19 de julho de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração:
Como lidar com as diferenças
Ilustração de Bia Quadros

Ilustração de Bia Quadros

O nosso mundo é uma overdose de informações. Já parou pra pensar quanta coisa você olha, mas não vê em uma simples caminhada na rua? É tanta novidade a todo momento que nem é possível assimilar tudo de uma vez. Mas algumas coisas nos marcam, nos fazem refletir, influenciam na nossa vida. Uma música, um livro, um filme, um estilo, uma forma de se divertir, um ideal, uma luta, uma preferência política, um gosto, um desejo… E cada uma das coisas que a gente absorve vai formando a nossa personalidade, vai delimitando o que nos faz única/o. E isso tudo muda ao longo do tempo, normal. Ser não é muito simples, né?

O que te move? O que te faz ser você?

Tenho certeza que cada resposta pensada aí do outro lado de cada tela pra essa pergunta foi diferente. É porque cada uma de nós vai construindo a sua personalidade de forma diferente, com referências diferentes, assimilando coisas diferentes e criando suas próprias conclusões e decisões. Só que tem um “detalhe”: nós vivemos em sociedade! E aí todas essas nossas características que surgem ao longo da vida se encontram com as características da/o outra/o. E aí chegamos ao que tem martelado na minha cabeça: Como lidar com tantas diferenças? Como fazer quando a gente vai mudando, as pessoas ao nosso redor também e chega um momento em que o que é absolutamente importante pra gente não significa tanto pra alguém que a gente gosta? E se as nossas opiniões forem se tornando cada vez mais divergentes? Ainda dá pra ficar tão perto?

É como dois macacos que amam banana um dia se verem gostando um de melancia e outro de mamão. É? Bom, deve ser… O que eu estou querendo dizer é: Às vezes a gente se aproxima muito de certas pessoas na vida e, naquele momento, nos sentimos almas gêmeas, mas, às vezes, nós caminhamos em sentidos diferentes e as almas passam a se estranhar um pouco. E aí, bom, eu não tenho uma resposta pra te dar de como lidar com isso, de como manter aquela semelhança em meio a tantas diferenças. Nada aqui nessa revista é receita de bolo, minhas caras. (Só, talvez, a coluna de Culinária e Faça Você Mesma, que aí é só você fazer pra experimentar as maravilhas que as meninas daqui sugerem). Mas o que eu sei e o que a gente tenta a todo momento mostrar aqui na Capitolina é que as diferenças, gente, são absolutamente parte da vida e que não é porque somos todos diferentes, em diversos aspectos, que isso nos dá alguma limitação nas nossas relações.

Com certeza naquele “momento almas gêmeas” as diferenças existiam, elas só estavam um pouco apagadas pela beleza das afinidades. E conforme a gente muda, a gente vai descobrindo outras semelhanças e outras diferenças. Concordar é ótimo, mas discordar também! Porque não? As formas de estar junto podem mudar, as conversas podem ter temas um pouco diferentes, mas o que conta é a relação que a gente tem com quem a gente quer próximo. Hoje, se eu fizer uma linha do tempo, vou enxergar tantas mudanças nas minhas relações com as pessoas e, às vezes, é tão difícil estar cara a cara com essas mudanças… Mas é bom ter sempre em mente que isso quer dizer que estamos vivendo e nos transformando. Talvez isso queira dizer se afastar um pouco, ter focos diferentes, mas não quer dizer que tudo está acabado ou que tudo mudou.

No fim das contas, acho que temos que enxergar ao máximo o melhor das nossas diferenças. Porque são elas, também, que nos criam questionamentos, que nos fazem pensar e repensar as nossas verdades – às vezes para reafirmá-las, às vezes para fazer a gente mudar mais uma vez.

Isabela Peccini
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão

O nome é Isabela, mas os apelidos são variados, sintam-se à vontade. Quase arquiteta e urbanista pela UFRJ. Mas não se engane, não vou fazer a sua casa ou a decoração da sala. Objeto de estudo: cidade, sempre pelos olhos da mulher. A minha cidade? Rio de Janeiro, uma relação de amor e ódio. Militante no movimento estudantil desde que me lembro e feminista porque não dá pra não ser, o feminismo te liberta!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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