27 de março de 2016 | Ano 2, Edição #24 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Como prender a atenção dos leitores da sua história
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Apesar de achar que não existe uma fórmula mágica de fazer com que todas as pessoas se apaixonem pela tua história, existem algumas coisas que podemos fazer que podem ajudar no caminho do sucesso.

Então, depois de muito pensar, chegamos à conclusão de que temos uma ideia que merece ser levada para frente. Agora precisamos pensar no meio em que vamos desenvolver essa ideia. Se essa ela será gravada, se precisa ser escrita dentro das regras de roteiro e depois contará com diversos recursos para ajudar a transmitir a mensagem. Se decidir escrever, podemos fazer um conto, um romance, um poema… São diversas as opções de escritas. Existem também as histórias contadas de forma oral, as matérias escritas nos jornais e revistas, etc. Cada opção vai lidar com prós e contras, então, na hora de escolher a melhor maneira, é preciso também pensar na finalidade da história e nas ferramentas que tu tens disponíveis.

Uma vez que sabemos como vamos contar essa história, precisamos dominar os meios. Por exemplo, se você quer fazer uma matéria investigativa de jornal é bom começar a ler esse tipo de matéria. Ver o que já foi feito e como foi feito, e certamente vai encontrar algum tipo de “guia prático” que vai lhe ajudar a cobrir pelo menos os pontos básicos de como contar o que tu queres.

Não é só importante conhecer como se escreve, mas entender também o tipo de público que se interessa por essas histórias. Antes de sair querendo fazer uma comédia romântica com seres de outros planetas que acabam aterrissando na terra durante uma chuva de meteoros, é legal saber o que o público que lê romances gosta e o que o público de ficção científica está acostumado a ler. Tenha referências, procure pessoas que tenham visões parecidas com as suas.

Dizem que antes de quebrar as regras, precisamos saber como jogar com as regras. Isso quer dizer que tudo bem seguir uma estrutura clássica e recorrer a dicas. Alguns podem argumentar que um final feliz numa história é um recurso simples, mas um final aberto ou abrupto também pode ser encarado como uma saída fácil.

Aí lidamos com outro problema: o público. Pessoas gostam de coisas diferentes. Sua mãe talvez prefira o final feliz do casal e seu amigo acha mais legal a protagonista morrer no meio do livro. E mesmo as pessoas que são mais abertas ainda vão encontrar alguma coisa que elas não gostam. Sugiro você mostrar a sua história para outras pessoas. Manda uma cópia para sua mãe, apresente sua ideia para aquele amigo que não sabe nada do assunto e para aquela outra amiga que sabe muito. Às vezes nos surpreendemos com o que as pessoas têm a dizer e conseguimos pescar pequenas coisas e pontos que passaram ilesos a nossa avaliação. Isso não quer dizer que precisamos acatar a tudo que ouvimos, mas não deixa de ser um experimento sempre interessante.

Não tenha medo de começar o rascunho do zero de novo e não se apegue a nada. Aquele personagem que tu gostas muito pode morrer em nome da narrativa. Às vezes precisamos fazer concessões em nome da boa história, principalmente quando estamos fazendo revisão e percebemos que certas coisas podem estar atrasando a história.

Deixem seus personagens ser quem eles devem ser. O mundo é cheio de nuances e as pessoas vivem de maneiras diferentes. Não se limite a contar histórias de bem e de mal, mas pense que o bem existe no mal e o mal muitas vezes guia o bem. Conheça não só seus personagens, mas o ambiente onde a história se passa, e não tenha vergonha em escrever coisas que não vão entrar no tratamento final, mas que te ajudam a contar a história.

Use outros recursos. Desenhe os personagens – mesmo que seja um romance, se isso for te ajudar a enxergar melhor as coisas. Escreva diários ficcionais da infância do teu protagonista. Visite um supermercado e observe os atendentes se tu queres contar a história de um empacotador. Encontre maneiras que te ajudem a organizar e te dar inspiração. Não leia apenas os bons exemplos, mas veja também o que as outras pessoas fizeram de errado. Veja os erros dos outros e evite cometer os mesmos, se possível.

Todas essas dicas são básicas e não precisam necessariamente ser seguidas. Nada te impede de quebrar as regras e ser bem-sucedido com isso, mas algumas pessoas gostam de começar por pontos seguros. Às vezes, mesmo que tu tenhas feito toda a lição, seguido todos os passos, feito o roteiro com uma história de começo, meio e fim, mostrando o conflito nas primeiras trinta páginas e o segundo ponto de virada entre o segundo e o terceiro ato, ainda existe a chance de tudo dar errado. As razões podem variar para o fracasso de uma história; algumas, mas nem todas, são culpa de seus autores. Só tentando para ter sucesso.

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Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

  • P. Godinho

    Ótimas dicas, mas faltou salientar que escrever matérias jornalísticas investigativas é tarefa para profissionais que se prepararam para isso, que cursaram Comunicação Social e têm habilitação específica em Jornalismo. Por favor, não desvalorize a profissão insinuando que qualquer um pode escrever matérias baseando-se em “guias” e “tutoriais”.

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