7 de fevereiro de 2015 | Ano 1, Edição #11 | Texto: | Ilustração: Ana Maria Sena
Como lidar com o convívio em casa: a importância de respeitar os limites

Eu não conheço dados, mas pela observação da idade e pelos diversos filmes norte-americanos de adolescentes/jovens, nós brasileiros saímos de casa mais tarde, fazendo da saída da casa dos pais uma decisão meio nebulosa relacionada ao como e quando. Então temos que respirar um pouco, contar até dez e achar jeitos harmoniosos de viver sob o mesmo teto daqueles que nos criaram.

É claro que nem todo jovem vive com os pais biológicos: alguns vivem com os avós, tios, guardiões legais, pais adotivos, primos, e assim vai. Mais uma vez eu não sei de dados precisos, mas sinto que a maioria de nós vive com outras pessoas e mesmo que esses laços sejam diferentes em cada lar, os desafios de dividir um teto são muito parecidos.

Acredito que não exista fórmula mágica e nem um manual que ensine como conviver com a outra pessoa, então de um certo modo vivemos dependendo do que a outra pessoa vai achar ou sentir. Ninguém gosta de ser irritado, então por que devemos irritar os outros? Pequenas mudanças nas nossas atitudes podem fazer com que evitemos intermináveis brigas em casa. O copo fora da pia, a toalha na cama, os calçados espalhados podem parecer coisas bobas, mas essas mesmas coisas bobas muitas vezes são o gatilho para intermináveis e recorrentes discussões entre as pessoas.

Talvez o segredo da boa convivência seja tentar encontrar um balanço entre tu e as pessoas com que tu mora. Tem gente que é desorganizada e não tem o que possamos fazer. Mas uma coisa é ser desorganizado no seu quarto e outra é deixar o resto da casa desorganizado. Para quem é organizado, conviver com alguém que não segue os mesmos parâmetros é quase que um pesadelo. Um lado vai tentar se organizar melhor e o outro pode relevar algumas pequenas desorganizações.

Não podemos exigir uma boa convivência sem ter que ceder um pouco. Você acha alguma coisa que seus pais fazem chata e irritante? Se pudesse faria de outro jeito completamente diferente? Aposto que seus pais também acham alguns de seus hábitos e manias irritantes. Às vezes uma boa conversa franca é o suficiente para acabar com conflitos. É só expor seu lado e sua opinião e sempre estar aberto para ouvir os outros.

Comida também é um assunto que pode dar bastante confusão. Normalmente cada família tem um cozinheiro ou cozinheira oficial, a pessoa responsável pelas refeições diárias. Reclamar que a comida dos outros é ruim é bem fácil, mas, em vez de reclamar (se você não faz isso, já se imaginou cozinhando todos os dias? Deve chegar uma hora que cansa e a pessoa fica sem criatividade, né?), que tal aprender a cozinhar alguma coisa? Quando aprendemos a andar nos sapatos dos outros, aprendemos também a respeitar os outros. Pode não ser a melhor comida do mundo, mas a pessoa gastou seu tempo fazendo, devemos pelo menos ser respeitosos.

Viver em uma casa onde as pessoas se dão bem e se respeitam ajuda não somente a criar um ambiente sossegado, mas também reflete no nosso bem estar. Poder chegar em casa e relaxar com as pessoas ou sozinha num canto é ótimo. Quem quer chegar em casa sabendo que vai ter que discutir por causa de alguma coisa que podia ter sido evitada? Às vezes achamos que abrimos mão de muitas coisas pelos outros – o barulho da televisão que precisa ser abaixado ou o chão que precisa ser varrido –, mas tenha certeza de que a outra pessoa também teve que abdicar algumas coisas – será que elas não preferiam outra cor na sala ou ter comido outra coisa no almoço?

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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