16 de abril de 2020 | Sociedade | Texto: | Ilustração: Kethlenn Oliveira
COMO O CORONAVÍRUS TEM AFETADO A VIDA NAS FAVELAS E PERIFERIAS?

Já é possível sentir o grande impacto da COVID-19 na nossa rotina. Prefeituras e governos estaduais estabeleceram uma quarentena visando reduzir os casos de transmissão e mortes causados pelo novo coronavírus. Além do isolamento social, a escala do transporte público foi reduzida e estabelecimentos comerciais como lanchonetes, restaurantes e shoppings, e qualquer outro comércio não relacionado aos cuidados médico-sanitários e abastecimento, tiveram seus alvarás de funcionamento suspensos. Todas essas ações foram tomadas com o objetivo de diminuir a circulação e aglomeração de pessoas.

Com a chegada do coronavírus, o simples ato de lavar as mãos se tornou um dever de casa mais que essencial. O álcool em gel passou a ser um item de necessidade básica, mas já é quase impossível comprá-lo em supermercados e farmácias, e, quando encontramos, o preço é caríssimo, muito mais do que algum dia foi devido à sua grande procura atualmente.

As medidas de prevenção citadas acima têm tido um grande efeito no nosso cotidiano e parecem ser simples. Entretanto, como essa situação atípica tem afetado os moradores de periferias e favelas? É certo os efeitos da pandemia na economia global, mas como isso tem chegado aos povos marginalizados?

O Brasil é um país marcado pela desigualdade social e não tem sido diferente em tempos de coronavírus. Muitas comunidades periféricas sofrem com o acesso precário aos serviços de saneamento básico e água tratada, o que dificulta a higienização adequada como recomendada pelo Ministério da Saúde e aumenta os riscos de transmissão do COVID-19.

Além disso, grande parte dos moradores das periferias são trabalhadores informais, como motoristas de app, entregadores, empregadas domésticas e vendedores ambulantes. Com as medidas de isolamento sociais propostas pelo poder público, como essa parte da população terá renda para sustentar sua família e levar comida para dentro de casa?

Medidas de apoio à população mais vulnerável estão sendo discutidas e anunciadas pelo Congresso, Senado e Presidência da República, como o aumento do Bolsa Família e um auxílio mensal de R$ 600 a R$1.200 para trabalhadores informais. Porém, poucas ações efetivas têm sido vistas. Algumas prefeituras do país estão distribuindo cestas básicas e até mesmo álcool em gel para sua população, mas ainda assim essas atitudes parecem ser insuficientes para aqueles que moram em periferias e favelas.

Também é importante garantir que chegue informação de qualidade para toda a população. É preciso dialogar e reforçar a importância e a urgência do momento que estamos vivendo, principalmente nas favelas. Nesse sentido, coletivos periféricos de todo o Brasil se organizaram e lançaram a Coalizão Nacional de Enfrentamento ao Coronavírus. Nas redes sociais, por meio da hashtag #CoronaNasFavelas, dados sobre o COVID-19 estão sendo divulgados, além de iniciativas de arrecadação de materiais de higiene pessoal e alimentos para as famílias mais carentes.

A pandemia que estamos enfrentando pegou a todos nós de surpresa, não dá para mentir. Nesse cenário de isolamento social e impactos na economia, é importante estarmos de olho principalmente na realidade das periferias e favelas. Não podemos deixar que a população periférica entre mais uma vez para as estatísticas de forma negativa como o grupo mais afetado por uma doença importada pela classe média/rica do país. A COVID-19 – ou coronavírus – afeta a todos nós. Sendo assim, todos devemos receber a assistência necessária igualmente para enfrentar essa doença.

Favela vive!

Amir Cardoso
    Metade de mim é curiosidade. A outra metade é revisão. Amante dos livros, esportes, música e podcasts. Nasci em 1994, sapatão, pessoa trans não-binária e preta. Bacharel em Letras pela UFMG, amo escrever, mas amo mais ainda revisar. Coleciono sonhos e livros não lidos.

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