4 de julho de 2014 | Edição #4, Ensaio fotográfico | Texto: | Ilustração:
Como ser turista na própria cidade

Andar pela própria cidade sentindo-se um turista pode ser um jeito muito legal de viajar sem ir pra longe de casa.

Nasci e moro hoje em dia na mesma cidade. Cresci no mesmo bairro que minha mãe e meus tios. De perto, vi mudanças e continuidades. A padaria da esquina é a mesma desde que me conheço por gente, as feiras às terças e aquelas de sábado, as linhas de ônibus, as escolas onde estudei… Tá tudo assim, mais ou menos igual. Algumas casas foram para baixo, uns vizinhos se mudaram, prédios surgiram.

Mesmo assim, andando por aí, consigo encontrar espaços novos nessa cidade e me surpreender (às vezes, são novos só pra mim).

Em muitas férias da escola meus amigos iam viajar e eu tinha que ficar em casa. Então, pra essa edição da Capitolina, pensei: “Será que a gente precisa ir pra longe pra ser viajante?” E fui em busca da experiência de ser turista nessa cidade que já conheço há um tempão.

Foram três passos:
1. Olhar a própria rotina prestando atenção a detalhes que nunca tinha percebido;
2. Ir a um lugar desconhecido;
3. Sentir-me estrangeira.

Eu segui esses passos da seguinte maneira: peguei um ônibus que passa por lugares para onde costumo ir e comecei a reparar em o que era novo ou surpreendente (1). Depois, cheguei a um parque que eu não conhecia e que fica em uma região da cidade que eu não frequento (2). No dia seguinte, cheguei ao último passo (3), visitando a feira da comunidade boliviana no centro de São Paulo.

É claro que morar numa cidade gigante com um montão de habitantes ajuda. Mas será que esses passos não podem ser úteis em outros lugares? Que tal experimentar viajar sem precisar fazer a mala?

Bárbara Carneiro
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Ilustradora
  • Fotógrafa
  • Colaboradora de Esportes

Bárbara Carneiro mora em São Paulo, curte narrativas cíclicas, tem como gosto mais constante a cor amarela e cria um cacto no jardim.

  • Lohan

    Uma dica pessoal: faça trajetos (até o que você está acostumado) de bicicleta ou, se possível, a pé. A quantidade de coisas que conheci da própria zona norte do Rio de Janeiro – em que eu vivo a 23 anos e achava que conhecia de tudo – e dos bairros próximos ao meu é incrível. Barracas de lanches, lojas, casas, fachadas lindas, pinturas na parede, tudo. É sempre o melhor jeito de se conhecer uma cidade. (ah, e desvie trajetos também, invente caminhos até para os mesmos destinos de sempre)

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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