10 de novembro de 2014 | Ano 1, Edição #8 | Texto: | Ilustração:
Como se manter em movimento
Ilustração: Dora Leroy.
Ilustração: Dora Leroy.

Ilustração: Dora Leroy.

Sabe aquele papo de mãe de que a gente tem que sentar direito, passar menos tempo na frente do computador, sair no sábado enquanto ainda está sol lá fora, fazer uma atividade física, aprender a ver TV sem ficar toda torta no sofá, e assim por diante? Pois é, parece um saco, mas vou confessar pra vocês uma coisa: essa mãe sabe do que tá falando. Eu, que sou fã de dormir até depois de meio-dia no domingo e só trocar o pijama por outro pijama, que fiquei tão revoltada com ter que aprender a andar de bicicleta quando criança que realmente esqueci como se anda de bicicleta (sou a exceção que comprova a regra), que passo a enorme maioria das minhas horas ou na frente de um computador ou sentada com um livro (ou as duas coisas ao mesmo tempo), sou filha de uma professora de educação somática, crítica de dança, dramaturga de companhia de dança, ou seja, uma profissional (mesmo) em mandar as pessoas sentarem direito, se mexerem e cuidarem do corpo. O resultado disso é que fiz fisioterapia por anos pra cuidar da minha escoliose e da minha lordose, passei a vida fazendo algum tipo de exercício mesmo reclamando (capoeira, ballet, sapateado, por exemplo), fui arrastada pra praia até o dia em que passei 100% do tempo sentada debaixo da barraca relendo Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban de cabo a rabo pela sei-lá-qual vez e insisti pra voltar pra casa, e aí hoje em dia eu adoro piqueniques e dias ensolarados, não sofro de dores terríveis na coluna, estou tentando reaprender a andar de bicicleta e não só vou à academia como fico triste quando algo me impede de ir.

Esse parágrafo gigante é só pra dizer que, sim, vou encher o saco aqui pra vocês se mexerem e saírem da frente do computador e sentarem direito pra não dar dor nas costas. E ainda vou fazer isso com a ajuda da tal especialista no assunto – minha mãe – e do programa de rádio que ela tinha. Mas pode deixar que não é uma insistência pra vocês colocarem leggings e tênis de corrida e irem pra academia agora mesmo neste instante. A ideia é dar umas dicas de como vocês podem fazer alguns exercícios superfáceis em casa mesmo, e como podem se manter em movimento ao longo do dia. Lembrando que o primeiro passo pra tudo isso é tentar prestar atenção em como você se movimenta no dia a dia: tanto nos seus hábitos de rotina, como na forma com que você usa seu corpo pras coisas – como você pega coisas quando derruba no chão (se curvando, agachando, pegando com o pé?), como você alcança coisas numa prateleira mais alta (na ponta dos pés, esticando muito o braço, dando pulinhos, desistindo de tudo e subindo num banquinho?), como é a sua postura quando você está sentada vendo televisão (prefere nem sentar, só deitar no sofá mesmo, ou fica naquele estado meio sentado e meio deitado?), e assim por diante.

Inserindo movimento na rotina

Tem gente por aí que praticamente não se move o dia todo – sai de casa, entra num carro ou ônibus, vai pra um lugar de estudo ou trabalho em que fica sentada até o dia acabar, entra no carro ou ônibus de novo, chega em casa e aí, puf!, de volta pro sofá. Se você sente que tá numa situação parecida, tem uns jeitos de inserir um pouquinho mais de movimento na tua rotina.

1. Escadas!

Eu moro no terceiro andar num prédio sem elevador; ou seja, eu necessariamente subo e desço escadas todos os dias para poder sair de casa. Acabei criando o hábito das escadas, então mesmo na faculdade eu ia pras salas de escada em vez de elevador (até porque os elevadores sempre tinham fila e estavam cheios, e por alguma razão sempre tinha alguma pessoa ouvindo música muito alto no fone e aí a música ficava grudada na minha cabeça por horas), e sou uma dessas pessoas irritantes que sobem andando mesmo na escada rolante. Mas, mesmo se você tem elevadores à sua disposição, subir e descer escadas é uma boa forma de mexer um pouco os músculos das pernas, porque é um movimento diferente do feito só por andar em uma superfície reta. Não que você precise subir as escadas até o décimo andar todo dia, mas que tal pegar o elevador até o nono e aí subir o último de escada, por exemplo?

2. Se locomover a pé

Óbvio que tudo depende da tua rotina, do quão perto você mora da escola, da faculdade ou do trabalho, das casas de parentes e amigas, e dos lugares que você frequenta. Eu fiz o ensino médio num colégio pertinho de casa, então ia e voltava a pé todos os dias (não tinha nem jeito de pegar um ônibus pra fazer o caminho, e juro que as voltas no trânsito numa carona de carro demoravam bem mais do que só andar); acabei indo fazer faculdade também relativamente perto, e quando estudava à tarde gostava de andar de volta pra casa depois da aula das 17h (quando passei a estudar de manhã a preguiça bateu, porque o sol de 13h na minha cabeça me desanima). Mas mesmo se você mora longe de tudo e todos, só saltar do ônibus um ponto antes, ou ir pegá-lo num ponto mais distante, pode ser uma boa – obviamente, levando em conta seu conforto e segurança (eu, pessoalmente, gosto de pegar ônibus num ponto mais longe da minha casa porque ele é mais tranquilo e seguro do que o mais perto, mas às vezes o inverso pode ser verdade). E se você, diferente de mim, sabe andar de bicicleta direito – ou de patins, ou de skate, ou daquele micro skate super neon que eu vejo uma galera usando no calçadão –, aproveite para ir para os lugares assim! Além do mais, é super ecológico.

3. Fazer pausas para dar uma volta

Como eu já falei, a gente às vezes passa muito tempo sentada – estudando, trabalhando, mexendo no computador. Só que é legal fazer uma pausa de vez em quando, dar uma voltinha, espreguiçar, olhar pra outra coisa que não o caderno, o quadro negro, o monitor. É uma boa criar uma rotina de pausas. Eu, por exemplo, me habituei a sair do trabalho para comprar um lanchinho entre a hora do meu almoço e o fim do expediente. Aí, mesmo quando não tô com fome, ou tô sem dinheiro pra gastar, levanto na hora que seria a do meu lanchinho, pego um copo d’água, dou uma passeada no escritório, às vezes desço pra ir na livraria do lado por uns minutinhos… Na faculdade ou na escola, uma boa é fazer isso entre aulas, ou aproveitar bem a hora do intervalo. Em vez de só ficar sentada esperando a próxima aula, ou passar o recreio todo no refeitório, tente dar uma passeadinha pelo lugar, olhar pro lado de fora, relaxar um pouquinho.

Exercícios para fazer em casa

Se você quiser tirar uns minutos do teu dia para alongar, relaxar e cuidar do seu corpo um pouco, esses exercícios são uma boa pedida. Podem ser feitos ao acordar, antes de dormir, ou quando você repara que já está sentada na mesma posição no mesmo lugar faz tempo demais.

1. Automassagem

Para descansar se mantendo em movimento, especialmente naquele momento em que dá vontade de espreguiçar porque você está parada faz umas horas numa posição meio desconfortável. O passo a passo é super simples: pegue uma bolinha de tênis (ou outra bola semelhante: não muito grande, e relativamente dura), fique em pé, de costas para uma parede, e coloque a bolinha entre você e a parede. Aí agora é só pressionar as costas contra a parede, com a bolinha no meio, e ir mexendo seu tronco pra bolinha te massagear. É um alívio enorme quando a bolinha massageia os pontos que são mais travados e doloridos (pra mim, é o ombro direito, que dói à beça por causa das horas que passo no computador). Você pode, também, fazer um esquema parecido mas ainda sentada, com uma massagem para os pés. É só pegar a mesma bolinha, tirar o sapato, e botar ela sob o pé – aí, mesma ideia de com as costas: fazer leve pressão com o pé contra a bolinha, mexendo de um lado pro outro pra ir relaxando aos poucos.

2. Exercitar as mãos

O quanto você usa as mãos no dia a dia? Muito, né? Assim, quase o tempo todo? Por isso mesmo, é super importante cuidar delas e exercitá-las também. Um jeito superfácil de fazer isso é usando um elástico (de papel ou de cabelo, tanto faz): com os dedos esticados, feche a mão, juntando os dedos (fazendo meio a forma de uma tulipa, sabe?), e coloque o elástico em volta dos dedos; tente, então abrir e fechar a mão, fazendo força contra o elástico, de cinco a dez vezes. Não deixe de repetir com a outra mão!

3. Trabalhar a mobilidade

Se você tem controle motor total sobre as pernas, e se locomove andando, pode parecer meio desnorteador tentar se locomover sem usar os pés. Mas também pode ser uma boa para trabalhar outras formas do nosso corpo se movimentar. Para testar, faça o seguinte: sente no chão, com uma roupa bem confortável, as pernas esticadas à frente, e o tronco reto, se equilibrando nos ísquios (os ísquios são aquelas pontinhas no fim dos ossos da bacia; sabe, aqueles ossinhos que você sente na bunda quando senta bem reta?). Tente andar para a frente, mas se apoiando nos ísquios, sem usar os pés ou as pernas. É bem mais difícil do que parece, mas te dá uma percepção totalmente diferente de como nosso corpo funciona!

4. Proteção contra o verão

É novembro, então o Brasil todo já tá ficando quente pra caramba. E, nesses dias de sol escaldante do Rio de Janeiro, eu acabo ficando com dor de cabeça de tanto cerrar os olhos pra enxergar quando por acaso esqueci os óculos escuros (o que é raro, mas acontece). Para aguentar ficar de olhos abertos quando chego em casa depois de um tempo na rua nesses dias, esse exercício é uma boa: primeiro, você tem que entrar no cômodo escuro (o mais escuro que você conseguir; feche a porta, as janelas, o que der); aí, é só fechar os olhos e cobri-los com as mãos em concha, pra tudo ficar mesmo muito escuro, e tentar relaxar o rosto – especialmente a testa, que fica super tensionada nesses momentos (daí a dor de cabeça) –, mexendo os olhos lentamente pra esquerda e pra direita, pra esquerda e pra direita, pra esquerda e pra direita, até você sentir que está bem mais relaxada. Mas não esqueça de tomar cuidado quando for abrir os olhos e voltar para um lugar iluminado! Tente fazer a transição com tranquilidade, abrir os olhos devagar, abrir a janela aos poucos, em vez de abrir os olhos de uma vez e acender uma luz super forte.

5. Proteção contra o verão #2

Outro efeito colateral do verão carioca? Excesso de uso de Havaianas, porque é impossível usar sapato fechado sem sentir os pés suando. Só que o aparente conforto de usar chinelos na verdade é péssimo para nossos pés, então esse exercício é uma boa pra fazer no fim do dia, quando você pode finalmente ficar descalça, pra não sentir dor no dia seguinte: apoie os pés descalços no chão, e tente, devagar, aproximar os dedos do pé do calcanhar, que nem se você estivesse tentando “fechar” o pé. Se você está tendo dificuldade ou desconforto demais com esse exercício, uma versão mais fácil é pisar numa toalha, num tapete de banheiro, ou em outro tecido do tipo, e tentar pegá-lo e amassá-lo usando os dedos do pé, soltando e pegando de novo, algumas vezes.

6. Exercício musical

Sabe quando você está muito estressada, ou louca pra chorar, ou com muita dor de cabeça, e só focar na respiração, respirar fundo e com calma, te ajuda a ficar mais tranquila? Esse exercício é outra forma de fazer isso. Para começar, deite no chão, de barriga para cima, com as pernas esticadas. Aí, comece a batucar, com a ponta dos dedos, de uma ponta à outra do osso esterno – aquele osso entre os seios. Em seguida, batuque também na clavícula direita, com os dedos da mão esquerda, e na clavícula esquerda, com os dedos da mão direita. Pare, relaxe os braços ao lado do corpo, e respire. Se quiser, repita o exercício, e compare a respiração.

Esses são alguns dos meus exercícios favoritos pra relaxar e manter meu corpo em movimento no meu dia a dia, e espero que eles sejam úteis para vocês também. Se tiverem algum exercício do tipo que costumam fazer, contem nos comentários! E, se quiserem algum exercício desse tipo pra algum desconforto mais específico, podem perguntar, talvez eu saiba dar uma recomendação!

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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