26 de outubro de 2014 | Ano 1, Edição #7 | Texto: and | Ilustração:
Como alcançar a vida eterna
Ilustração: Jordana Andrade.

Ilustração: Jordana Andrade.

Texto de Beatriz Rodrigues e Verônica Vilela

Quando a maioria das pessoas pensa em mágica, pensa em transformações de sapos em príncipes, poções que fazem surgir o amor onde ele não existia antes, lenços gigantes aparecendo onde não tinha nada, certo? É por isso que alquimia e magia não só rimam como estão super relacionadas! Todas essas coisas são transformações, e era a isso que os alquimistas dedicavam grande parte de seus esforços.

Só que não era exatamente a transformação de metais inferiores em ouro, como sempre vemos sendo falado por aí. Na verdade, para muitos historiadores e arqueólogos a transformação de metais era usada por alguns alquimistas só como uma metáfora para a transição espiritual que os alquimistas realmente buscavam alcançar! Para outros, a mudança começava na mente e no espírito, e quando o corpo alcançasse um equilíbrio com eles finalmente produziria um elixir da vida eterna que pode curar todos os males, outro dos objetivos dos alquimistas. Essa substância também é mencionada no tai-chi-chuan, que é parte arte marcial, parte meditação em movimento.

Embora a alquimia seja conhecida como uma pré-química, seria mais interessante e produtivo compará-la com religiões e filosofias. A igreja católica perseguia ferozmente os alquimistas e suas práticas, isso porque, apesar de boa parte deles serem católicos e incluírem alegorias cristãs aos seus escritos, eles o faziam com uma forte influência gnóstica, e falavam de coisas que beiravam a heresia, ao, por exemplo, compararem Cristo com a pedra filosofal e então intuírem que era possível através do opus (trabalho) alquímico atingir a iluminação de Cristo. Aliás, o enxofre, um dos elementos básicos para a alquimia, é até hoje associado ao inferno católico justamente por causa de seu uso nessa época. As metáforas e simbologias utilizadas nos textos alquímicos ajudavam bastante a escapar da perseguição, mas não era por esta finalidade que os textos alquímicos eram tão enigmáticos. Os alquimistas, ao estudarem as transformações, estão se envolvendo com os mistérios do mundo, como a vida, a morte, o tempo, a alma. Não é possível estudar tais processos de forma tão leviana, utilizando de uma linguagem literal e banal e direta, pois dessa forma nunca se atingiria a amplidão das “verdades da transformação”. Além do mais, tais estudos não poderiam cair nas mãos de pessoas mal intencionadas. Sendo assim, também não explicitavam os processos usados, os os ecreviam em uma ordem diferente da que foram feitos, usavam palavras que se lidas em voz alta sovam como outras, pulavam partes do processo usado, e ao invés de explicá-los, simplesmente indicavam um autor que já tenha feito isso, entre outras coisas.
Ok, depois desse papo todo deu vontade de virar alquimista? Se sim, vamos ensinar a vocês os passos do processo alquímico mais almejado por todo e qualquer alquimista: A PEDRA FILOSOFAL (lapis philosophorum). E quem sabe depois de anos e anos de prática e reclusão vocês não aprendam e virem ++**magas iluminadas e transcendentais**++

As TRÊS FASES pelas quais você deve passar para conseguir adquirir o –**~~ ó grande LAPIS PHILOSOPHORIUM ~~**– (em latim fica mais chique, gente) são:

Nigredo

A fase inicial é a do nigredo, é quando tudo se encontra no completo caos. É a fase da decomposição, da putrefação. É a morte, o medo. Um corvo repousa no rei morto. É a morte do uno. Toda morte é um recomeço, portanto, da barriga do rei morto saem dois espíritos, o feminino e o masculino, assim começa a fase do ALBEDO.

Albedo

Um bom indício de que se está perto de atingir a fase do albedo é que a matéria negra do nigredo, aos poucos, fica furta-cor, isso é, adquire em si todas as cores. Essa fase é chamada de Cauda pavonis (calda de pavão). você então estará no caminho certo para que a matéria se torne branca, e que em um fluxo vital se conduza ao embranquecimento purificador. A lua brilha enquanto um rio flui. Os espíritos feminino e masculino podem então retornar ao corpo morto do rei, e podem cumprir a sua RESSUREIÇÃO, nos levando diretamente ao RUBEDO.

Rubedo

O Rubedo é a fase final, aqui se atinge nosso tão almejado objetivo: a pedra filosofal. É o nascimento de um (uma no nosso caso) sol. Passando da escuridão (nigredo), que é o completo breu, à purificação (albedo), que é receber alguma iluminação de fora – de um deus talvez – até finalmente a iluminação (rubedo), que seria se tornar o corpo que emana luz (solificatio). A ressureição, a superação da morte e da materialidade passam por aqui. O sol é energia pura. E energia é o fim de tudo aquilo que transcende.

A pedra filosofal é o resultado final de um longo processo alquímico. Ela é a transformação materializada, o que mata e vivifica tudo. É a iluminação e ao mesmo tempo contém a escuridão em si. Segundo os alquimistas, a pedra filosofal transformaria o chumbo em ouro, e criaria o elixir da vida. Como já dito acima, essa transformação não se trata exatamente de uma fabricação do ouro “vulgar”, e esse elixir da vida não é exatamente uma poção da imortalidade nem nada, isso é, não é pra levar essas considerações ao pé da letra. O ouro do qual eles falam é o ouro filosófico, que os fazem atingir a solarização (solificatio). Sendo assim, acredito que não seja muito diferente do nirvana dos budistas. Como os processos alquímicos são todos processos processos psicológicos, para se atingir a pedra filosofal, você mesmo deve se tornar a pedra filosofal; louco, né? A alquimia e a magia em geral são sempre sobre isso, afinal: a transformação das coisas ao seu redor funcionam e fluem a partir de uma transformação interior.

Verônica Vilela
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Verônica V. tem 19 anos e não sabe bem onde mora, algo entre uma cama no Rio e o Universo. Estuda cinema na UFF, gosta de viver as paradas e necessita dar um retorno dessas vivências através da expressão. Posta uns desenhos sentimentais nessa página aqui: www.valsa-dos-erros.tumblr.com.

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

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