26 de agosto de 2014 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração:
Como lidar com a ansiedade

DSCN3849Ilustração por Isadora Carangi

Nessa coluna, nós falamos sobre Escola, Vestibular e Profissão, mas não do mesmo modo que costumam abordar essas temas. Não queremos dar estatísticas, dicas de mercado de trabalho e macetes de questões múltipla escolha. Queremos falar sobre o que sentimos e vivemos a partir dessas experiências. Uma sensação que me acompanha desde os tempos de colégio é a ansiedade e, infelizmente, devo dizer que a cada ano ela se torna um pouquinho mais grave.

A princípio, se sentir ansiosa é algo bom. Ansiar é querer algo e pouca coisa é mais importante para movimentar a vida do que o desejo. Porém é muito comum que a ansiedade se transforme em uma angústia que nos paralisa. Sempre que me sinto sufocando por ser assim tento me lembrar o que isso realmente significa: querer demais. Então, respiro e tento transformar a angústia em movimento.

Mas é claro que a ansiedade nem sempre bate porque estamos envolvidas em muito querer. Às vezes, é como um erro de escala, pensamos demais e damos uma atenção desproporcional aos detalhes. Enxergar a partir de outra perspectiva pode ser poético, atentar às coisas pequenas é transformador. No entanto, uma coisa é perceber, outra é ficar obcecada. A maioria das vezes em que me sinto ansiosa por causa de uma dificuldade é porque penso tanto que ela ganha superpoderes. É bom lembrar: tem uma pedra no meio no caminho, mas ela não é uma montanha.

Tem também aquela sensação geral de “não vou dar conta”que parece sobrecarregar gente de qualquer idade. Acho que quando somos jovens é pior, porque temos muitas possibilidades, mas isso significa que também temos muitas escolhas. Por exemplo, o ano em que prestei vestibular foi cheio de sonhos e expectativas, toda minha vida estava pela frente, eu poderia escolher tantas faculdades, tantos cursos, poderia até ir para outra cidade, tudo seria diferente. Mas não é fácil ter que se decidir e com certeza não é justo que uma prova tenha um peso tão definitivo. Se sentir ansiosa nesse caso é completamente compreensível, por isso, é importante ter cuidado para não se afundar nesse sentimento.

Além disso, tem o pior tipo de ansiedade, aquela que é provocada por pressões sociais. Nós, garotas, crescemos ouvindo o que devemos e não devemos fazer. Opinam sobre nossos corpos, roupas, comportamentos e sonhos. No meio de tudo isso não é fácil descobrir o que realmente queremos e o que nos é imposto. Às vezes, surtamos para tentar ser algo que na verdade nem desejamos. Você não precisa ser o que esperam de você, você não precisa carregar os anseios dos outros, se preocupe com o seu desejo, queira o que te faz feliz!

Escrever esse texto é um modo de cura, quando dou conselhos às Capitolinas, estou “sem querer querendo” me aconselhando. Não deposito minha saúde e felicidade na razão, não acho que raciocinar é sempre uma solução. Mas quando consigo ter clareza e penso sobre a ansiedade, entendo seus motivos e enxergo algumas saídas. Aprender a lidar com a ansiedade é se conhecer melhor, entender seu próprio ritmo, libertar o seu querer das pressões alheias. Ser mais tranquila e feliz é um processo diário, é cuidar de cada momento e ter atenção ao que você quer agora. Não é fácil, mas é possível, por isso eu e outras Capitolinas listamos algumas coisas que nos ajudam a combater a ansiedade:

 

  • Exercícios físicos

Sou muito preguiçosa, mas reconheço que uma simples caminhada de trinta minutos dá toda uma energia diferente ao dia. Ter uma rotina com exercícios ajuda a clarear a mente, produz serotonina e te relaxa. Vale tentar diferentes exercícios até encontrar o que combina mais com você: andar de bicicleta, andar com o cachorro, luta, yoga, pilates, balé, skate, patins, surf, qualquer coisa que funcione, está valendo.

  • Cozinhar

Às vezes só precisamos direcionar nosso foco para outras coisas e o peito se desaperta. Preparar uma comidinha gostosa pode ser uma ótima distração. Acredite: cortar umas cebolas, socar um alho, sentir cheiros e gostos dá outro tom à vida. Na coluna de FVM tem várias receitas legais pra você se aventurar no fogão!

  • Comer

Óbvio, depois de cozinhar, você come. Sentir prazer com a comida é uma das grandes maravilhas de existir. Tem até um conceito chamado “comfort food” (“comida confortável”, como eu gosto de traduzir). Sabe aquele macarrão quentinho cheio de queijo que cai no estômago como um abraço? Pois é. Mas cuidado, é para sentir prazer, não para despejar a angústia no prato. Transformar a ansiedade em compulsão não é o caminho.

  • Sair por aí

Ver o mundo, comprar pão, andar de ônibus, passear sem rumo pela cidade. Em resumo, quando a angústia aperta, saia da sua própria cabeça por um tempo. Perceber a vida que vai além de você é ótimo para ajeitar as perspectivas.

  • Pintar, cortar, colar e rabiscar

Brincar com massinha, compor uma música, tocar um instrumento, qualquer atividade artística despretensiosa é um ótimo prazer.

  • Escrever

Escrever é meu modo preferido de repensar minhas emoções, anotar minhas ideias e limpar a cabeça.

  • Pensar no futuro sem se desesperar

Planejar o futuro não é fácil, mas você pode fazer isso com um pouco mais de objetividade a partir de mapas conceituais como a Clara ensinou nessa matéria.

  • Respirar

Quando o surto de ansiedade bate é a primeira coisa a fazer: Respire. Praticar diariamente exercícios de respiração também é uma boa. Existe até um aplicativo chamado “breathe” que te ajuda a respirar melhor.

  • Meditar

As capitolinas indicam a meditação como um modo mágico de ser mais calma e concentrada no momento.

  • Anotar seus compromissos

Ter uma agenda para escrever todas as tarefas e compromissos pode te ajudar a ser mais organizada e tranquila.

  • Parar de pensar sobre o que você não pode controlar

Essa dica é mais difícil, porém é a que considero mais importante. Toda vez que me pego tentando controlar algo que foge das minhas mãos repito como um mantra: “Pare de pensar sobre o que você não pode controlar.” É melhor focar no que é possível, no que eu posso fazer em vez de sofrer por coisas que não estão nas minhas mãos. Às vezes também remoemos erros ou mágoas pelos quais não fomos responsáveis. Se libertar desse tipo de pressão e aceitar o descontrole é o melhor modo de ter um coração menos apertado.

  • Conversar

Falar é um modo de cura. Converse com seus amigos, com sua família, com quem você se sentir mais confortável. Também é sempre válido buscar ajuda profissional e conversar com um psicólogo. Se distrair da ansiedade é importante para nossa sobrevivência, nem sempre é o suficiente, como a Luiza Vilela escreveu nesse texto, às vezes é bom encontrarmos a raiz do problema.

Se a ansiedade está te esgotando, se cuida, escreva para a gente e procure ajuda!

Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

  • Beatriz

    Adorei o texto! Obrigada, estava precisando ler isso!

  • Arantxa Carolina

    fico tão feliz por ver esse tema abordado aqui ? principalmente porque ansiedade é um negócio que muita gente não entende e cisma em ver como “frescura”. e, só adicionando uma coisa que me ajudou muito nos meus piores momentos de ansiedade: sair com os amigos. ir ao cinema ou a um café, e ficar de bobeira. numa época em que só uma saidinha na rua me deixava totalmente sobrecarregada, o esforcinho (esforção!) que eu fiz pra passar um tempo com gente querida deu muito resultado 🙂

  • Bianca Xavier

    Ansiedade as vezes é insegurança, né? Isso é muito chato, tenho problemas sérios com ansiedade. Belo texto, Taís.

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  • http://ratherbeinthechaos.wordpress.com/ veerinha

    Sou uma pessoa completamente fadigada pela ansiedade, mas confesso que o texto me ajudou a identificar que é isso que tem me atrapalhado e ainda me deu soluções práticas que vou tentar tomar pra conseguir estimular essa ansiedade e usa-la para um bem melhor.
    Obrigada Taís!
    Beijos

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