20 de janeiro de 2016 | Ano 2, Edição #22 | Texto: | Ilustração: Beatriz H. M. Leite
Coisas que você provavelmente conhece criadas por mulheres que você precisa conhecer

Há quem diga que não conhecemos muitas coisas feitas por mulheres porque as mulheres realmente não fizeram nada tão importante. E há quem diga (eu mesma, por exemplo) que essas pessoas não poderiam estar mais enganadas. Muitas das coisas que usamos hoje em dia foram inventadas por mulheres. Você sabia que você só consegue ler isso, provavelmente, porque o vidro da tela do seu computador ou celular não refletem tanta luz, e isso acontece graças a uma mulher? Ou então que aquele jogo que você joga com a sua família, Banco Imobiliário, foi inventado por uma mulher? E que aquele sutiã que você odeia ou ama podia na verdade ainda ser um espartilho, se não fosse por uma mulher? Aqui nesta lista você encontra essas e mais algumas coisas muito úteis e legais criadas por inventoras. Nela estão só algumas das coisas incríveis inventadas por mulheres, mas convido você a se aventurar no maravilhoso mundo da internet e procurar mais coisas depois, porque a lista não acaba por aqui, não.

Bette Nesmith Graham e o corretivo líquido
Corretivo, branquinho, correto, liquid paper… Tantos nomes pra uma mesma coisa: aquele líquido branco que você passa no papel quando escreveu à caneta errado e quer corrigir. Essa criação é atribuída à secretária Bette Nesmith Graham. Para corrigir os erros feitos com a máquina de escrever de forma rápida e sem rasurar ou sujar o documento, Graham teve a ideia de usar uma tinta branca à base de água. Ela usou, durante um bom tempo, sua própria casa como laboratório para aperfeiçoar seu produto, que vendeu primeiramente, em 1956, com o nome de “Mistake Out” (algo como “Apaga Erros”) e posteriormente como “Liquid Paper”.

Caresse Crosby e o sutiã
Se o sutiã já é aprisionador para muitas mulheres, imagine se a moda ainda fosse usar espartilho? Cansada de espartilhos que a apertavam e transformavam seus peitos em uma massa única comprimida, Mary Phelps Jacob (nome de batismo de Caresse Crosby) costurou dois de seus lenços a fitas de pano e inventou o precursor do sutiã atual, que lhe oferecia muito mais liberdade para se movimentar. A patente pelo “backless brassiere” (algo como “sutiã sem costas”) foi concedida a ela em 1914.

Elizabeth Magie e o Monopoly/Banco Imobiliário
O Monopoly e o Banco Imobiliário são evoluções de um jogo do começo do século XX chamado “The Landlord’s Game” (ou “O Jogo do Senhorio”). Esse primeiro jogo foi criado por Elizabeth Magie, apoiadora do movimento Georgista, que dizia que a renda sobre o uso de terras não deveria pertencer ao seu proprietário, e sim ser tributada e aplicada em benfeitorias para toda a comunidade. De forma a difundir aquilo em que acreditava e mostrar os males do monopólio de terras, Magie desenvolveu seu jogo. A ideia do Monopoly foi, por algum tempo, erroneamente creditada a Charles Darrow.

Katharine Burr Blodgett e o vidro invisível
Além de ser a primeira mulher a receber o título de Ph.D (equivalente a um doutorado no Brasil) em física na Universidade de Cambridge e a primeira mulher a ser contratada pra trabalhar na empresa General Electric como pesquisadora, Katharine Burr Blodgett também inventou um vidro de baixa refletância, ou seja, que reflete pouca luz, e, portanto, é praticamente invisível. Esse tipo de vidro foi muito importante para aperfeiçoar a qualidade de fotografias e filmes (devido à melhora na lente), e é usado também em óculos, vidros de carros, telescópios, microscópios, entre diversas outras coisas.

Marie Van Brittan Brown e o sistema de monitoramento doméstico
Como a polícia demorava a atender os chamados que recebia de sua vizinhança em Nova Iorque, Maria Van Brittan Brown, junto com seu marido Albert Brown, desenvolveu um sistema de segurança doméstico, que foi patenteado pelo casal em 1969. O sistema tinha uma câmera móvel que exibia as imagens em um monitor localizado dentro da casa; ele podia ser usado para ver e ouvir quem estava do lado de fora, além de ser também integrado com a porta, que poderia ser aberta com controle remoto.

Mary Anderson e o limpador de para-brisa
É difícil acreditar, mas durante um bom tempo as pessoas, quando dirigiam na chuva ou na neve, tinham que estacionar o carro periodicamente e limpar o para-brisas manualmente. Nos dias de hoje isso não precisa ser feito graças à Mary Anderson, uma estadunidense que pensou em um dispositivo que permitia que, através de uma alavanca presente no interior do carro, fosse possível limpar o vidro com uma lâmina de borracha. A patente foi concedida a ela em 1903 e no começo sua invenção, por incrível que pareça, não fez tanto sucesso.

Melitta Bentz e o filtro de café
O que seria de nós sem aquele café coado de vó? E o que seria do café coado de vó sem o filtro de café? Eu sei que eu, pelo menos, devo muito à Amalie Auguste Melitta Bentz por inventá-lo. Os filtros de pano usados na época de Bentz (começo do século XX) deixavam o café amargo e eram muito difíceis de serem limpos. Ela teve a ideia de colocar um papel absorvente dentro de um recipiente de latão com furos em sua parte inferior e passar o café através desse novo invento; o café, além de menos amargo, saía também sem resíduos de pó. A ela foi concedida a patente do filtro de café em 1908.

Sarah E. Goode e a cama dobrável
Sarah E. Goode foi a primeira mulher negra a obter uma patente nos Estados Unidos, em 1885. Dona de uma loja de móveis, ela inventou a cama dobrável, ideal para as casas pequenas das pessoas com as quais ela convivia na época. Durante o dia, a cama ficava fechada e servia como escrivaninha, e à noite poderia ser aberta e usada como cama.

Stephanie Kwolek e o Kevlar
Usado em raquetes de tênis a coletes à prova de balas, o Kevlar é uma fibra sintética muito leve, maleável e cinco vezes mais resistente que o aço. Foi desenvolvido acidentalmente por Stephanie Kwolek quando ela trabalhava para a empresa DuPont buscando uma fibra leve para pneus de carros. A patente foi concedia em 1966, mas Kwolek não lucrou com esta, pois a mesma foi concedida à empresa.

Shirley Ann Jackson e várias coisas relacionada a telecomunicação
Shirley Ann Jackson, apesar de não ter ela mesma sido autora de nenhuma grande invenção, realizou pesquisas em física que levaram à criação de diversas tecnologias na área de telecomunicação. Jackson foi a primeira mulher a obter um doutorado em física no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), e sua pesquisa em física nuclear levou ao desenvolvimento de células solares, cabos de fibra óptica, tecnologia de identificação de chamadas e chamadas em espera, entre outros inventos.

BÔNUS: mulheres incríveis e suas invenções que já foram citadas antes na Capitolina

Mariana Cipolla
  • Colaboradora de Ciência e Tecnomania
  • Revisora

Tem 21 anos, mora em São Paulo capital e adora café (mas sem qualquer infinitésimo de açúcar). Não acredita em signo, não gosta de fazer escolhas, tenta se planejar com antecedência e sonha em um dia conseguir terminar de ler todos os livros que tem. Estuda física, e queria que todas as pessoas pudessem se encantar com as maravilhas dessa ciência tanto quanto ela (queria conseguir ser uma boa divulgadora de ciência e/ou professora pra tornar isso um pouco mais possível). Mas acha que a ciência só vai ser completa quando houver mais mulheres cientistas e quando essas não forem estigmatizadas.

  • Beatriz Albuquerque

    Adoro essa revista justamente pelo fato de eu conseguir encontrar aqui mulheres incríveis e que atuam em diversas áreas, que vão desde as humanas até as Exatas! Adoro vocês <3 Mariana C. que texto incrível < HEHE Bjs

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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