16 de junho de 2015 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Como faz: currículo

Elaborar um currículo e ser entrevistada para um emprego são duas situações que testam nossa autoestima. Por isso, em nosso guia Como Faz de hoje, vamos dar dicas para vivenciar essas tretas com mais tranquilidade. Vamos lá, um passinho de cada vez:

Montando seu currículo:

Começando pelo começo: o cabeçalho!

No início do seu currículo ficam suas informações básicas. Seu nome completo, telefone e e-mail para contato são dados essenciais, o resto você pode escolher se é ou não necessário. Também pode ser interessante adicionar outras informações, como seu endereço e idade. No entanto, acredito que é você que decide o que deseja compartilhar. Eu, por exemplo, acho que meu estado civil ou número de filhos são informações relevantes quando se trata de uma questão profissional. Mais uma coisa que você decide se coloca ou não é sua foto. Algumas vagas, especialmente no comércio, só aceitam currículos com fotos 3×4. Acho isso bem errado, mas às vezes é melhor se adaptar do que perder uma oportunidade.

Foco é essencial!

É importante que você saiba muito bem que tipo de emprego está buscando, porque assim fica mais claro quais informações são válidas. Lembre-se, o importante é informar que você cumpre com as condições básicas da vaga que está concorrendo, por isso, encher linguiça só vai atrapalhar. Se você está procurando vaga em uma loja não tem por que citar aquele curso sobre cinema russo dos anos 1930 — a não ser que essa loja seja especializada em cinema.

Escolha expressões formais.

Provocar uma boa impressão é só uma questão de aprender a escolher os termos corretos. Por exemplo, eu poderia colocar no meu currículo “escrevo para a revista Capitolina”, mas fica bem mais convincente e profissional dizer “Experiência em produção textual: colaboradora da revista Capitolina”. Outro exemplo: em vez de “Trabalhei na loja…”, é melhor “Experiência em vendas”.

Não entre na crise “meu deus, mas eu não fiz nada nessa vida, sou um fracasso”!

Quando somos jovens ou não temos muita experiência profissional é difícil montar um currículo sem cair nessa crise. Primeiro, lembre-se que sua vida não é definida pelo que você fez profissionalmente. Segundo, se acalme, você está em busca de um começo. O importante em seu currículo é apresentar sua escolaridade e características que podem ser importantes para a vaga que está em busca. É justamente essa crise que nos faz perder o foco e encher o currículo de informações que não são relevantes para a vaga em questão.

“Mas, então, o que eu coloco em meu currículo se estou em busca do meu primeiro emprego, afinal?”

Primeiro, relaxa, todo mundo já passou por esse momento. Todo mundo precisa de um começo. O que as pessoas vão esperar de você nesse momento é um certo nível de escolaridade, dedicação, gentileza, paciência e ânimo — e sim, às vezes, você vai ter que se esforçar para esses dois últimos. Seu currículo, então, deve apenas refletir sua experiência de vida até agora: escolaridade, línguas, cursos extracurriculares. Mais uma vez, é preciso ponderar o que é interessante para a vaga em questão. Por exemplo, se está concorrendo a uma vaga no comércio, vale citar se você ajudou em alguma atividade do grêmio da sua escola como uma experiência com trabalho em equipe. Simplesmente mantenha a calma e o bom senso, faça um currículo bem estruturado e limpinho.

Considere o modelo do currículo de acordo com a vaga que você busca.

A mesma coisa do conteúdo vale para o modelo do currículo. Se você está se candidatando para um trabalho mais hype e descolado, vale a pena pensar em um formato menos careta. Se é um emprego certinho, siga a linha formal.

Modelo padrão de currículo:

SEU NOME

(assim, em caixa alta e negrito)

E-mail

Telefone

Dados Pessoais

Não precisa identificar “e-mail: tataziiiinhaaameigaeabusada@yahoo.com”, só coloque seu endereço de e-mail, o mesmo vale para os outros dados. Ah, sim, também é uma boa ideia criar um endereço de e-mail “maduro”, sem apelidos, diminutivos e brincadeiras.

APRESENTAÇÃO:

Aqui você fala um pouco sobre você, suas experiências e o tipo de experiência que está procurando. Não é exatamente obrigatório fazer uma apresentação, eu não coloco, mas pode ser pra quem está começando.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:

Ex: Experiência no setor de vendas na loja…

(Se você nunca trabalhou, não inventa, por favor.)

FORMAÇÃO:

Sua escolaridade e possíveis cursos. 

LÍNGUAS:

Caso você fale alguma língua estrangeira.

INFORMAÇÕES EXTRACURRICULARES:

A experiência no grêmio da escola entra aqui.

Encontrando sua vaga:

Faça uso da internet.

Existem alguns sites que podem te ajudar nessa busca, como o Injobs, Vagas e Catho. Se você está procurando trabalhar no comércio, também pode ser uma boa olhar sites de shoppings, porque alguns têm uma área “Trabalhe conosco” em que indicam quais lojas estão aceitando currículos.

Faça uso das redes sociais.

Sim, você pode encontrar um trabalho por causa do Facebook. Hoje em dia existem muitos grupos voltados para divulgação de vagas, então é sempre bom participar dos que têm relação com a sua área. Fazer contatos com pessoas diferentes que têm mais experiência e conhecimento na sua área é sempre útil. Você também pode simplesmente postar na sua linha do tempo que está em busca de um emprego (especifique qual) e perguntar aos seus conhecidos se alguém está sabendo de alguma oportunidade. As pessoas vão gostar de te ajudar, não tenha medo.

Simplesmente mande seu currículo para todos os lugares interessantes (ou apenas disponíveis).

Mande por e-mail ou vá pessoalmente, o importante é se jogar nas chances. Caso você mande e-mail, não se esqueça de colocar no assunto “Currículo para a vaga tal” e de escrever uma apresentação formal. Termine com um “Atenciosamente” ou “Grata” e seu nome completo. Se for entregar pessoalmente seu currículo, se vista de um modo apresentável, peça para falar com o gerente ou o responsável pelo estabelecimento, seja gentil e educada.

A entrevista:

Respire.

Não é muito confortável se colocar na posição de ser avaliada por outra pessoa, mas mantenha a calma, é só uma entrevista de emprego, não são os Jogos Vorazes.

Use algo confortável, apresentável e limpinho.

A roupa que você usa não deve ser um cosplay do que você supõe ser uma roupa profissional. Não adianta ir vestida de jovem executiva se isso não condiz com quem você é. A mesma ideia do currículo que se adapta ao emprego que você busca se aplica ao caso da roupa que você deve usar na entrevista. É importante levar duas coisas em conta: o tipo de roupa que te deixa confortável e vaga que está concorrendo. Não adianta ir vestida com um terninho se você está concorrendo a uma vaga de vendedora em uma loja de surf. O essencial mesmo é usar roupas limpas, o resto deve ser adaptado de acordo com seu gosto pessoal e as circunstâncias do trabalho. Também acho que é bom usar algo que faça você se sentir poderosa. Sempre fico com receio de usar batom vermelho em uma entrevista, porque é bem chamativo, mas batom vermelho faz com que eu me sinta confiante — e também não gostaria de trabalhar em uma empresa que julga algo como a cor dos meus lábios.

Encontre a suave nuance entre ser confiante e parecer arrogante.

É muito difícil falar sobre si mesma de um modo que seja convincente, confiante e estimulante sem que você pareça uma babaca autocentrada. Mas tenha em mente que a entrevista é, sim, um momento seu e com um pouco de bom senso é possível se elogiar sem ser tosca. De modo algum caia na armadilha de fazer piadinhas autodepreciativas. Eu sei, às vezes é difícil forjar boa autoestima, mas se esforce e acredite em você.

Pratique no espelho.

Ou na webcam. Fale e fale e fale com você mesma até que a imagem de uma garota legal, confiante, trabalhadora e incrível se torne real. Você pode até não ser ou não achar que é tudo isso, mas nada como repetir a mesma mentira mil vezes. Às vezes, atuar faz parte desse processo.

Seja você mesma, mais ou menos.

Primeiro que ser você mesma é uma questão supercomplexa porque, afinal, quem sabe o que é isso? Mas vamos desviar das questões filosóficas e se ater ao básico. Não diga que sabe fazer algo que você não sabe. Por exemplo, não finja ser extrovertida se não se sente confortável conversando com estranhos. Não tem nada de errado em criar uma persona para passar pelo desafio da entrevista de emprego — que, em geral, não diz nada sobre o trabalho em si, é mais uma obrigação burocrática. É sempre bom saber criar a melhor versão de você mesma. Mas faça isso com base em alguma coisa real. Em outras palavras, não prometa o que não pode cumprir.

Não se esqueça de que se trata de uma entrevista, e não uma conversa com sua miga.

Por mais informal que seja o tom da sua entrevista, não se esqueça de que aquela pessoa está te julgando. O clima pode ser agradável e parecer um bate-papo casual, mas não é. Não forneça informações excessivamente pessoais ou faça piadinhas polêmicas, porque a pessoa vai apenas te achar sem noção. Um bom modo de aprender com o erro é assistir a todas as entrevistas de emprego que se passaram na série Girls.

***

É isso, meninas, sigam esse guia, mas, principalmente, a intuição de vocês. Sejam confiantes e tentem exaustivamente que a oportunidade de um emprego legal vai aparecer! E se tiverem mais dúvidas, escrevam para gente, certo?

Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

  • OMG

    Acabei de achar a revista que tanto procurava por alguns bons… talvez anos. Rookie mag é maravilhosa, mas fica um gostinho de “queria isso na minha língua”. Só um comentário? VAMOS DIVULGAR ISSO AQUI!

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos