9 de abril de 2015 | Ano 2, Edição #13 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Como dominar o mundo em seis passos simples (ou: organização do tempo para insones)
Ilustração: Isadora M.

Eu praticamente nasci insone. Desde que me lembro, uso a noite mais para ler, escrever, ver televisão e olhar para o teto em crises existenciais do que para dormir. Quando tinha uns 13 ou 14 anos, me orgulhava de já ter visto pelo menos um episódio de cada série que passava na Warner, na Sony e na Fox (os canais que eu via na época), mesmo aquelas que passavam em horários esdrúxulos. Manhãs, no entanto, sempre foram muito melhores para dormir do que para estudar, comer, me arrumar ou pensar, e tardes me parecem frequentemente perfeitas para um cochilo. Ou seja: meu horário natural não bate nada com o horário da sociedade.

Mesmo assim, conseguia (e ainda consigo) fazer muitas coisas: ler uma porção de livros, ver uma porção de filmes e séries, acompanhar tudo que está acontecendo na internet, escrever, arranjar projetos pessoais aos montes, além de estudar, trabalhar, fazer atividade física e manter relacionamentos. Atualmente, eu edito a Capitolina, trabalho numa editora, faço ginástica duas vezes por semana, mantenho um blog com publicações regulares, escrevo para outros lugares, tenho um namoro estável há três anos, vejo séries com minha irmã pelo menos uma vez por semana, procuro ver amigos com relativa frequência e estou começando uma pós-graduação. E, sim, prossigo com o horário super trocado.

Para chegar a esse ponto de produtividade, entretanto, precisei aprender a organizar meu tempo bastante bem. Pareço, no geral, uma pessoa bagunçada: meu quarto é um desastre, minha mesa dois dias depois de uma arrumação já virou um depósito de livros e papéis e maquiagem e acessórios de cabelo, meu computador é um pequeno caos e meu namorado quase dá um ataque sempre que tem que usar meu iTunes. Pareço, também, uma pessoa preguiçosa: acordar cedo (e por “cedo” eu quero dizer “antes das onze”) é um processo quase impossível, tardes de domingo são feitas para ficar com a cabeça enfiada no travesseiro, festas que duram a noite toda me desanimam e me locomover para um pouco mais longe das minhas rotas usuais é sempre considerado um perrengue. Só que, bem, não é exatamente preguiça (é um pouco, mas não só): é o jeito que meu corpo funciona, e as formas que encontrei para lidar com isso – formas de organização e produtividade que funcionam para mim, mesmo que pareçam uma bagunça que só para os outros.

Imagino que vocês possam sofrer dos mesmos problemas de horário que eu (e dos métodos pouco ortodoxos de organização), então compartilho aqui meu método para organizar o tempo:

  1. Saiba os horários em que você funciona melhor: como eu falei, de manhã sou inútil. Mas muito no meio da madrugada também começo a ser, porque a cabeça já pifou. Tenho picos de produtividade no meio da tarde e no fim da noite. Saber isso me permite organizar minhas tarefas para as horas em que sei que funciono melhor, porque não adianta nada me forçar a fazer algo quando sei que estou cansada demais para conseguir. Então se atente para os horários que são melhores para você e anote.
  2. Saiba o tempo que leva para fazer as coisas: parece bobo, mas é importante. Nem todo mundo faz tudo no mesmo ritmo, e saber o seu próprio tempo é fundamental para conseguir organizar suas tarefas no dia a dia. Pare e pense no tipo de coisa que você precisa encaixar na sua rotina e em quanto tempo você costuma levar para fazer essas coisas – se não conseguir estimar por memória, cronometre da próxima vez. Por exemplo: se você precisa encaixar mais tempo de estudo no teu dia, meça quanto tempo leva para ler um texto ou fazer um dever de casa; se quer fazer um curso de línguas, conte não só o tempo da aula e da locomoção para o local da aula, mas também o tempo que demora para cumprir os estudos em casa.
  3. Saiba com que regularidade as coisas precisam ser feitas: para a informação do #2 ser útil, você precisa também saber a quantidade de vezes que terá que fazer as coisas. Se você leva meia hora para ler um texto, mas precisa ler dez textos por semana, isso são cinco horas da sua semana; se você lava a louça em quinze minutos, mas precisa lavar a louça duas vezes por dia, são três horas e meia da semana, e assim por diante. Faça essa conta considerando mesmo só o que você precisa fazer, ou colocando limites realistas para as coisas que você quer fazer – afinal, mesmo se não precisássemos dormir ou comer, cada dia só tem 24h.
  4. Anote os horários fixos que você precisa cumprir: suas aulas já têm um horário marcado, e você precisa frequentá-las, então coloque elas lá; a mesma coisa para trabalho, atividades extracurriculares e até para a novela das nove que você faz questão de ver ao vivo com a família. Se tem horário fixo, anote. Eu gosto de fazer uma planilha com os horários, tipo aquelas de horário de colégio mesmo, colocando uma coluna por dia da semana e uma linha por hora, e ir preenchendo, porque aí consigo visualizar bem claramente os horários que tenho já preenchidos.
  5. Encaixe o resto das coisas: olhe para o papel no qual você anotou os horários e visualize o tempo livre. Considere, realisticamente, a hora em que você consegue acordar e a hora em que dorme, mas considere, também, aqueles horários mais produtivos que pedi para você anotar no #1. Distribua, nesse tempo livre, as coisas que precisa fazer: estudos, exercício, ensaio com a sua banda, escrever para seu blog. O objetivo é aproveitar ao máximo seu tempo, mas sem se forçar, respeitando o seu ritmo natural, então coloque as coisas que te demandam mais concentração nos horários em que você funciona melhor, e as coisas que são mais tranquilas em horários em que você não consegue trabalhar tão bem.
  6. Edite: dê uma olhada na sua planilha de tempo (ou no papel com a lista, ou, bem, na lista na tua cabeça, se você não precisa de ajudas visuais). Se estiver cheia demais, esvazie um pouco – veja o que não é necessário e tire, ou diminua o tempo; coloque algumas tarefas/ocupações juntas (por exemplo, use o tempo de metrô para estudar). É fundamental que você tenha tempo para flexibilidade (tem dias em que é impossível escrever, tem dias em que você vai ter coisas mais legais pra fazer, tem dias em que imprevistos surgem) e para distração e diversão (nós não somos máquinas produtivas – sair para tomar um sorvete, ver Netflix comendo pipoca ou só tirar um cochilo em um horário inesperado são pausas necessárias para vivermos bem). Se estiver vazia demais, bem… o que é vazia demais? Não tem problema ter muito tempo livre! Muitas vezes, é um tempo livre que no dia a dia não reparamos que temos e acabamos usando de forma distraída – recomendo que use esse tempo para fazer o que quiser, seja trabalhar, seja se divertir, mas de forma mais atenta ao seu bem-estar, agora que você sabe que é um tempo livre super maneiro e especial na tua agenda.

Essa é minha estratégia para organizar meu tempo, mas ela é só a base. Não uso essa planilha para consultar todo dia, e ela não precisa ser seguida à risca. É mesmo mais uma forma de identificar na sua semana como as coisas devem ser alocadas para você conseguir dar conta de tudo, respeitando seu próprio ritmo o máximo possível.

No meu dia a dia, uso uma agenda (de papel mesmo), na qual anoto os compromissos que marquei com outras pessoas (com hora e local), os prazos para coisas que tenho que fazer ou entregar, e, aí, aos poucos, as coisas que quero/devo fazer naquela semana mas que não têm horário fixo (como, por exemplo, escrever este texto; caso estejam curiosas, estou escrevendo deitada na cama, já de pijama, às 00h50 de segunda para terça). Você pode ir testando até encontrar o método mais eficiente para você: agenda no celular, Google agenda, agenda de papel, calendário de parede, ou sua própria memória se você é boa de guardar esse tipo de organização e informação na cabeça (eu não sou).

Os pontos mais importantes são sempre: respeitar seu próprio ritmo; encontrar o método que funciona melhor para você, qualquer que ele seja; e lembrar que não somos maquininhas produtivas e que por isso tudo bem não conseguir fazer tudo que você queria na hora que você queria.

Se você já tem um bom esquema de organização de tempo, me conta nos comentários? Estou sempre interessada em como outras pessoas se organizam!

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

  • BiN

    Adorei as dicas, me identifiquei bastante com sua forma de desorganização hahah ( Quase fui no picnick capitolina em Porto Alegre mas não consegui .-. amo a revista muito obrigado.

  • Pingback: Como faz: ser organizada - Capitolina()

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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