7 de agosto de 2015 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Comida de verdade: caldo de legumes

Em algum momento todas as editorias da Capitô vão passar por este drama: o tema mensal bate exatamente com o nosso assunto geral. E agora, Brasil? A princípio você pensa: podemos fazer tudo! E imediatamente depois: poxa, que chato. Geralmente, quando as opções são infinitas, a dificuldade de decidir também é. Então ficamos a pensar: o que a gente pensa quando pensa em comida? Como ser criativa dentro de um tema tão vasto?

Daí chegamos nesta questão da “comida de verdade”. Como a Ana Gabriela e a Dora já disseram (e disseram maravilhosamente bem) num dos posts inaugurais desta edição, há muito mais a ser pensado e debatido sobre os alimentos processados do que sonha a nossa vã filosofia. Nem todos são vilões, mas muitos realmente não estão ajudando, então é preciso que fiquemos bem atentas.

E isso quer dizer que a nossa missão deste mês é desmistificar essa ideia de que lidar com vegetais frescos dá muito trabalho. Hoje eu vou ensinar a substituir uma das comidas processadas que mais tem sódio e químicos ruins, e que a gente usa muito, que é o caldo de legumes. Semana que vem a Maísa vai ensinar vocês a comer brotos (comida viva!!!), depois a Bárbara vai mostrar como fazer a sua própria composteira e, por fim, a Fabiana vai compartilhar com a gente a sua hortinha, dando dicas de como montar uma em casa.

Nada disso dá pouco trabalho, é verdade. Mas a gente cria o hábito, e o organismo agradece tanto. Fora que a natureza é de uma exuberância! Garanto que depois que você tomar a primeira sopinha feita com o seu caldo de legumes ou quando tiver manjericão fresco da sua horta pra botar no molho vermelho você vai se emocionar. Então é isso. vamos ao caldo!

Caldo de legumes caseiro

Ingredientes:

– 2 cebolas médias (eu prefiro a roxa, mas tanto faz)
– 2 cenouras grandes
– 2 alhos-poró
– os talos de 1 salsão (aipo)
– 1/2 funcho (eu não achei, então não botei, mas reza a lenda que fica uma  delícia, então vale a pena ir na feira procurar)
– 1/2 cabeça de alho (eu coloquei quase uma inteira, por motivos de: alho <3)
– um punhado de tomilho
– um punhado de alecrim
– 1 pimenta de sua preferência (eu botei um cadinho a mais, risos)
– pimenta do reino e sal a gosto
– (opcional) cogumelos desidratados
– azeite para refogar

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Algumas observações sobre os ingredientes: tirando o funcho e o cogumelo, tudo é bem baratinho e fácil de encontrar. Mas lembre-se de que o caldo é seu, então você pode fazer as  substituições que quiser. Um caldo com cebola, alho, alho-poró, salsão e cenoura, mais alguns temperinhos, já fica muito bom. Uma boa ideia é ir guardando no congelador aquelas partes “rejeitadas” dos legumes e verduras, em vez de jogar fora. Quando você já tiver uma quantidade boa de bundinhas de cebola e cascas variadas, compra só mais algumas coisinhas e faz o caldo. Outra opção bem sustentável, se você comprou tudo fresco pro caldo, é usar as partes descartadas (só as que você não cozinhou, tá? A Bárbara vai explicar por que na terceira semana) na sua composteira.

Bom, vamos lá: lave e pique toda essa galera beeeem de qualquer jeito, porque depois vai cozinhar por 2 horas e virar uma gororoba, e você só está interessada no caldo. Lembrando que do alho-poró você só usa o talo (a parte mais clara – pare quando as folhas começaram a sair do talo e ficarem mais verdinhas), e do salsão também só o talo. As folhas do salsão você pode usar numa saladinha deliciosa de tomate, abacate, cebola roxa, limão e azeite. Fica boademais. Ou joga “folha de salsão” no google e veja quantas receitas deliciosas dá pra fazer. Ou coloque na composteira. Reparem que eu dei uma pirada na quantidade de pimenta. A verdade é que eu comprei essa amarelinha sem saber muito qual era a sua potência, e aí dei uma provadinha nela crua e achei que era mais uma pimenta de cheiro. Daí fiz a loka. Acabou que o meu caldo saiu bem apimentadinho, mas eu gosto, então tudo bem. Se você não for acostumado, basta uma pimenta dedo de moça.

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Depois que estiver todo mundo lavado e picado, é só refogar os legumes no azeite por uns 5 minutos, ou até que comecem a amolecer.

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Feito isso, cubra com água fria e adicione os temperos. Assim que começar a ferver abaixe bem o fogo – tipo fogo mínimo – pra água não evaporar toda. E aí deixa essa galera cozinhar por duas horas. Em tese você não precisa botar mais água, mas eu esqueci de abaixar bem o fogo e acabei achando que secou muito, daí botei mais um pouquinho. Vale ficar de olho.

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Depois é só coar numa peneira fina e congelar em forminhas de gelo. Você pode colocar em garrafinhas de vidro e presentear os amigos também. Na geladeira dura uma semana, congelado dura três meses. Olha que coisa mais linda! Lembre-se de que esse é um caldo bem concentrado, então precisa ser diluído quando for usar,  assim como aqueles que a gente compra no super.

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O bagaço do cozimento realmente não tem muita utilidade, mas lembre–se de que ele já cumpriu o importante papel de gerar esse caldo maravilhoso pra você. Aqui em casa eu pesquei os cogumelos e dei uma passada na frigideira com um pouco de shoyo, e ficou uma delícia.

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Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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