22 de outubro de 2015 | Ano 2, Edição #19 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Como as plantas crescem bonitas?

Tem gente que jura que não leva jeito para cuidar de plantas, afinal, elas são seres vivos. Mas quem é que nunca plantou feijão no algodão e ficou lá feito bobo assistindo o feijãozinho brotar, crescer e dar folhinha? Claro que provavelmente não passava disso (pelo menos os feijões que eu plantei não passaram disso), mas era emocionante.

Agora a gente cresceu um pouco mais, mudou, a moradia nas cidades mudou, e nem todas as pessoas têm um quintal em casa, com um canteiro que dá para plantar o que quiser, jogar água e esperar a mãe natureza fazer seu trabalho. Então, se eu não tenho como fazer isso, como faço para minhas plantinhas crescerem?

Antes de mais nada, é importante entendermos como rola esse processo de crescimento das plantas. Como eu disse no início, as plantas são seres vivos, iguais a mim e a você. A gente nasce bebê, nos alimentamos, bebemos água e vamos crescendo maravilhosos, certo? Com as plantinhas não é diferente. A área da biologia que estuda o nosso crescimento é a fisiologia humana e, no caso das plantas, a área que explica seu crescimento é a fisiologia vegetal. Calma, não vou dar uma aula de fisiologia aqui, mas é importante sabermos o que faz com que as plantinhas consigam deixar de ser semente e se tornem plantas poderosas.

Quem permite esse desenvolvimento da planta são os hormônios vegetais. Sim, não disse? Elas são iguais a gente, mudam de fase da vida (da infância para a pré-adolescência e da pré-adolescência para a adolescência de fato) pela ação de uma série de hormônios.

Ó os tais hormônios agindo aí!

Ó os tais hormônios agindo aí!

Os principais hormônios vegetais, ou classes de hormônios, são as auxinas, giberelinas, citosinas etileno e ácido abscísico, mas aqui eu vou falar apenas de alguns deles. A auxina, que é uma classe de hormônios cujo mais importante deles é o ácido-indolil-acético (ou o AIA), é responsável pelo crescimento do caule e raiz da planta; esse hormônio está presente nas folhas jovens, nas sementes em desenvolvimento e no broto da plantinha. É por isso que quando a gente estraga o brotinho, as pessoas dizem “ih, já era”, porque ela não crescerá mais.

Esse hormônio também é importante porque ele atua no tropismo da plantinha, ou seja, no movimento que a planta faz em direção ao sol. Sim, talvez você não perceba porque a planta não ficará lá, dançando, mas, por exemplo, quando deixamos um vaso de plantas na janela e uma luz bate ali, ela tende a se mover em direção a essa luz. Isso é o que chamamos de fototropismo positivo. Logo, esse hormônio é pra lá de importante para o crescimento das nossas plantas, não é mesmo? E o outro hormônio fundamental durante o processo de ativação do metabolismo da planta, que aumenta sua respiração (novamente, elas respiram e vivem mais ou menos igual a gente) são as giberelinas, e isso acontece durante o processo de germinação.

Por sua vez, a germinação é outro processo que você precisa conhecer para entender como sua plantinha chegou verde, bonita e formosa dentro (ou fora) da sua casa. A germinação é o conjunto de processos envolvidos na transformação do embrião em uma plântula. Assim que plantamos a semente na terra, a primeira coisa a se fazer é regá-la, ou realizar o processo chamado de embebição, que nada mais é do que a entrada de água no interior da semente. Logo em seguida acontecerá a ativação do metabolismo (aí que entram as giberelinas) e a respiração da planta. Por último, temos o início do crescimento do eixo embrionário ou o crescimento da plantinha em si, em todas as suas partes.

Quando decidimos plantar uma semente, é importante nos atermos a alguns fatores que afetarão o processo de germinação, como a disponibilidade de água, oxigênio, luz e a temperatura do ambiente, ou ainda a dormência da semente (que seria a semente que não permite a entrada de água). Nesse último caso, a gente pode observar isso quando, após plantada, a nossa semente não nos dá resultados. Uma maneira de evitar que isso aconteça é ferver a semente com água quente antes de plantá-la, pois isso ajudará a permeabilidade da água na semente.

Bom, agora você deve estar se perguntando: qual a melhor planta para eu ter na minha casa? Se você mora em uma casa com quintal, espaço e bastante incidência de luz, eu diria que qualquer uma que você seja capaz de dar amor, sombra (e sol) e água fresca. Mas se você mora em apartamento ou se na sua casa não bate tanto sol, aqui vai uma lista de plantinhas com as quais você não terá tanta frustração em ver morrer. Mas se você tem sol, água e paciência, a coisa mais linda de se plantar são ervas e plantas que depois você poderá utilizar para si mesma! Nós até já falamos sobre o cultivo de hortas aqui na Capitolina! Agora que você sabe mais ou menos como as coisas funcionam com as plantas, será que não chegou a hora de pôr a mão na terra?

Fabiana Pinto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Fabiana Pinto, negra e carioca. Graduanda em Nutrição na Universidade Federal do Rio de Janeiro em tempo integral e, escritora de suas percepções e experimentações do mundo em seu tempo livre.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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