15 de fevereiro de 2015 | Ano 1, Edição #11 | Texto: | Ilustração: Helena Zelic
Com vocês ando melhor: o feminismo é coletivo!

Foi no comecinho de 2014 que comecei a militar em uma organização feminista. Em uma primeira atividade, a dinâmica era a seguinte: falávamos, em roda, o que a palavra “feminismo” nos lembrava. Todas as palavras da roda estavam certas, porque afinal não existe exatamente um “certo” nesse caso, mas uma das respostas ficou martelando na minha cabeça. A Luiza, companheira incrível que depois se tornou uma amiga incrível, falou assim:

“Feminismo me lembra coletividade.”

Eu nunca tinha parado para pensar na associação dessas duas palavras. Com o tempo, fui percebendo que elas não só fazem sentido juntas como também a primeira não faz sentido sem a segunda. A ação prática de nosso grupo cada vez mais me dava essa certeza, porque unidas tínhamos força, mas separadas… nada se concretizaria.

Isso não significa que só é feminista quem está organizada em coletivos e movimentos, claro que não. É feminista também a garota que não deixa barato as atitudes machistas dos meninos na escola, a garota que entende que assédio no transporte público é algo que devia acabar pra ontem, a garota que faz posts pela legalização do aborto na internet etc. Todas as mulheres que entendem que o patriarcado tá rolando solto e que a discriminação e a desigualdade devem acabar são mulheres feministas, é claro.

A partir daí vêm outro questionamento: como? Como destruir o patriarcado e viver em uma sociedade que seja boa para as mulheres?

Desde o comecinho de 2014, venho aprendendo que, para isso, é preciso a coletividade. É bom que haja cada vez mais garotas se envolvendo com grupos feministas, porque aí a luta se alarga. É importante pensar junto, agir junto, resistir junto e ir pra cima junto também. Se a gente entender que a luta deve ser individual, através da criação de “figuras públicas” quando o assunto é feminismo (na internet, principalmente), então a superação do patriarcado fica mais difícil. Nesse caso, entramos numa lógica muito estranha de embate entre pessoas e egos e podemos afastar outras mulheres que não entendem nada dessas discussões.

Não adianta nos fecharmos nessas discussões sem fim, que muitas vezes são inclusive agressivas sem necessidade, se não olharmos para o lado e tentarmos agir também na prática do “mundo real”, cheio de mulheres com as mais diversas dificuldades e problemas, e com a maioria deles na culpa de quem? Do patriarcado, do capitalismo, do racismo, da lesbofobia! Por isso, se somos feministas, precisamos pensar como atuamos. Precisamos de cada vez mais mulheres junto a nós – seja nos movimentos feministas internacionais, seja nos coletivos de escola, por exemplo! Isso, no final das contas, não está tão distante do outro texto que escrevi semana passada, sobre a importância das redes de apoio.

Quando comecei a participar dessa organização feminista, também aprendi uma ciranda muito bonita. Ela diz assim:

“Companheira me ajuda

Que eu não posso andar só,

Eu sozinha ando bem

Mas com você ando melhor”

Mas a força desta ciranda não está exatamente nela mesma. A força desta ciranda irrompe quando as mulheres dão as mãos e, em roda, entoam juntas a canção. É um passo importante aprendermos a andar bem sozinhas, justamente nós mulheres, que sempre ouvimos que não podemos fazer nada por sermos mulheres. É um passo mais importante ainda quando percebemos que sozinhas andamos bem, mas que, com nossas companheiras, andamos muito melhor. O mundo machista sempre veio dizendo que mulheres juntas só brigam e que de mulheres juntas não se pode esperar nada.

Mas nós vamos mostrando que é junto de nossas companheiras que vamos mudar o mundo!

Vamos com tudo, mulheres!

 

***

Este vídeo registra a apresentação da ciranda no 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que aconteceu em São Paulo, em 2013.

Helena Zelic
  • Coordenadora de Literatura
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Helena tem 20 anos e mora em São Paulo. É estudante de Letras, comunicadora, ilustradora, escritora e militante feminista. Na Capitolina, coordena a coluna de Literatura. Gosta de ver caixas de fotografias antigas e de fazer bolos de aniversário fora de época. Não gosta de chuva, nem de balada e nem do Michel Temer (ugh).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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