3 de agosto de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Cinco motivos para assistir (e amar) Broad City

 

Se você curte séries, é bem provável que já tenha assistido a Broad City, ou pelo menos já ouviu falar. O programa, que estreou em janeiro de 2014 pela Comedy Central, já completou sua segunda temporada e terá uma terceira no ano que vem, mas antes mesmo de chegar à TV já fazia sucesso como websérie de mesmo nome. As histórias giram em torno de Abbi e Ilana, duas mulheres de vinte e poucos anos que moram sozinhas em Nova York e vivenciam todo tipo de perrengue que a cidade pode proporcionar. As personagens nada mais são que versões um pouco mais jovens e exageradas de Abbi Jacobson e Ilana Glazer — as maravilhosas criadoras, roteiristas e produtoras-executivas da série.

Para quem quer matar as saudades ou está em dúvida se vale a pena assistir ou não, fiz uma lista de cinco motivos pelos quais Broad City se tornou uma das minhas comédias favoritas:

1) Abbi e Ilana subvertem o clichê de que amizade entre mulheres nunca é verdadeira. Infelizmente, é mais do que comum vermos amizades femininas da ficção sendo retratadas como rasas ou falsas, sempre manchadas pela rivalidade e pela competição — normalmente por causa de um homem —, como se isso representasse a realidade. Abbi e Ilana estão aí para provar o contrário: mulheres podem, e devem, nutrir uma relação de amizade sincera e duradoura. Elas genuinamente se amam (Ilana, inclusive, muitas vezes demonstra uma obsessão hilária pela Abbi) e uma coloca a felicidade da outra acima de qualquer coisa. Entre as duas não há inveja, julgamentos, muito menos competição — pelo contrário, elas se apoiam, se elogiam e se incentivam nas mais variadas circunstâncias. É um relacionamento inspirador e muito bonito de assistir.

2) Como já deve ter ficado claro no tópico anterior, esta é uma série feminista, mas não de um jeito forçado. Sabe o teste de Bechdel? Broad City passa com MUITA folga. As duas até falam sobre homens, mas este está longe de ser o assunto principal de suas conversas, que podem variar dos tópicos mais banais aos mais aleatórios e incríveis, como divagar sobre crushes por desenhos animados ou responder à pergunta “Se você fosse um cão, de que raça seria?”. Nesse aspecto a série é o oposto Sex and the City (1998) (que eu também amo, mas Carrie, Miranda, Samantha e Charlotte quase sempre parecem só ter seus namorados, maridos ou amantes como assunto em comum).

Além disso, Abbi e Ilana não têm vergonha de seus corpos, muito menos de expor suas sexualidades, e tomam a iniciativa de abordar quem quer que estejam a fim sempre que têm vontade.         

Nós somos, tipo, heroínas feministas agora.

Nossas rainhas também não abaixam a cabeça para homem nenhum. Um dos meus momentos favoritos acontece no último episódio da segunda temporada, quando um cara qualquer passa pelas duas e fala que elas deveriam sorrir, já que são tão bonitas. A resposta:

Sambando na cara do patriarcado.

3) Broad City é uma série muito fácil de assistir em maratona e de rever quantas vezes quiser (e olha que eu normalmente não gosto de fazer maratonas, prefiro intercalar as séries!). E não é só porque cada temporada tem dez episódios de vinte e poucos minutos, mas principalmente porque eles são bem diversificados, dinâmicos e com estruturas e histórias diferentes entre si. A beleza da série é transformar situações banais — como uma cirurgia nos dentes, a busca por um aparelho de ar-condicionado ou por um apartamento — em episódios completos, muito inusitados e deliciosamente hilários. Isso faz com que você gradualmente se sinta mais próxima das protagonistas, a ponto de se sentir amiga das duas (quem me dera!).

Eu no dia em que conhecer Abbi e Ilana.

4) Nova York é o pano de fundo para os episódios. Isso pode parecer batido, mas a conexão dos personagens com a cidade é um dos aspectos mais interessantes da série. Abbi, Ilana e seus coadjuvantes nos apresentam a uma Nova York mais realista, sem muito glamour, o que nos faz sentir em casa. Há, sim, episódios que estampam os cartões-postais mundialmente famosos de Nova York — como a Times Square, a Estátua da Liberdade, o Central Park —, mas Broad City se mostra encantada de verdade com os detalhes que só quem vive lá poderia retratar. Enquanto em um momento a gente acompanha as protagonistas dentro do metrô, encarando de vagão em vagão as loucuras e diversidades enormes da cidade, em outro a comédia produz uma sequência surreal em North Brother Island — uma ilhazinha isolada nos arredores do Bronx que dificilmente seria explorada em alguma outra série.

5) Como se tudo isso não bastasse, Amy Poehler, uma das minhas deusas da comédia, é produtora-executiva de Broad City. Glazer e Jacobson a conheceram através do Upright Citizens Brigade (grupo de esquetes e comédia de improviso) e eventualmente a convidaram para participar de um dos episódios da websérie. Poehler acreditou no potencial das meninas e concordou em ser produtora-executiva do projeto, ajudando ainda no processo de transição para a TV. Além disso, ela também fez participação no último episódio da primeira temporada da série. Duvido que você não tenha se convencido de assistir agora!

Isabela Sampaio
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Revisora

Isabela (ou Isa, ou Bela) tem 26 anos e aos 18 desceu a serra para viver no Rio. É formada em Produção Editorial e ama trabalhar no mundo dos livros, mas tem uma grande queda pela TV e passa boa parte de seu tempo livre assistindo a milhares de séries — seus objetivos de vida são se tornar uma participante de Survivor (e vencer, claro) e ser BFF da Amy Poehler, Tina Fey, Mindy Kaling e Julia Louis-Dreyfus.

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