1 de novembro de 2014 | Edição #8 | Texto: , and | Ilustração: Beatriz Leite
Carta das editoras #8: Movimento

Os professores de física do colégio nos ensinam que movimento é a variação da posição de um corpo em relação a um referencial fixo em um determinado período de tempo. Então, eles nos ensinam que existem diferentes tipos de movimentos – o uniforme (MU), o uniformemente variado (MUV), o circular etc – e dizem que temos que decorar aquelas fórmulas que juntam letras e números ou que têm nome de doce italiano (como Torricelli). Assim, aprendemos que o movimento, seja ele qual for, tem a ver com o tempo que leva para acontecer, a distância percorrida, a aceleração do objeto e, provavelmente, alguma dessas coisas vai estar elevada ao quadrado, porque nada na física facilita a nossa vida. Mas essa é apenas uma das formas de se pensar o movimento.

Além de ser um caso de estudo, como é na visão dos físicos, o movimento é uma maneira de se expressar. Na dança, a mensagem se passa pelo movimento – do controle meticuloso e rígido do ballet clássico à liberdade e naturalidade do corpo em certas performances de dança contemporânea, passando pelos movimentos de interação com espaço e objetos na acrobacia. No teatro, também nos utilizamos da movimentação para criar a história que queremos contar. Na pintura, é o movimento que damos ao pincel e à tinta que forma o quadro. Ao pensar um livro, pensamos no tempo de virada da página. Nos quadrinhos, é o total de quadros que criam a movimentação das personagens.

E há aqueles que constroem suas carreiras com base no movimento. Corredores, nadadores, ginastas… Mas isso que não significa que nós, reles mortais preguiçosos, também não precisemos nos movimentar. E, aqui, não me refiro somente a correr para pegar o ônibus, andar de bicicleta ou mesmo àquele esforço sobre-humano que precisamos ter para sair da cama e ir ao banheiro. É claro que essas coisas também são importantes. Mas mesmo aqueles que estão em estado vegetativo necessitam do movimento para sobreviver.

O sangue que corre em nossas veias, o ar que entra e sai de nossos pulmões, o coração pulsante… Tudo isso é movimento. E todos são imprescindíveis para que nos mantenhamos vivas. Da mesma forma que o movimento que as células das plantas ao fazer a fotossíntese é também importantíssimo para que estejamos aqui.

Aliás, já que chegamos a esse ponto, podemos dizer: tudo no mundo é movimento. Mesmo em um deserto – o ar se movimenta, vira vento, leva os grãos de areia, transforma as dunas; a luz do sol viaja todo o universo para chegar ali, quente e seca –, mesmo as árvores, que na nossa visão parecem sempre tão bobas e paradas – suas células estão se movimentando; elas respiram, transformam o ar a sua volta, fazem fotossíntese; crescem, formam folhas, flores, frutos. Este é o segredo do universo: tudo é movimento. E, se paramos, morremos. Não tem jeito.

Então, agora que você já sabe, feche os olhos, sinta o vento embaraçar seus cabelos, os raios solares esquentarem seu rosto. Perceba o sangue que corre em suas veias, o seu coração pulsante, a todo vapor. E embarque com a gente nessa nova edição da Capitolina.

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Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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