18 de agosto de 2015 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Como faz: ser organizada

Pra começar, é preciso esclarecer uma coisa: você não precisa ser organizada. Seu quarto não precisa ser limpo, suas horas não precisam ser calculadamente produtivas e, definitivamente, você não precisa saber o tempo todo o que está fazendo ou o que quer fazer. No fim de um dia, o que importa é se sentir bem. Não interessa se sua escrivaninha está um caos e você passou três horas vendo vídeos de gatinhos fofos, porque talvez seja desse jeito que sua rotina funciona. Se você se sente satisfeita com suas escolhas, não tem motivos para tentar transformar sua vida até que ela caiba em um determinado molde.

Agora, sim, vamos ao primeiro passo:

Ser organizada é uma questão de autonomia

Geralmente, passamos grande parte de nossa infância ouvindo ordens e regras. Tem hora pra comer, tomar banho, ir pra escola, fazer dever de casa, brincar e dormir – isso, é claro, se você recebeu cuidados e afetos de algum responsável, afinal, nem todo mundo tem esse privilégio. Conforme envelhecemos, essas horas vão se tornando um pouco mais flexíveis. De repente, “sua cabeça é seu guia”, ninguém mais vai te mandar estudar ou escovar os dentes, porque você já deveria ser responsável pelo seu próprio bem-estar. Aí é que começa a treta. Por que, meu deus, o que é meu próprio bem-estar?

Passar horas vendo minha série favorita e comendo um monte de besteira me faz bem. Eu esqueço meus problemas e o chocolate dá aquela dose ideal de endorfina. É claro que também seria bom dedicar essas horas ao meu trabalho e aos estudos. Muito chocolate é um problema, porque minha família tem histórico de diabetes. Mas estudar dá sono e sono dá fome e fome não combina com alface – não que alface seja ruim, mas, na hora do aperto, o desejo chama por carboidrato.

Não é fácil ser responsável pela própria vida. São muitas possibilidades e decisões. Por isso que ser organizada é ter autonomia. Ser organizada é saber medir o que é necessário e o que é bom; quando você tá com vontade de hibernar e quando tem pique pra ser produtiva; quando a bagunça é boa e quando é um peso desnecessário. Basicamente, é um exercício de autoconhecimento que te ensina a gerir suas horas do seu jeitinho.

Se organizar direitinho, todo mundo fica satisfeito

Eu não gosto de prometer satisfação e felicidade, porque são sentimentos muito subjetivos e complicados. Sei lá o que te faz feliz, querida leitora. Mal sei como garantir meu próprio bem-estar – e às vezes não tenho certeza se felicidade é sinônimo de ter tudo tranquilo em seu lugar, porque se perder no caos também pode fazer um bem danado. Mas sei que quanto mais responsabilidade, mais nossa rotina se apega às questões práticas, materiais até. Todo mundo precisa comer, dormir e cuidar da higiene. Isso é o básico. Você precisa garantir, então, seu almoço pronto, sua roupa limpinha, suas horas de sono e sua pasta de dentes. Porque, pois é, isso não cai do céu – ou do cuidado da mamãe -, depende das suas escolhas. É preciso, então, dar conta disso, depois vem o resto.

Embora uma boa comida, oito horas de sono e um banho morno já sejam garantia de alguma enorme satisfação – um prazer que às vezes ignoramos, porque, de novo, temos o privilégio de ter isso garantido, existem outras necessidades – que ainda que sejam secundárias, às vezes exigem tudo de nós. Geralmente, uma pessoa precisa rir um pouquinho, ter um sentido para conduzir os dias, não se sentir isolada e desejar algo. E nada disso é fácil. Em muitos dias, nossa rotina não dá conta de garantir essas necessidades pessoais.

Eu acredito que se organizar é se ater ao que está ao alcance de nossas mãos, ou seja, apostar na autonomia. Não tenho certeza do que me faz feliz. Mas sei o que me dá prazer e o que me causa angústia. Também sei que algumas coisas que me dão prazer também provocam angústia, por exemplo, assistir a cinco episódios de Game of Thrones em sequência.

Eu sei que parece bobo, mas tente fazer uma lista do que você gostaria de fazer durante um dia, pensando tanto no que é necessário e no que é puro prazer. Depois tente fazer uma lista de como é sua rotina geralmente. Compare e tente praticar esse mantra: se organizar direitinho, todo mundo fica satisfeito.

Conheça as suas prioridades

Ninguém tá dizendo que é fácil, mas é uma tentativa importante. Pense bem nas suas vontades, no que te motiva, o que você deseja para seu futuro e não se esqueça de quem quer ser nesse exato momento. Se conhecer é um modo de estabelecer quais são suas prioridades, o que você precisa fazer, porque é o que você deseja – e não o que seus pais te pedem ou o que seus amigos acham legal. Eu tento fazer isso escrevendo em um diário. Mas existem outros modos de se descobrir: meditação, análise, caminhadas, pintura… Enfim, se dê um tempo sozinha, pense, decida e se permita a autonomia de saber o que quer. Também saiba que assumir que não sabe o que quer, já é uma responsabilidade.

Anote tudo

Pode ser em um caderno, em uma plataforma como o Evernote ou no bloco de notas do celular. Anote todas as suas tarefas. Pense com cuidado em cada uma delas. Por exemplo, você precisa fazer seu jantar, mas isso implica necessariamente em ter algo para cozinhar, ou seja, mais uma tarefa: passar no mercado. Depois se permita o enorme prazer de riscar cada compromisso bem-sucedido.

Se você for muito procrastinadora, também vale o exercício de mapear seu dia em detalhes: Acordar, não ativar a opção “soneca”, levantar da cama, se alongar, tomar banho, se vestir, tomar café da manhã, sair de casa, ir ao colégio, não dormir na aula de matemática e por aí vai… Sim, eu me sinto muito incompetente quando faço isso, mas ajuda. Porque sou dessas que abro o computador pra escrever um texto e acabo passando três horas no Facebook. Falando nisso…

Controle seu tempo no celular/computador/internet

Miga, sim, estamos todas viciadas e não conseguimos nos desconectar. Nem sempre é ruim. A internet me proporciona momentos, textos, amigas e vídeos de gatinhos fofos. E tudo isso é maravilhoso. Só que, vamos ser sinceras, atrapalha muito também. Eu tento anotar a hora em que liguei meu computador só para ter um controle do tempo. Ninguém tá dizendo que você precisa aprender como a vida desconectada é melhor – porque, pelo amor, que papo ultrapassado -, mas que algumas coisas pedem total atenção: um jantar com seus pais, a aula de matemática (eu sei, é horrível), escrever no seu diário, um livro muito bom e um mergulho no mar.

Entenda como você funciona melhor

Descubra que ambiente é melhor para você estudar ou trabalhar. Cada um funciona de um modo, às vezes você precisa da sua mesa bagunçada ou da completa organização de uma biblioteca. Além disso, respeite seus horários. Existe um horário de funcionamento geral que foi estabelecido pela vida em sociedade. Em geral, meio-dia é hora de almoçar, não de acordar e meia-noite de já estar adormecida na cama. No entanto, nem todo mundo funciona de acordo com esse relógio social. Às vezes você é mais criativa nas madrugada ou só tem atenção para estudar bem cedo em silêncio. É difícil respeitar nossos horários de funcionamento, principalmente, quando ainda estudamos ou temos um trabalho com horários rígidos. Mas é importante pelo menos reconhecer qual momento é mais propício para produzir e quando é melhor tirar uma soneca em vez de perder tempo insistindo em vencer o cansaço. A Sofia já escreveu um guia de organização de tempo que tem ótimas dicas.

Aceite os imprevistos

Talvez você não precise desse guia porque tem uma rotina mais planejada do que a Rory Gilmore. Nesse caso, meu conselho é que você aceite que a vida não pode ser completamente planejada. Às vezes a gente fica doente ou simplesmente sem ânimo para cumprir com as responsabilidades. Acontece. É uma incoerência, mas se organizar é também contar com os imprevistos.

Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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