22 de novembro de 2014 | Ano 1, Edição #8 | Texto: | Ilustração:
Charles Xavier, Bucky, deficiência física e o exoesqueleto
Ilustração: Jordana Andrade.

Ilustração: Jordana Andrade.

Vocês conhecem o Bucky, personagem dos quadrinhos da Marvel? Bucky foi Soldado Invernal em uma época e perdeu um braço. O Xavier tenho quase certeza que vocês conhecem. Professor X, dos X-Men. Mas o que isso tem a ver com deficiência física e exoesqueleto? Ao longo do texto eu te mostro.

Você já parou para pensar o quão maravilhoso é poder levantar-se da cama, tocar os pés no chão, caminhar, conseguir levantar uma caneca, pentear os cabelos, tomar banho sozinha? Todos esses movimentos que parecem banais, rotineiros, são um sonho para muitos deficientes físicos. Não porque desejam ser “normais”, mas porque tais tarefas lhe são dificultosas. O que você faz sem perceber, alguns deficientes físicos sofrem para realizar.

Eu, por exemplo, não consigo utilizar a mão direita muito bem, então adaptei tudo a ser usado pela esquerda, virei ambidestra na obrigação e na necessidade. Não consigo levantar um copo se estiver muito cheio, preciso usar canudo, tampouco consigo me virar sozinha na cama. O movimento mais simples, como, por exemplo, ao estar deitada, puxar um braço para o outro lado do corpo, é muito cansativo, muito. Sempre durmo com ambos os braços voltados para o mesmo lado. Não consigo lavar meu cabelo sozinha, pois não tenho força para levantar os braços. Se me movimento demais no estágio da faculdade, pegando pastas de processos e essas coisas, preciso parar por, pelo menos, 5 minutos e recuperar a força. Vê? Os movimentos são uma benção diária e você nem notava.

A ciência sempre busca soluções para o mundo no qual vivemos – se não encontram, ao menos acham explicações – e, quando aliada à tecnologia, as esperanças sobem. Dentre variados aparelhos já criados para a facilitação do dia a dia dos deficientes físicos, como a cadeira de rodas motorizada (eu tenho e o Xavier também tem, embora a dele seja muito mais legal e provavelmente não gaste tanta bateria quanto a minha), que permite um mínimo básico de independência daquele que a usa, temos agora o exoesqueleto.

O exoesqueleto robótico é uma estrutura criada para imitar os movimentos do corpo humano, possuindo articulações e controle neural (o braço do Bucky também, só que, ao invés de criado por cientistas renomados, foi a HYDRA deu uma mãozinha… e um braço). Foi criado num projeto internacional chamado Walk Again (Andar de novo, numa tradução simples), que reúne 170 pesquisadores do mundo todo, dentre eles o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. O exoesqueleto criado pela equipe de Nicolelis foi usado por um jovem na abertura da Copa do Brasil para dar o pontapé inicial na bola. Alguém lembra? Ou melhor, alguém viu? Porque, em 16 segundos, foi difícil ver alguma coisa.

Nesse exoesqueleto, o usuário utiliza uma touca especial que capta as atividades cerebrais e as lê, interpretando qual movimento o corpo deseja realizar e, então, repassa a informação aos membros robóticos do exoesqueleto e este o realiza.

Fonte: G1

Fonte: G1

Fé na ciência, um dia chegamos lá.

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

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