27 de agosto de 2015 | Ano 2, Edição #17 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Comfort food: comida que é um abraço

Tem dia que nada dá certo. Nesses dias, eu fico com vontades muito específicas de comer pratos que me transportam para outro lugar. Estou falando daquelas comidas que o pai ou a mãe faziam quando éramos crianças e na época pensávamos: com certeza esse macarrão é o melhor do mundo! E desde então, procuramos essas comidas quando precisamos de uma refeição que funciona quase como um abraço, uma máquina do tempo, que nos leva diretamente para aquelas tardes da infância, para a cozinha da casa da vovó, a cantina da escola, o restaurante que a família frequentava de domingo…

Comfort food é o termo em inglês usado para esse tipo de comida. Comida caseira, cheia de carboidratos e nostalgia. Para mim, essa comida às vezes é um pão francês com manteiga com leite achocolatado. Uma sopinha bem feita. Um macarrão bem gostoso, cheio de queijo ralado é a comfort food de várias Capitolinas. Algumas têm escolhas mais excêntricas, tipo miojo com feijão.

Pensando sobre esses pratos, pensei primeiro em sopa. Sopa é a maior comfort food possível, para mim, porque durante minha infância, minha mãe cozinhava pouco, mas lembro de algumas boas sopas – dela e de outras pessoas da família.  Fora que é uma comida ideal para um dia chuvoso e frio, que pede para a gente ficar em casa enroladinhas no cobertor! Sempre falo que sopa é minha comida favorita, mas acho que o que gosto mesmo é da sensação de bem estar que uma boa sopa trás. A Luiza Vilela escreveu na Capitolina sobre como fazer um sopão de lentilha, uma delicia.

Outra coisa que lembra minha mãe na cozinha é banana amassada com açúcar mascavo e aveia. Acho que na vida adulta já comi essa gororobinha entre lágrimas algumas vezes, provando que nem toda comfort food precisa ser complexa. O sanduíche de atum da minha vó é outra coisa simples, mas irreproduzível.

Nem toda comfort food vem de casa – afinal, nem todos pais cozinham com frequência. Acho que alguns comfort foods são associados com a memória do dia em que comemos aquele prato. A Georgia Santana, da Capitolina, sempre conta a história de um caldinho de sururu que comeu em Maceió, tão bom que 15 anos depois te ter comido pela primeira vez, ela chorou em um quiosque durante o seu reencontro com essa iguaria. Para mim, essa iguaria é um guaraçaí: suco de açaí com guaraná, que me lembra o Cine Itaú em São Paulo, um lugar onde fiz boas memórias. Outra coisa menos específica a um lugar, mas associada a São Paulo, é um bom x-frango a vinagrete. Desde sempre é meu lanche favorito e quase automaticamente me sinto bem quando como um feito no capricho.

Gosto muito da ideia de comfort food porque me ajudou a entender comida como algo prazeroso mas que não necessariamente precisa ser consumida compulsivamente – algo que já fiz muitas vezes e não é saudável. Também gosto da ideia de tradição: tenho poucas receitas de família, mas acho bonito essa coisa de cozinhar algo que é feito do mesmo jeito há gerações e cozinhar isso em dias que não estão muito bem parece ser uma forma de relembrar todo o carinho que já foi dedicado a esses pratos. Até queria encerrar aqui com uma receita passada por gerações de Raias, mas como não tenho, vou pedir para vocês compartilharem comigo 🙂 

 

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Que delícia, quero experimentar o arroz camadinha <3 Um abraço! Rebecca.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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