10 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: and | Ilustração: Isadora M.
Chegaram as calorias! Ó! Fujam todas para as colinas! Elas vão atrás de você!

Sempre que a gente ouve falar das famigeradas calorias por aí, parece que as bichinhas são a coisa mais assustadora, cruel e malvada que existe, né? É preciso queimá-las e evitá-las a todo custo, e nossos melhores amigos só podem ser aqueles produtinhos que vêm com um ZERO bem grande estampado na embalagem.

Mas será mesmo que esses numerozinhos são invenção do demônio para fazer mal aos nossos corpos? Talvez, assim, só por acaso, será que as calorias não são meio que necessárias para que a gente faça uma coisinha meio boba chamada viver? Bem, pra início de conversa, o que diabos é uma caloria?

Se a gente for dar uma pesquisada, encontraremos sua definição como sendo uma unidade de medida que indica a quantidade de energia necessária para elevar 1g de água de 14,5ºC para 15,5ºC. Não, não vai ter aula de física por aqui, mas o termo caloria vem daí e é bom compreendermos sua origem antes de mais nada.

No entanto, sabemos que, quando pensamos no assunto, imediatamente o que nos vem à mente são as calorias que aparecem nos alimentos. Uma coisa interessante de notar é que esse numerozinho que aparece nas tabelas nutricionais de comida é, na verdade, uma quilocaloria (kcal), ou seja, uma caloria vezes mil. Vendo essa definição física, a gente tem uma pista do porquê de as calorias serem, na verdade, umas queridas para o nosso funcionamento fisiológico: elas são uma medição do nível de energia que determinado alimento fornece. É importante, então, pensar nelas como amiguinhas que dão aquela força pra que o nosso corpo funcione até em suas tarefas mais básicas.

Logo, quando pensamos em algum tipo de controle das calorias, temos que dar atenção para o equilíbrio de ingestão e gasto dessa energia ingerida. As calorias são importantes principalmente no controle da saúde, já que sua principal função teórica é especificar a quantidade de energia que uma pessoa precisa ingerir ao longo do dia, de acordo com suas atividades vitais – tipo respirar – e esforço físico.

A nutrição costuma adotar dois critérios–chave para determinar se uma alimentação é ou não saudável: a quantidade e a qualidade. E é só pela associação desses dois fatores que uma pessoa pode encontrar uma dieta adequada para seu próprio corpo. Assim, as calorias, quando vistas sozinhas (quando lemos apenas aquele número com um “kcal” ao lado) não nos dizem muita coisa. Assim, é interessante pensar nas calorias que estamos consumindo, mas mais interessante ainda é pensar o que vem junto com elas: além do numerozinho, quanto aquela determinada comida, seja uma cenoura ou um bolo de chocolate, te fornece de carboidratos, proteínas, gorduras e fibras? E as vitaminas e minerais? A nutrição não é, de forma nenhuma, um negócio de uma dimensão só que só vai te dizer se determinada coisa te engorda ou não – que parece ser a grande preocupação de toda essa “caloriafobia” – e, sim, uma ciência que busca entender se seu corpo está ou não recebendo tudo o que precisa pra funcionar corretamente.

Por exemplo, algumas atividades vitais do nosso corpo, como o funcionamento cerebral, utilizam apenas uma determinada fonte de energia, que são os carboidratos, de que você já deve ter ouvido falar, muitas vezes, como sendo aquela coisa proibida que engorda. Essa ideia do carboidrato está erradíssima, porque ele tem uma função importantíssima dentro do seu corpo. Então é aí que entra a coisa toda da quantidade. Se ingerirmos 20 kcal de carboidratos não teremos o mesmo ganho que se ingerirmos 20 kcal de gorduras ou de proteínas. Ou seja, mais importante do que quantas calorias você pode ingerir ou não ao longo do seu dia, é saber a qualidade dessas calorias.

O site WiseGeek fez um estudo fotográfico que teve como objetivo demonstrar a diferença na quantidade de alimentos que possuem as mesmas calorias, e apresentar isso de forma visual através de fotografias. Os resultados são surpreendentes e exemplificam bem a importância da qualidade na escolha de quais calorias ingerir.

75g de um hambúrguer equivale a 200 calorias; como podemos notar na foto, você comerá muito pouco e estará ingerindo muitas calorias. 75g = 200 kcal

75g de um hambúrguer equivale a 200 calorias; como podemos notar na foto, você comerá muito pouco e estará ingerindo muitas calorias. 75g = 200 kcal

Se você quiser obter a mesma quantidade de calorias comendo brócolis, será necessário comer 588g de brócolis para obter 200 calorias. 588g=200 kcal

Se você quiser obter a mesma quantidade de calorias comendo brócolis, será necessário comer 588g de brócolis para obter 200 calorias. 588g=200 kcal

Então não há motivo pra correr das calorias como o diabo foge da cruz. Elas, como tudo na vida (tirando, sei lá, o Bolsonaro) não são, por si só, boas ou ruins. O bom mesmo é pensar a comida como algo mais complexo que vai além do “engorda” ou “não engorda”, e passar a vê-las como o combustível que faz seu corpo funcionar. Desse jeito, a gente passa a entender melhor que algumas comidas vão te deixar mais disposta e te dar energia por mais tempo, enquanto outras vão te dar aquele soninho preguiçoso, por exemplo. São muitos os fatores envolvidos, e a gente precisaria de um livro inteiro de nutrição pra começar a explicar a história toda, mas vale a pena, por agora, só dar uma olhada no que vamos comer pensando em coisas mais legais – é gostoso? Tem quantidades legais de coisas nutritivas? Tem um monte de agrotóxicos e coisas esquisitas industrializadas? – do que só o quanto aquilo vai nos engordar.

Caloria é energia, e nós precisamos dela

Apesar de ainda enxergarmos as calorias como algo ruim, a verdade é que precisamos delas para todas as nossas atividades, afinal, gastamos energia todos os dias, desde o momento em que dormimos até durante aquela pequena caminhada até a praça. Mas, é importante saber que nem todos os alimentos que possuem muitas calorias nos ajudam a ter energia para nossas atividades – às vezes, o efeito pode ser bem o contrário. Para isso, vamos dar algumas dicas de alimentos que nos dão calorias, energia e, além disso, são deliciosos:

Pipoca – Não aquela que comemos no cinema, ok? A pipoca que fazemos em casa é cheia de fibra e nos auxilia na nossa digestão. A melhor forma de preparar a pipoca é sem muita gordura e na panela. Um jeito prático de preparar pipoca de micro-ondas é colocando o milho dentro de um recipiente com água coberto, fechando o recipiente com plástico filme e deixando em média por dois minutos. O tempo de preparo dependerá do tamanho do recipiente e da quantidade de pipoca que você utilizar.

Chocolate – Sim, vai ter chocolate e muito chocolate. Mas precisamos ter atenção na hora de escolher o tipo. Os chocolates que vemos em achocolatados ou barrinhas conhecidas costumam ter muito mais açúcar – que também é uma fonte de energia, mas que, em geral, não é tão bom assim pro seu corpinho – que chocolate de verdade. O melhor, então, é optar pelo chocolate amargo. O chocolate possui um estimulante chamado teobromina, que é muito parecido com a cafeína, além de ter flavonoides que ajudam também na saúde do coração, por exemplo, auxiliando o transporte de oxigênio para o restante do corpo – e é por isso que a gente fica mais “ligado” quando come essa belezinha.

Banana – Uma das minhas frutas prediletas, a banana é uma ótima fonte de carboidrato, ou seja, de calorias. Ela é superfácil de comer né? Não tem muita desculpa, é só descascar! Além disso, dá até pra colocá-la na farofa ou misturar na comida. A fruta é fonte de vários nutrientes importantes, como o potássio, aquele que ajuda a evitar cãibras – ou seja, é a queridinha dos atletas. De quebra, a banana ainda ajuda a evitar a fraqueza muscular e a fadiga.

Castanhas – Hora do lanche? Bateu uma fome fora de hora? Tá querendo mastigar alguma coisa? Castanhas são incríveis pra isso – pode ser avelã, do Pará, nozes, portuguesa, qualquer uma dessas oleaginosas que a mãe natureza oferece. A regra geral é que essas delícias oferecem uma baita dose de energia pro corpo, somada a gordura boa, muita proteína e vitaminas essenciais. Além disso, elas caem bem com tudo, desde salada até recheio de bolo.

Açaí – A frutinha amazônica, que no resto do país costuma ser comida naquela pasta que é quase um sorvete, é energia pura! Ou seja, tem calorias pra caramba, mas equilibradas a doses de minerais e antioxidantes de dar inveja a muitos outros alimentos – há até quem ande chamando essa delícia roxa de “superalimento” por aí. Como no chocolate, é sempre bom procurar as versões menos industrializadas, que costumam ter menos açúcar e mais da própria fruta. Também é importante não exagerar nas versões tudo dentro, em que colocam leite condensado, sucrilhos, xarope de guaraná, arroz, feijão, sua avó e o que mais couber na tigela – e o açaí que é bom, só um pouquinho.

Não importa qual alimento você escolher, o importante é não pirar com as calorias porque, como a gente viu aqui, às vezes elas não são esse pavor todo. Coma, coma bem e assim você poderá comer sempre bastante e sem medo.

Fabiana Pinto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Fabiana Pinto, negra e carioca. Graduanda em Nutrição na Universidade Federal do Rio de Janeiro em tempo integral e, escritora de suas percepções e experimentações do mundo em seu tempo livre.

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Que post maravilhoso e cheio de informações úteis! Amei!

  • http://minhajubadeleao.tumblr.com/ Amanda Argilero

    Na verdade o cérebro se alimenta de glicose que nosso corpo próprio produz com outras fontes de alimento que não seja carboidratos também. Esquimós passam 6 meses só comendo carne e não morrem por atrofia cerebral nem nada. E caloria qualquer coisa tem, até um celular, mas ele não dá pra comer. Caloria é o calor gerado daquele objeto/comida quando ele é queimado.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos