6 de maio de 2016 | Culinária & FVM | Texto: and | Ilustração:
Comidas que marcaram gerações

A esta altura do campeonato já deve ter ficado claro pra todo mundo que comida também é moda, né? E que, assim como a moda, move milhões de dinheiros mundo afora. E influencia muito o nosso comportamento, claro. Quem não anda preocupada com o consumo de glúten e lactose, por exemplo? Quem não anda ouvindo que a solução pra todos os seus problemas é quinoa? E quem não se confunde com as milhões de mensagens/teorias acerca de “ser saudável” que nos chegam a cada semana? Pois é, isso pode ser chato.

Mas houve um tempo em que a moda culinária era menos ligada nessa questão da saúde. Aliás, acho que era zero ligada. Sim, abençoados sejam os anos 80 e 90. Quem foi criança nessa época e não teve pais macrobióticos (macrô era moda também, lembram?) viveu a era de ouro da fritura e da gordura liberadas. Era fast food todo dia e cada festinha de amiguinho, um deleite. Mini pizza, mini cachorro-quente, mini salgadinhos fritos, bolinha de queijo, ovinho de codorna com molho rosê, brigadeiro e brigadeirão, bala de coco, bolo embrulhado no papel alumínio, refrigerante liberado…reflitam. Se bobear a gente tem colesterol alto até hoje.

Daí que, relembrando áureos tempos em que tudo era permitido e o açúcar e a fritura reinavam absolutos, resolvemos reproduzir (e modificar) algumas dessas delicinhas.

Primeiro o salgado, né? Nas nossas conversas de reunião de pauta, lembramos muito do molho rosê. Gente, como caiu no esquecimento essa iguaria maluca! E por quê? É tão bonito, é tão saboroso…tão industrializado! Taí a explicação. Até parece que hoje em dia um molho que é a mistura de vários itens prontos ia ser permitido pela polícia da comida saudável. Mas vocês precisam provar, gente. E precisam provar com bolinha de queijo, outra maravilhosidade meio esquecida. Resolvemos então fazer duas versões contemporâneas (e um pouco menos punk) da bolinha – Nathália fez palitinhos de queijo assados e Luiza (porque segue modinhas) fez craudinhos de queijo veganos e um molho rosê vegano (mas relaxa que vamos dar a receita do original também).

Comecemos pelos palitinhos de queijo na Nath

Ingredientes

– Pedaços de queijo (eu comprei uma variedade já em palito que vende aqui no Reino Unido, mas qualquer pedaço de queijo que possa ser cortado em palitos serve)
– Farinha de trigo
– Farinha de rosca (eu usei bread crumbles, que são a versão britânica da farinha de rosca)
– 1 ovo
– Um pouco de leite

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Separe os palitos no tamanho que você preferir.

Fig 7

Bata o ovo com um pouquinho de leite em uma tigela.

Fig 8

Separe um pouco de farinha de trigo e de farinha de rosca em potinhos ou tigelas.

Fig 9

Você primeiro passa o queijo na farinha de trigo, depois mergulha na mistura do ovo com leite e depois passa na farinha de rosca. Um a um, quando estiverem prontos, você pode pôr em uma travessa ou forma coberta por papel manteiga para não grudar.

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Depois de empanados, os palitos vão ao freezer por meia hora para que quando forem ao forno, não derretam totalmente e façam aquela zona.

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Tire do freezer depois dos 30 minutinhos e coloque no forno em aproximadamente 200ºC por 8 minutinhos, mas observe se o queijo não começou a se espalhar no processo. Como há fornos diferentes de outros, é sempre bom ver como a receita vai se comportar.
Quando o stick estiver douradinho, mas ainda não todo derretido na travessa, pode tirar do forno e comer.

Fig 12

Uma das sugestões de consumo é com ketchup. Mas pode ser tantas outras: mostarda, molho de pizza, maionese e até o tradicional molho rosê.

Fig 13

Agora vamos aos craudinhos de queijo da Luiza

Ingredientes

– uma lata de milho
– meia lata de água
– 8 colheres de sopa de farinha de trigo
– 250g de queijo vegano ralado
– alho e cebola picados (quanto você quiser)
– sal, pimenta e quaisquer outros temperos

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Pra quem nunca ouviu falar, “craudinho” é uma receita fenômeno que quebrou a internet vegana no ano passado. É tipo um nuggets de milho. Como eu queria provar o meu molho rosê com alguma coisa e tinha todos os ingredientes pro craudinho em casa, resolvi tacar queijo vegano na massa e fazer tipo uma bolinha de quejo vegana. Ficou uma delícia.

É bem fácil. Você bate o milho (pode jogar com o soro), a água e a farinha no liquidificador e depois despeja numa panela onde você já dourou a cebola e o alho.

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Vai mexendo, adiciona temperos, e vai engrossando. Quando já estiver virando uma massa, joga o queijo vegano e mexe mais, até desgrudar bem do fundo da panela. Daí vai pra geladeira pra facilitar a montagem depois.

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Eu fui preguiçosa (e faminta) e não consegui esperar muito pra enrolar, então acabei jogando um pouco mais de farinha na massa pra ajudar, mas não precisa. O melhor jeito de empanar coisas veganas é passando na farinha normal (lembre-se de sempre temperar a farinha onde você vai empanar as coisas com um pouco de sal e pimenta do reino), depois na água, depois na farinha de rosca. Novamente, como estava muito mole e eu sou apressada, não deu pra passar na água, senão ia desmontar, então passei uma vez só na farinha de rosca e pronto. Mas seja paciente, miga. Faça o que eu digo não faça o que eu faço, sabe? Daí é só fritar no óleo quente e correr pro abraço.

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Molho rosê (vegano e tradicional)
Então, eu fiz a versão vegana porque senão não ia poder comer depois, mas sugiro que vocês experimentem a original também, que é uma delícia. Vou botar a receita vegana com a original entre parênteses, ok?
Ingredientes
– 200g de tofu mole (100g de maionese + 100g de creme de leite)
– 1 colher de sopa de água (só na vegana)
– 1 colher de sopa de azeite (só na vegana)
– 3 colheres de sopa de ketchup (em ambas)
– 1 colher de sopa de mostarda (em ambas)
– suco de meio limão (ambas)
– 1 colher de chá de molho inglês (opcional, em ambas)
– sal e pimenta do reino a gosto (em ambas)

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Então, essa é simples, né – só misturar tudo. A diferença da tradicional pra vegana é que na vegana, no lugar da maionese e do creme de leite, você vai colocar a pastinha clássica/base de tofu, que inclsuive pode ser usada pra fabricação de mil coisas. É só processar tofu + azeite + água + temperos. Fica um “tofuqueijão”. Daí você adiciona os outros ingredientes, processa mais um pouco, e tcharã – habemus molho rosê pra comer os os palitinhos e bolinhas de queijo. Fica uma delícia com qualquer coisa frita e com ovinho de codorna então!!!!

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E tem que ter sobremesa, né? Então tá. Você curte brigadeiro? Sim, pois é. Nos anos 80 e 90 a gente curtia brigadeirão. Sabe por quê? Porque estávamos naquela época gloriosa de experimentar receitas no micro-ondas. O micro-ondas era rei, era novidade. Saca só.

Ingredientes

– 1 lata de leite condensado
– 1 lata de creme de leite (a mesma medida da lada de leite condensado)
– 3 ovos
– uma colher de sopa de manteiga, de preferência sem sal
– 4 colheres de sopa de chocolate em pó ou achocolatado

Fig 1

Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata. Como tem gente que, assim como eu, às vezes gosta de algo com chocolate mais forte, essa parte do chocolate em pó ou achocolatado é meio que ao gosto do freguês. Se achar que precisa de mais, vai fundo!

Fig 2

Unte uma forma de vidro ou de silicone própria para microondas com manteiga e despeje a mistura dentro. A ideal seria a com o furo no meio, tipo de pudim, mas qualquer uma serve, contanto que você tenha um bom espaço entre a borda e a mistura do brigadeirão. Como ele ferve dentro do microondas, é possível que transborde no processo.

Fig 3

Deixe no microondas de 12 a 15 minutos, em potência de média a alta. Isso tudo depende do micro-ondas. Você vai querer que o brigadeirão fique com uma aparência meio porosa quando olhar dos lados. Geralmente, quando tá pronto, mesmo com uma camada esbranquiçada de bolhinhas na superfície, se você passar uma faca ou colher de leve para “estourá-las”, vai dar pra ver que está mais escuro e consistente embaixo.

Fig 4

Depois de pronto, deixe esfriar um pouco fora da geladeira, porque ele fica muito quente quando sai do micro-ondas. Depois de estar mais pro morno, coloque na geladeira para esfriar. Eu geralmente deixo de um dia para o outro e faz o truque bem. Mas acho que de 4 horas para cima já é um bom tempo para poder comer. Tire da geladeira quando estiver satisfeito com o tempo e delicie-se!

Fig 5

Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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