27 de setembro de 2015 | Colunas, Estilo, Se Liga | Texto: | Ilustração: Julia Oliveira
Código de vestimenta: bom ou ruim?

trajes obigatorio

Alguns lugares em que vamos exigem certos tipos de vestimentas e por motivos variados. Não podemos entrar em um laboratório de química usando qualquer coisa, ou enfermeiros que precisam se movimentar e cuidar de pacientes não conseguem fazer seu trabalho com roupas muito apertadas ou justas. Entendemos perfeitamente situações que exigem roupas específicas quando elas lidam com a segurança e proteção das pessoas. Mas algumas situações de exigência de vestimentas, para que estejam dentro de um padrão ou certo estilo, podem ser complicadas e falam mais do comportamento das pessoas do que de moda ou segurança.

Vamos analisar estas questões em três âmbitos: escolar, do trabalho e social.

 

  • Escola

O uso obrigatório de uniformes em escola varia de instituição para instituição, mas ambos os lados tem seus pontos positivos. Como vivemos num mundo capitalista e num país elitista, tudo que possuímos de material pode ser uma maneira de nos sentirmos superiores aos outros. Quando os alunos não tem uniformes e precisam usar suas prórpias roupas, pode ser uma questão complicada para alguns, seja por insegurança, falta de estilo pessoal ou por sentir que não possui roupas adequadas. Não ter a roupa ou sapatos da moda pode ser encarado por muitos como uma falha ou uma razão para fazer bullying. O uniforme cria uma unidade nos alunos e, naquele ambiente e tempo, são todos iguais (pelo menos em teoria, já que os materiais escolares, mochilas, cadernos e outros objetos podem ajudar na segregação entre os alunos). Mas a exigência de roupas, cortes de cabelo e outros detalhes pode apagar a individualidade dos alunos. Tirar a opção pessoal de como se vestir e submeter os alunos a padrões também é uma maneira de minar a personalidade e padronizar os alunos, já que a roupa que usamos também é uma maneira de nos expressar para o mundo. Normalmente, escolas com condutas mais rígidas (como, por exemplo, escolas militares) têm uniforme obrigatório e várias outras pequenas regras de como os alunos devem se vestir. Outro problema do uniforme é quando eles reforçam esteriótipos de gênero, com meninos usando calças e meninas usando saias. Mas não é sempre assim: há escolas que adotam a calça para todos as alunas e alunos.

 

 

  • Trabalho

Como já foi falado, alguns trabalhos necessitam vestimentas especiais, e acredito que todas podemos concordar com alguns casos. Mas uma advogada ou advogado precisa mesmo usar terno tempo todo? É a roupa que impõe o respeito ou suas carreiras e éticas de trabalho? Uma mulher que usa roupas mais simples por não se sentir bem usando roupas formais não poderá defender seu cliente em um tribunal? É terrível pensar que damos mais crédito a uma pessoa dependendo de que roupa ela usa.  Será que é preciso que usemos certas roupas para que possam nos ler como profissionais?

 

  • Social

Procurar roupas de festa: quem nunca passou por isso? Ou olhar para o roupeiro e achar que não tem nada pra usar. Já que o mundo exige que nós, mulheres, estejamos sempre arrumadas, em eventos sócias precisamos estar especialmente bem arrumadas. A questão é que nem todos gostam ou podem sair comprando roupas para cada ocasião. O uso obrigatório de vestidos, saltos e roupas formais femininas também não dá vazão ao estilo pessoal. É absurda a ideia de que mulheres não podem não usar salto alto em casamentos ou eventos do tipo. No fim, se usamos, acabamos a noite com chinelo. É uma das situações em que confundimos estar bem vestida (que é um conceito muito relativo e pessoal) com apresentar poder aquisitivo para adquirir modelos ou marcas. Querer estar bonita num casamento ou formatura é uma preocupação que pode existir tranquilamente, mas associar isso a usar roupa “x” ou “y” porque é mais fino ou elegante é também estar sendo um tanto elitista.
É complicado quando vendemos a moda apenas como o consumo de certos produtos e marca, não como mais uma maneira de se expressar e de também se divertir. A roupa que usamos deve nos dar prazer e, pode soar clichê, mas devemos para de julgar as pessoas pelo jeito com que elas se vestem. Alguém que usa roupas de lojas de departamento pode não se importar com isso ou pode não ter poder aquisitivo restrito: nunca sabemos pelo que as outras passam. Códigos de vestimenta podem funcionar às vezes, mas também podem não levar em conta as peculiaridades de cada pessoa. Ninguém deveria se sentir intimidada por nossas roupas ou a “inadequação” delas.

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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