem agir de forma alguma. E exatamente por isso, para a decisão desse tema, nós da Capitolina tivemos longas discussões sobre se esta seria a palavra certa para o tema desse mês de setembro. Ter tal palavra cravada por um mês inteiro bem ali no centro de nossa página poderia ser um problema. Poderia ser uma forma de lembrar às nossas leitoras os medos que têm, poderíamos acabar por fazê-las se sentirem mal – e isso é tudo o que nós não queremos. Outras propostas vieram. Risco, coragem e mesmo “aquilo que (não) deve ser nomeado” foram ideias alternativas, mas nenhuma delas de fato transmitia o mesmo que “medo”.

O medo – seja de um trauma, seja de um filme de terror – mexe em algo que está lá no fundo da gente, que é difícil identificar com clareza. E, para superá-lo, é preciso encontrar aquela pontinha de coragem que ainda nos resta e fazer a coisa mais medonha de todas: identificá-lo, nomeá-lo. Quando damos nome ao medo, encontramos a fonte dele, olhamos para ele de frente, com nome, definição. Aquela massa paralisante se torna algo concreto, e podemos coloca-la na estante, pois ela passa a ter um lugar. Ao identificar o medo, é possível entendê-lo e, a partir daí, você deixa de se desesperar toda vez que ele te invade, porque você já sabe seu significado. Ao identificar o medo, é possível paralisá-lo antes que ele te paralise.

Nesta edição, portanto, pretendemos nomear alguns de nossos medos, olhar de frente pra eles e mostrar que quem manda somos nós. E, quando optamos por deixar a palavra “medo” bem centralizada nesta edição, não é para nos paralisarmos; ao contrário: é pra você olhar o seu medo de cara e dizer “você não me assusta”.

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Sofia Soter
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Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Clara Browne
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  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

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