21 de setembro de 2015 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Isabela Zakimi-Innocentini
Ciência: substantivo feminino

Quando se pensa em ciência, qual a primeira coisa que vem à cabeça? Você pensa em óculos grossos, Einsteins, tubos de ensaio e ratinhos? Hm… e se a gente falar em ciências humanas? Isso te remete a livros enormes de história, imagens do Che e pintura corporal ao som de flauta andina? Pois é, talvez tenha um tiquinho disso aí (rssss), mas não para por aí não.

Fugindo um pouco desses estereótipos, é importante saber que, embora essa imagem seja incutida na gente desde criança e na escola, o mundo das ciências exatas e biológicas não é exatamente um bicho-de-sete-cabeças, tal como as ciências humanas e sociais também não são esse mel na sopa. Aliás, a discussão que se deve pautar aqui não é sobre o que é mais fácil ou “mais ciência”, mas o papel que essas áreas aparentemente distintas exercem na construção do conhecimento. Como elas se relacionam? Quem as constrói? O que é conhecimento científico, afinal?

Bem, vamos por partes.

CIÊNCIA, substantivo feminino

  • 1. conhecimento atento e aprofundado de algo.
  • 2. corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente. […]

ETIM lat. scient?a,ae ‘conhecimento, saber, ciência, arte, habilidade’

Ou seje: é o conhecimento que perfura as barreiras do senso comum, que busca “como” e “por que”, elabora métodos e classifica padrões. E assim, muita coisa pode ser considerada conhecimento científico. Desde linguística às ciências agrárias, de astronomia às ciências econômicas, das ciências naturais às sociais etc.

Então o que são as ciências exatas?

As ciências exatas originam-se na observação e percepção dos fenômenos e buscam a relação entre causa e efeito destes. Buscam saber como ocorre uma combustão, o que é uma estrela, se plutão é um planeta ou não – e onde ele está. As ciências exatas são divididas entre básica e aplicada (áreas que se confundem e se complementam) e contam com uma linguagem e símbolos próprios para possibilitar essas descobertas.

De forma simplista, a ciência básica conta com a Matemática, a Física e a Química para elaborar teorias e a ciência aplicada conta com as Engenharias, Geologia, Computação e outras para utilizar essas teorias e modelos no desenvolvimento de tecnologias e processos.

E as ciências humanas e sociais?

As ciências humanas estudam, por sua vez, os aspectos que envolvem o ser humano e busca desvendar suas complexidades. Divididas em várias áreas, como história, letras, direito, antropologia e cinema, as ciências humanas apoiam-se principalmente na filosofia, nas artes e na comunicação.

Já as ciências sociais procuram estudar os aspectos sociais do mundo humano e tudo que diz respeito a cultura, história, ao desenvolvimento do ser humano, seus hábitos, comportamentos e valores – e isso inclui estudar justamente a construção das ciências exatas!

Como se relacionam?

As ciências exatas são estudadas na escola como algo isolado do mundo. Raramente é ensinada a aplicação e demonstração das fórmulas e modelos que aprendemos, o que dificulta muito o aprendizado. Eu mesma nunca entendi pra que serve a fórmula de Bhaskara, só a repeti mecanicamente durante todo o ensino médio – e não é só porque “eu sou de humanas”.

É importante que a gente saiba,também, que essa ciência que produz resultados materiais e aperfeiçoa tecnologias não está dissociada da ciência que estuda os efeitos dessas tecnologias na organização das sociedades – a Revolução Industrial e a Guerra Fria são grandes exemplos disso!

E essa história de que mulher é boa com pessoa e homem é bom com número?

Além da linguagem utilizada e do foco de estudo, há um outro fator que distingue as humanas e as exatas: quem as constrói. Uma pesquisa do CNPQ de 2013 apontou que a distribuição percentual de pesquisadores segundo gênero no ano de 2010 se igualou. No entanto, a pesquisa apresenta que as mulheres têm predominância nas áreas de Ciências Humanas e Sociais, enquanto os homens ocupam majoritariamente o campo das Ciências Exatas e, principalmente, engenharias.

Talvez você tenha percebido que todos os químicos, físicos e matemáticos que a gente estuda na escola são homens. Newton, Darwin, Lavoisier, fulano e cicrano: tudo ômi. Com exceção da Marie Curie, que eu acho que é a única mina que aparece no meio desse bolo todo. Não vou nem comentar aqui a quantidade de cientistas que tiveram seus trabalhos roubados ou apagados da história.

E, se você teve o mesmo azar que eu, também rolou de seus professores de exatas fazerem piadinhas machistas, surpresos quando você acerta algo, partindo desse pressuposto de que “homens são racionais, mulheres são emocionais”. Então é como se nossas habilidades pra resolver uma questão dependessem somente das nossas diferenças genéticas? Pois bem, migas, não tá fácil. Mas o incrível astrofísico Neil deGrasse Tyson responde de forma muito lúcida a essa pergunta super estúpida, tomando sua experiência enquanto homem negro que conquistou o ambiente científico numa sociedade dominada pelo homem branco como exemplo.

Uma pesquisa do PIAA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), de 2012 afirma o que o Neil querido diz no video aí em cima, apontando que o reforço desses estereótipos e a falta de representatividade e incentivo às mulheres para seguirem as áreas das ciências exatas gera falta de confiança nas meninas, o que faz com que percam o interesse.

MAS como a gente já falou aqui muitas vezes:

1) você não é obrigada a nada e;

2) você é capaz de tudo!

Então migas que têm interesse na carreira científica, SE JOGUEM! É importante que a gente avance nas pesquisas das ciências humanas e que também conquistemos os outros espaços!

P.S. Percebam que eu deixei as biológicas de lado, mas isso é papo pra outro post! (O conselho continua valendo)
 

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Jade Cavalhieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM

Boneca trouxa inveterada que perde muito tempo reclamando e clamando direito à preguiça. É escorpiana com ascendente em áries e ama mostarda de uma forma não muito saudável. Se identifica com nuvens cirrocumulos e alguma parte dentro dela ainda quer ser astronauta.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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