19 de maio de 2015 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração: Duds Saldanha
Como faz: montando seu negócio virtual

Crescer e assumir responsabilidades é um processo difícil. Pensando nisso, nós, colaboradoras da coluna de EVP, resolvemos criar uma série de guias para te ajudar nessa treta que é se tornar adulta ou quase isso. Aqui vamos dar dicas e informações sobre primeiro emprego, intercâmbio, poupança, documentos, impostos, economias e todo tipo de burocracia chata, mas necessária. Para começar, resolvi escrever sobre algo mais empolgante: crie seu negócio e seja sua própria chefe! Para criar este guia, contei com a colaboração da Carla Musa — criadora da marca de roupas Miranda — e da Maria Celina Gil — criadora da Tramp Gramma, marca de bordados subversivos. Essas duas jovens empreendedoras me contaram de onde surgiu a ideia de suas lojas e como faz pra transformar os planos em negócios lucrativos. Vem com a gente!

1. O início ou tava lá de bobeira até que, opa, uma ideia legal:

Nem sempre nosso futuro encontra nossos planos. Na verdade, é raro quando as coisas batem perfeitamente. Às vezes escolhemos um curso para faculdade e, já formadas, percebemos que não era bem isso que desejamos para nossa carreira profissional. Às vezes, em um domingo de tédio, surge uma ideia despretensiosa que se torna uma sacada genial. Não há nada de errado em seguir planos, mas lembre-se que sonhos ou aquelas ideias que vêm do nada também podem ser o início de algo incrível. Foi assim com a Maria Celina:

Eu comecei a loja meio sem querer. Tinha me formado na faculdade de cinema havia um ano e sempre trabalhei com cenário e objetos. Um dia eu estava em casa procurando alguma coisa para a minha avó e achei uma caixa de etamine (pano furadinho que se usa para bordar ponto cruz). No passado, minha família tinha bordado muito pra fora em momentos mais difíceis financeiramente. Comecei a conversar com minha avó sobre fazer algumas coisas para mim e, brincando, falei que só ia bordar palavrões. Daí me deu um estalo e decidi produzir dez quadros. Fiz eles bem simples no começo. Achei um fornecedor de molduras de resina e bordei quadros em ponto cruz com frases engraçadas e palavrões. Daí pedi para uma amiga minha que organizava eventos se eu podia colocar num evento dela para testar o que as pessoas iam achar da ideia. E rolou muito bem.

2. Encontre algo que te motive e diferencie a sua marca:

O mais legal de ser dona do seu próprio negócio é que você pode escolher tudo, então, cada coisinha pode ter um toque de quem você é e no que você acredita. Criar um produto é um modo de conquistar autonomia financeira, mas também um modo de expor seus valores e ideais. Assim, o que você tem é uma motivação pessoal — que é muito mais forte e satisfatória do que a necessidade de ganhar algum dinheiro — para produzir algo que pode influenciar e agradar a outras pessoas.

Por exemplo, se você é vegetariana e a cantina do seu colégio não oferece uma variedade de lanches que atende a essa demanda, você mesma pode mudar isso, por que não? É só colocar a mão na massa! Desse jeito, sua marca faz a diferença e ainda ajuda a outros amigos que compartilham essa mesma causa.

A Miranda é uma marca de roupas que produz peças do PP ao GG e também aceita encomendas sob medida. A Carla me contou que isso faz parte da identidade da marca, porque uma de suas motivações era poder atender a todas as mulheres com os mais diversos tipos de corpos, já que todas nós temos o direito de vestir algo que nos faz bem:

Sempre me senti muito frustrada tentando entrar em roupas que não eram pensadas pra mim. Ia a lojas grandes e achava modelos lindos, mas que quando eu vestia me faziam sentir triste com meu próprio corpo. Quando eu percebi que isso não acontecia só comigo, comecei a sonhar em criar meus próprios vestidos. E aí fui atrás. Aprendi a modelar, comecei a criar e minha sogra entrou de cabeça no projeto pra me ajudar na costura. Tudo é tudo feito com muito amor. A cada modelo eu penso em quem vai usar, em como a pessoa vai preferir usar, em como ela vai se sentir. Penso em quem vai receber o produto depois de pronto. Penso no que a pessoa do outro lado espera de um produto, penso nas preferências dela, nas formas diferentes que talvez ela queira usar a peça. Penso em suprir as necessidades dela e jamais repetir a frustração que eu sentia ao tentar comprar roupas pra mim. Não quero que mulher nenhuma se sinta triste com o próprio corpo por gostar de uma roupa e não poder usá-la porque não foi pensada pra ela.

 3. Conheça seu produto:

Se você vende pastel vegetariano, conheça todos os ingredientes do seu produto de cabeça. Se você vende roupas, conheça seus tecidos e medidas. E por aí vai. É importante se dedicar e se especializar, assim sua marca ganha credibilidade e as pessoas percebem que a parada é séria, você não tá só vendendo sua arte na praia — nada contra, inclusive amo/sou, mas se você quer criar um negócio próprio e lucrativo, a onda é outra. Como a Carla diz:

Conheça seu produto. Não só o produto final, mas tudo o que compõe ele. Dessa forma, você sempre saberá responder a questionamentos. No caso da Miranda, todos os dias aprendo mais sobre tecidos. É superimportante quando me questionam, por exemplo, sobre caimento, toque na pele, lavagem. Seja expert no que você faz. 🙂

4. Conheça seu público:

Seu produto pode ser maravilhoso, você pode ser uma profissional mega talentosa, mas as coisas podem não dar certo, se você não souber muito bem onde, como e pra quem vender. Por isso, é importante sacar quem é que combina com a sua marca e descobrir as melhores formas de entrar em contato com esse público. A Maria Celina me alerta sobre essa necessidade:

A dica que eu daria para quem está começando é conhecer bem quem é o público que tem a ver com seu produto. Tinha vezes que eu ia em alguma feira ou falava do que eu produzia para algumas pessoas e ninguém curtia. Mas tinha outros lugares que eu ia e as pessoas amavam. Dependendo do trabalho que você faz, o público que curte e compra é bem específico.

5. Conheça o seu valor:

Calcular o preço de um produto não é algo exatamente fácil, mas é fundamental que você saiba o quanto suas criações valem. Tem que calcular não só o gasto material, mas também o valor do seu trabalho, como disse a Carla:

Saiba o preço do seu trabalho. Quem conhece os seus custos é você, assim como a qualidade do seu trabalho. Então, desde que exista uma boa relação entre valor de venda e qualidade, se mantenha firme. Esse é seu preço e quem pagar por ele com certeza estará recebendo um produto que vale o preço que você estipulou.

A Maria Celina ressaltou que trabalhos feitos a mão são únicos e, por isso, têm um valor especial:

Além disso, no meu caso em especial, precisa ter a consciência de que é um trabalho feito a mão do começo ao fim. Isso torna o trabalho mais único (já que nunca dá para bordar igual um mesmo desenho) e com um custo um pouco mais alto do que o de um produto industrializado. Não digo para cobrar um valor absurdo — coisa que a gente também encontra por aí —, mas para saber o valor do seu tempo e da sua criatividade.

6. Se organize!

A Carla dá o segredo para sua loja e seu lucro crescerem juntos:

É indispensável ter organização. Ter tudo no seu lugar. Cronogramas, listas, recados, notinhas: tudo ajuda. É importante saber que tudo precisa ser registrado desde o começo, ainda que seu volume de vendas seja pequeno. A ideia é sempre crescer, e quando se cresce sem organização, é muito fácil cair. Então já sabe: agenda, post it, lembretes, planilhas são aliados superimportantes. Planilhas são mega importantes: todos os custos que você tem devem ser registrados e precisam estar lá no seu preço final de venda. De outra forma, você pode acabar pagando pra vender, sabia? Quando se calcula mal seus custos, você pode vender horrores e ainda assim não lucrar. Então cuidado!

7. Capriche:

O dia em que meus vestidos da Miranda chegaram aqui em casa eu me senti abraçada. É maravilhoso consumir algo que é feito com afeto, dá pra sentir, sabe? Quando o assunto é atendimento e capricho, a Carla arrasa, suas dicas são valiosas:

Atendimento é tudo. Na realidade, no meu caso, é a alma da Miranda. Seus produtos podem ser incríveis, mas se você não atender bem seus clientes, não adianta. Pra mim é algo natural. Respondo e-mails e mensagens com um sorriso no rosto porque é muito bom falar com cada menina, tirar as dúvidas, explicar como tudo funciona e ver ela aos poucos se apaixonar pela marca… De atendimento frio o mundo já tá cheio. 😉 Então vai lá, se abre. Conversa, se mostra disponível. Todo mundo gosta de ser bem atendido!

Embalagem bonita: indispensável. Uma das minhas partes preferidas de todas as etapas da Miranda é a embalagem… Eu, como consumidora, amava receber coisas bem embaladas. E aí transferi isso pra marca com muito carinho. Fazer almofadinhas, brincos, escrever recadinhos a mão, embalar tudo bonitinho é algo maravilhoso. Me coloca ao lado da cliente quando ela abre a caixa e é como se eu pudesse ver ela sorrindo ao receber nossas encomendas. Então minha dica é: invista. Vale muito a pena.

8. Mídias virtuais:

Se você tem um negócio próprio, a internet deve ser seu reino. Faça uso de toda tecnologia e liberdade a seu favor, crie um site, uma página e perfis em redes sociais para divulgar seu trabalho. Além disso, saiba selecionar um conteúdo que te valorize, compartilhe fotos com qualidade, textos, imagens e links que tenham a cara da sua marca. Mais uma vez a Carla manda ver:

Tenha um site bonito e acolhedor, de uso fácil e intuitivo. Hoje existem várias ferramentas grátis ou com preços superacessíveis e com layouts prontos pra você só escolher qual usar e evoluir com o tempo. Facebook e Instagram também são muito necessários. Lembre-se que são os lugares onde quase todo mundo passa pelo menos uma vez por dia. Então sua marca também precisa estar lá, né?

Fotos criativas, bem iluminadas, com foco, fazem toda a diferença. Fotografe seus produtos em uso, pois isso ajuda muito na visualização. Não é necessário equipamento caro de fotografia pra isso. Com a câmera da maioria dos celulares hoje já se faz fotos muito legais. Utilize locais claros, coloridos e bonitos. Vai sempre chamar a atenção e mostrar seu cuidado com o que faz.

 

E aí, curtiu? Pronta para se tornar a grande chefa de uma pequena empresa? Nós achamos que sim! 🙂 Qualquer dúvida é só escrever um e-mail pra gente (também aceitamos sugestões de temas para os nossos guias!).

Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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