9 de maio de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Comendo para sonhar melhor

Lembro muito da minha avó dizendo que não devíamos ir pra cama de barriga cheia pra não ter pesadelo, o que faz algum sentido se você pensar que realmente não deve ser nada confortável pro seu organismo baixar o giro e ao mesmo tempo digerir um monte de comida. Mas e essa história de alimentos que ajudam a sonhar, como funciona? Explicamos:

De acordo com um estudo de 2002, pessoas que ingerem uma dose entre 100 e 250mg de vitamina B6 por dia reportaram um aumento significativo tanto no conteúdo quanto na facilidade de lembrar dos sonhos. Isso acontece porque a vitamina B6 é responsável por converter o aminoácido triptofano em serotonina e niacina, processo esse que, se efetuado com sucesso, ajuda a regular o humor, o apetite e o sono.  Ou seja, o que precisamos aqui é de alimentos ricos em vitamina B6 e triptofano. A primeira pode ser comprada em farmácias em forma de comprimidos, e essa é maneira mais aconselhável de aumentar a sua dosagem diária, já que até as comidas mais ricas em vitamina B6 não contém mais do que 5mg por porção. Já o triptofano pode e deve ser ingerido através dos alimentos, e é aqui que a nossa criatividade entra. Conseguimos uma lista de alimentos ricos nesse aminoácido amigo dos sonhos, e eu e a Nicole Ranieri nos propusemos a pensar receitas que acumulassem uma grande quantidade dele. Hoje vamos fazer o prato pincipal: batata inglesa recheada com carne moída vegetariana (de soja), acompanhada se saladinha de agrião. Semana que vem a Nicole vai deixar todo mundo babando com um brownie. No final deste post há uma lista de alimentos ricos em triptofano, e um link para uma lista ainda mais extensa.

Batata inglesa recheada com carne moída vegetariana

A soja é um dos alimentos mais ricos em triptofano, e eu tenho uma missão nessa vida: convencer as pessoas de que a carne moída de soja é tão boa – se não for melhor – que a de carne de boi. Não sou vegetariana, mas acho que todos deveríamos fazer pelo menos um esforço pra comer menos carne, e acho que o jeito mais fácil de fazer os amigos mais xiitas experimentarem é fazendo uma belo macarrão à bolonhesa. Fiz pra minha mãe uma vez sem dizer que era soja e ela neeem notou. Resolvi usar a carne moída veggie como recheio para uma batata assada porque acho que todo mundo deveria saber esse truque de colocar a batata no microondas, mas vocês podem usar a receita da carne pra uma infinidade de outros fins, a saber: pasteizinhos, recheio de tortas, empadinhas, lasanhas… o céu é o limite. Bora lá:

Ingredientes

  • duas xícaras de proteína texturizada de soja (usei a escura, mas tanto faz – acha no mundo verde e em mais um monte de lugar)
  • duas xícaras de água
  • duas xícaras e molho de tomate ou uma lata de tomate pellati
  • azeite, sal, pimenta do reino e molho shoyo a gosto
  • meia cebola e 4 dentes de alho bem picadinhos
  • o queijo que tiver na sua geladeira
  • um maço de agrião
  • duas (ou mais) batatas

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Vocês vão precisar lidar com o fato de que medir quantidades não é o meu forte. Essas duas xícaras de proteína de soja vão dar carne moída pra caramba, suficiente pra rechear muito mais que duas batatas (acho que daria pra umas seis, então vejam como rende – dá pra fazer um super jantar pros amigos, baratinho!)

Como proceder

Antes de mais nada ligue o forno pra ele ir esquentando (pode deixar numa temperatura média.) Lave bem as batatas (não precisa tirar a casca) e faça nelas vários furos com um garfo, depois coloque-as no microondas por uns 7 minutos (isso varia um pouco, eu colocaria 5 e iria testando).

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Enquanto isso, coloque a água pra ferver com uma piatada de sal e pique a cebola e o alho. Refogue a cebola e o alho no azeite até que comecem a dourar, e aí acrescente a proteína de soja.

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Ela vai começar a absorver água e crescer imediatamente, então continue refogando. Esse é um bom momento pra adiconar uma pimentinha (do reino, calabresa, dedo de moça, o que você curtir).

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Quando a mistura estiver bem sequinha, jogue a água, seguida pelo molho de tomate e depois pelo shoyo.

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Abaixe o fogo e vá mexendo, deixando apurar uns 5 minutos. Essa é a hora de provar e corrigir os temperos. E pronto, eis uma carninha moída deliciosa.

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A essa altura as batatas já assaram no microondas, e estão só esperando para serem recheadas. Coloque-as numa travessa e retire um pouquinho do miolo de cada uma (não precisa jogar esse miolo fora, tempere e vá comendo de entrada). Respingue um pouco de azeite, sal e pimenta nessa cavidade que você criou nas batatas, e aí recheie com a carne moída deliciosa que você acabou de fazer. Cate um queijo qualquer na geladeira (no meu caso um gouda maravilhoso que sobrou do final de semana) e rale por cima.

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Aumente a temperatura do forno pra “vulcão em erupção” e deixe as bichas gratinarem (alguns fornos hoje em dia já possuem grelha, se você tiver a sorte de ter um desses, mande brasa, literalmente). A batata já está cozida, então essa última etapa é só pra adicionar crocância mesmo. A minha ficou uns 10 minutinhos e saiu linda assim. Depois de pronta, transifra (com cuidado) para um prato e coma acompanhada de uma saladinha de agrião, que também é riquíssimo em triptofano.

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Não esqueça o seu suplemento de vitamina B6 e bons sonhos <3

Fontes naturais de triptofano (basicamente, quanto mais proteína mais triptofano)

– Peixes (atum principalmente)

– Aves (peru principalmente)

– Carnes vermelhas (cordeiro principalmente)

– Soja (yay!)

– Queijos

– Ovo

– Feijão vermelho

– Semente de abóbora

– Tofu

– Molho shoyo

– Agrião (e outros vegetais verde-escuros)

 

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Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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