28 de junho de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração:
Como lidar com o término de um relacionamento amoroso
Ilustração de Bia Quadros

Ilustração de Bia Quadros

Texto de Laura Pires e Gabriella Beira

Em primeiro lugar, não existe uma resposta correta para os itens que iremos tratar aqui. Tudo vai depender do relacionamento, da intimidade, do tempo, e também vai variar de pessoa para pessoa. Cada uma das opções tem suas vantagens e desvantagens, sobre as quais você deve refletir antes de tomar a decisão adequada ao seu caso.

COMO TERMINAR

O que dizer?
Oras, nada mais do que a verdade. Conte os motivos que te fizeram chegar a essa decisão e explique que você provavelmente refletiu por tempos antes de tomar qualquer atitude. Se a pessoa já estiver atenta aos sinais, provavelmente não ficará surpresa, já que poucas coisas terminam de uma hora para a outra. Se, no entanto, ela relutar, jogar coisas na sua cara, fizer escândalo ou te ameaçar, seja firme, pois o que mais vale aqui é a sua integridade e a sua própria felicidade. Você não será a última parceira da pessoa e nem a única a terminar com ela. Nesse caso, pode ser que seja mais adequado terminar em um local público, com acesso a transporte, para você poder se distanciar dela, tendo segurança e autonomia para isso.

Qual é o melhor momento para isso?
Tenha em mente que nunca haverá um momento ideal para se levar um fora. Por mais que, muitas vezes, o término já seja algo esperado nas condições do relacionamento, encarar o término em si é difícil, principalmente para a pessoa que não tomou a decisão. Sendo assim, é bom minimizar os danos evitando terminar em dias que sejam importantes para a pessoa, como o aniversário dela ou a véspera de uma prova. Também é uma boa adiar um pouquinho se coincidir de a pessoa ser assaltada naquela semana ou se a mãe dela morrer, afinal, em uma situação difícil, tudo o que alguém não precisa é de algo que piore. Só tome cuidado, porém, para não ser manipulada por fases difíceis eternas. Algumas pessoas se aproveitam dessas fases e, sentindo-se culpada pelo estado emocional delas, você acaba não conseguindo terminar nunca. Jamais mantenha um relacionamento porque a outra pessoa diz que não vive sem você ou ameaça se matar se você o fizer. Um relacionamento que se segura por motivos como esses não é saudável para você nem para a outra pessoa e pode chegar a caracterizar um relacionamento abusivo, pautado em manipulação emocional. Tenha tato e consideração ao terminar com alguém, mas seja sempre, acima de tudo, honesta consigo mesma.

Onde? Na sua casa, na casa da pessoa ou em algum outro lugar?
Terminar na sua própria casa, para a pessoa que está levando o fora, pode ser complicado, pois imagina só seu/sua namorado/a chegando lá, achando que vai ser um dia feliz e, de repente, tem que voltar para a casa com todo o peso da notícia. Por esse motivo, algumas pessoas preferem que isso seja feito na casa delas: não tem o trabalho de sair de casa e ter que voltar depois. Porém, isso pode dar em outro problema: relacionar o término ao ambiente do término. Aquele pufe verde que a pessoa tem no quarto e tanto amava pode ficar marcado para sempre como o pufe verde onde ele/a estava sentado/a quando levou um fora seu. Para evitar a memória afetiva que pode ficar, só mesmo marcando em algum lugar comum para os dois — mas, nesse caso, temos novamente o problema de ter que voltar para casa (talvez chorando) depois. Saber se seu/sua namorado/a prefereria ter o mínimo de trabalho possível (e ficar em casa) ou se guardaria para sempre mágoas daquele pufe verde, cabe a você refletir e decidir.

Vale terminar por telefone, e-mail, inbox, WhatsApp, SMS, post-it?
Pode ser que algumas pessoas considerem de mau tom terminar por telefone ou algum meio escrito, mas, terminar “à distância”, por telefone ou via chat/SMS, pode ter também suas vantagens, mesmo em se tratando de um relacionamento longo. Não necessariamente é falta de consideração ou caráter não querer encontrar a pessoa para fazer isso, até porque, para quem quer terminar, os sinais de que o fim está próximo já começaram a ser dados e, muitas vezes, a outra pessoa já espera pelo término ao ouvir a fatídica frase “precisamos conversar”. Talvez seja até mais compreensivo apenas deixar um ponto final sutil e escrito, o que, por si só, não elimina a carga sentimental e de preocupação com a pessoa, sem precisar presenciar o nariz dela escorrendo de chorar no meio da praça de alimentação. Ainda assim, se quiser formular uma explicação de término mais elaborada que não seja interrompida por suplicantes “mas…” ao telefone ou emoticons chorosos de chat/WhatsApp, escrever um e-mail pode ser uma boa saída. Dessa forma, a pessoa também terá tempo de ler, reler, pensar e chorar o quanto quiser até enviar alguma resposta, pela qual ela, aliás, não deve ser cobrada.

O que não fazer?
Tente não ser rude, porque você pode acabar mantendo por necessidade ou desejando manter algum outro tipo de relacionamento com a pessoa. Também segure o ímpeto de jogar todas as coisas erradas de uma vez na cara da pessoa, a não ser que seja extremamente necessário; mas é sempre válido conversar abertamente sobre tudo que te incomodava. Cuidado apenas para não cair na armadilha de uma discussão de relacionamento que te faça perder a coragem e voltar atrás, a não ser que dar outra chance seja mesmo algo que você queira e ache que vale a pena. Além disso, não se deixe pegar em situações de vulnerabilidade, terminando na frente da família da pessoa ou na frente dos amigos, que podem se voltar contra você e inibirem a expressão de sua decisão.

COMO AGIR DEPOIS DO TÉRMINO

É possível manter uma amizade? Se sim, é possível fazê-lo logo após o término?
Nesse momento, é importante respeitar seu próprio tempo para assentar as coisas depois do término, bem como respeitar o espaço da outra pessoa. Se o relacionamento de vocês não tiver acabado em extrema situação de desgaste, quem sabe depois que a poeira baixar vocês possam manter uma amizade? Se for uma pessoa que você queira manter na sua vida, demonstre aos poucos, puxando uma conversa aqui e ali, sem, é claro, apelar para detalhes do passado. Lembre-se de que vocês estão entrando em um universo de relações diferente daquele do namoro, então trazer à tona histórias desse universo pode ser prejudicial para ambos. É importante também saber ler os sinais da outra pessoa e estar preparada para que ela simplesmente não queira manter uma amizade ou precise de mais tempo para isso. Normalmente, quem termina já teve mais tempo para refletir sobre as possibilidades do pós-término e, para quem está sendo terminado, pode ser mais complicado aprender a lidar com a nova realidade.

E os amigos?
Uma das coisas mais complicadas no fim de um relacionamento é lidar com os amigos em comum, principalmente se o casal tiver saído de um mesmo grupo de amigas e amigos. Em primeiro lugar, nunca exija que escolham entre você ou a pessoa: todos ali são amigos e esse tipo de atitude pode rachar o grupo e voltá-los contra você. Se precisar, dê um tempo também nas saídas com esse grupo até que esteja confortável para ver/passear/sair com a outra pessoa, porque as probabilidades de trombar com o/a ex são grandes. Aproveite para chamar aquela amiga que você não via há tempos para colocar o papo em dia, chorar nos ombros dela e paquerar novas pessoas. De uma forma ou de outra, você precisará refletir se vale mais a pena se afastar do/a ex e consequentemente do grupo de amigos do qual vocês fazem parte, ou se está confortável em continuar essas amizades, o que incluiria a pessoa com quem você terminou. É preciso considerar que você precisará de maturidade e realismo para aceitar que, em algum tempo, a pessoa pode até aparecer na companhia de uma nova parceira.

E se quem levou o fora foi você?
Bem, respire fundo, tente compreender os motivos que a pessoa teve para terminar com você e inclusive pense se você não acaba concordando com eles e percebendo que, na realidade, a melhor coisa a fazer era terminar mesmo. Não se desespere, de um jeito ou de outro, você vai acabar superando, por mais doloroso que seja. Busque conforto com suas amigas, sua família, nos livros e passeios que te deixem com um ânimo renovado. Evite frequentar lugares que remetam ao ex-namoro e de maneira alguma se prenda a memórias afetivas que podem te fazer ficar mais triste: exclua a playlist que te faz lembrar da pessoa, troque as fotos com ela dos seus porta-retratos, não reveja filmes que vocês assistiram juntos, evite ler históricos de mensagens trocadas; enfim, não se coloque em situação de vulnerabilidade emocional. Dê tempo ao tempo e somente retorne aos poucos às coisas que vocês faziam juntos, nunca ultrapassando os limites do seu bem-estar. Uma ideia interessante é fazer uma cápsula do tempo, como foi ensinado aqui na Capitolina: coloque todos os objetos que você ganhou da pessoa, ingressos de cinema guardados, qualquer coisa que te faça lembrar dela e guarde em uma caixa, esconda-a ou peça para alguém escondê-la para você em um lugar que você não mexa com frequência e somente volte a elas quando se sentir pronta para isso.

 

Gabriella Beira
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Gabriella Beira é formada em Relações Internacionais e, como qualquer "internacionalista" (é assim que se chama a pessoa que estuda RI), quer conhecer o mundo todo e, se possível, mudar o mundo. Gosta muito de falar sobre educação, cultura, sociedade e feminismo, mas seu hobby mesmo é jogar Plants vs Zombies. É impaciente, procrastinadora, irmã mais velha e aluna mediana.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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