24 de dezembro de 2014 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
A Ciência do Papai Noel
Imagem: simulação de um buraco de minhoca atravessável. Fonte.

Imagem: simulação de um buraco de minhoca atravessável. Fonte.

Todo ano, nessa época, aparecem pela internet artigos investigando a possibilidade de o mito do Papai Noel ser real. Pesquisando por eles, dá pra perceber que as teorias são, apesar de muito loucas e distantes da realidade, bastante embasadas. E mesmo usando a ciência, no final das contas a questão é se você quer acreditar ou não.

Para analisar a hipótese, a premissa precisa ser de que o mito é real (é muito mais fácil provar que ele não é, afinal. Parece meio óbvio, mas cientistas fazem coisas muito óbvias às vezes, para não cair num erro bobo depois – melhor exagerar no nível de detalhe).

A história todo mundo conhece: um velhinho de vermelho roda o mundo na noite de natal deixando presentes nas casas das crianças que foram boas durante o ano. Mas o mundo é grande, e o peso dos presentes seria impossível de carregar.

Esses são os dois principais problemas, e ambos podem ser resolvidos, na teoria, pela física atual. Mas só muito na teoria mesmo, já que envolvem múltiplas dimensões e nanotecnologia – coisas que ainda são muito restritas à pesquisa no papel.

A relatividade do tempo

Para conseguir dar a volta ao mundo a tempo, seriam necessárias mais ou menos 30 horas (por causa dos diferentes fusos horários). Considerando que são milhões de crianças, ele teria que visitar uma média de 800 casas por segundo. Dá então para chegar a uma velocidade de coisa de 10 MIL quilômetros por hora! A essa velocidade, a resistência do ar seria tão alta que geraria uma quantidade absurda de calor. Isso, por sua vez, vaporizaria não só as renas, como o trenó e o próprio velhinho em segundos. Temos, então, duas teorias principais de como ele consegue resolver tudo antes de virar pozinho:

Escudo: ele poderia usar um escudo ionizado, ou seja, de partículas “carregadas”, que se manteriam juntas com um campo magnético. Dessa forma, ele contornaria o problema da produção excessiva de energia/calor.

“Nuvens de relatividade”: usando a teoria da relatividade de Einstein, dá também para usar a ideia de que o tempo pode ser esticado e comprimido, e essas “nuvens” seriam capazes de cruzar o tempo-espaço de forma diferente da que conhecemos, e o que parecem horas para nós seriam na verdade meses de viagem tempo-espacial do Papai Noel em seu trenó (usando as nuvens).

Ah, tem também a teoria de que o bom velhinho na verdade é um robô. Simples, né? Ele, as renas, todos robôs feito para aguentar as temperaturas insanas que a velocidade geraria. Quem sabe…

Carga pesada

O outro problema bem sério é como daria para carregar toneladas de presentes num trenó, e ainda por cima voando. Dá para imaginar algumas coisas: que Papai Noel é super-mega forte, que ele transita entrando e saindo da atmosfera, e assim o peso dos brinquedos se torna irrelevante (mas levanta um monte de outras questões bizarras), que as renas são geneticamente alteradas para aguentar toneladas (além de voar, mas peraí que eu já chego nessa parte)…

Mas a solução que me pareceu mais elegante foi o saco de presentes ser, na verdade, um “processador de reversibilidade termodinâmica” – em português mais claro, algo que conseguiria se utilizar dos átomos de qualquer material e reorganizá-los na forma dos presentes. Carvão de chaminés ou mesmo folhas de árvores poderiam ser usados de “combustível” para fazer esses presentes.

Tá. Mas e as renas?

Então. Pra tudo isso funcionar o trenó tem que voar, certo? E pro trenó voar, as renas têm que ter… asas? Bem, considerando-se que até hoje ainda estão descobrindo espécies novas, e que modificações genéticas têm várias complicações éticas, mas são bastante possíveis, não parece tão inesperado o Papai Noel, sozinho, lá no Pólo Norte com os elfos, ter feito uns experimentos. Aquela outra ideia, de que são todos robôs, também faria sentido.

Resumindo…

No final das contas, o que importa é se você quer entrar ou não na brincadeira. Essas abstrações são um ótimo jeito de aprender como as coisas funcionam, e aproveitar para exercitar a imaginação. As teorias científicas não saem necessariamente de laboratórios e salas de conferência. A expressão “pensar fora da caixa” já é meio clichê hoje em dia, mas a verdade é que deixar o pensamento fugir um pouco de como se espera que as coisas aconteçam pode mesmo trazer grandes resultados.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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