7 de janeiro de 2019 | Ano 5, Edição #45 | Texto: and | Ilustração: Gabriela Sakata
Como ter esperanças em meio a um cenário tão sombrio?

2018 foi um ano emocionalmente difícil para muitas pessoas. Começou com a morte da vereadora Marielle Franco e terminou com uma eleição em clima fúnebre. Isso certamente afetou a psiquê de muitas de nós, e deu aquele sentimento de desespero, com a sensação de que não conseguiríamos ver a luz no fim do túnel. Para ajudar com isso, nós criamos essa lista com notícias, projetos e empreitadas positivas para 2019, para nos ajudar a ter força para lutar e seguir em frente.

Política

1 – PEC da mordaça foi rejeitada

Em 11 de dezembro, o projeto de lei que visava uma educação “apolítica” — mas que em muitos aspectos lembrava as medidas tomadas durante a ditadura para silenciar pessoas contrárias ao regime — foi engavetado até o início do próximo mandato dos deputados e a partir dali poderá ser discutido de novo.

2 – Tabata Amaral

Eleita como deputada federal aos 24 anos em São Paulo, Tabata é um caso excepcional: vinda da periferia de São Paulo, ela acabou ganhando uma bolsa de estudos em Harvard e hoje em dia luta pela educação universal de qualidade.

3 – Joênia Wapichana

Eleita deputada federal de Roraima, Joênia é a primeira mulher indígena a ser eleita para a Câmara dos Deputados.

4 – Erica Malunguinho

Apesar dos chocantes níveis de violência contra a população LGBTQ+ no Brasil, Erica foi eleita a primeira deputada estadual negra e transgênero.

5- Vira voto

Em meio às eleições presidenciais, o movimento em busca da virada eleitoral de Fernando Haddad em cima de Jair Bolsonaro, e em defesa da democracia, saiu da internet. Pessoas foram às ruas do Brasil inteiro, impulsionadas por uma corrente chamada “vira voto’’. Uma conta no Instagram reúne relatos e depoimentos emocionantes que, apesar de não terem influência no resultado que gostaríamos, mostram o quando ainda somos capazes de nos mobilizar e resistir.

6- Cotas, diversidade e inclusão

UEMS

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul aprovou a resolução que prevê cotas na pós-graduação, pela política de ações afirmativas, para pessoas negras (pretas ou pardas), indígenas, quilombolas, com deficiência, travestis e transexuais. A instituição, inclusive, já recebeu o prêmio nacional “Camélia da Liberdade”, oferecido em reconhecimento a instituições que têm políticas de inclusão para pessoas negras.


UNEB  

A Universidade do Estado da Bahia irá disponibilizar vagas com cotas para transexuais, travestis, transgêneros, ciganos, quilombolas, pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades. A medida irá valer a partir de 2019 para os cursos de graduação e de pós-graduação. Muito bacana, né?

UFBAC

A Universidade Federal do ABC aprovou  a política de reserva de vagas de ingresso na graduação para pessoas transgêneras. Serão reservadas 1,5% do total de vagas, (um número baixo, mas que com certeza é um primeiro passo importante). Isso se traduz em 32 vagas já para o próximo edital.

7- Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil

Entre os dias 6 e 9 de dezembro, todos os caminhos nos levaram a Goiânia. O evento marcou os 30 anos do primeiro encontro nacional, um símbolo do empoderamento das mulheres negras que todos os dias precisam provar que existem e resistem. Esses dias foram recheados de debates a respeito da violência, bem viver e estratégias de enfrentamento ao racismo

8- X Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as – X COPENE

Aconteceu em outubro deste ano em Uberlândia-MG e foi um espaço de resistência, divulgação e articulação de produção científica dos pesquisadores negros para temas relacionados à população negra, sob a perspectiva do diálogo entre os povos africanos e da diáspora.


Internet

9 – Anticast e Mamilos

Dois podcasts maravilhosos para se manter antenada no que acontece no mundo em relação a política, economia, história, direito, cultura, e muito, muuuito mais. Tudo feito de maneira leve, divertida e com a intenção de serem fontes de informação que vão à contramão do governo vigente a partir deste ano.

10 – Outras Mamas

Um outro podcast sobre a relação entre feminismo e veganismo. Não é o assunto principal que elas cobrem, porém: há também discussões sobre consumo, saúde feminina, história e tudo o que diz respeito a existência das mulheres.

11- Pode Me Chamar

Segundo eles mesmos, “um projeto transmídia sobre artistas transformistas de Belo Horizonte, MG”. Perfeito para conhecer de dentro pra fora a vida de drags, artistas que performam na noite mineira, e muito mais.

Projetos maneiros

12 – Arquitetura na Periferia

Visando mudar o déficit de moradia nos arredores das cidades, um grupo de mulheres arquitetas começaram um projeto onde ensinam para outras mulheres como construírem suas próprias moradias. O objetivo é alcançar m nível de autonomia em relação às residências.

13 – PyLadies

Um projeto feito por mulheres programadoras para ensinar a linguagem Python para outras mulheres. Ele existe em todo o Brasil, então vale checar o que o grupo de PyLadies da sua cidade anda fazendo!

14 – Razões Para Acreditar

Sabe aquele dia em que nada parece dar certo e que você se pergunta qual o limite da maldade e desamor humanos? A página “Razões para Acreditar” está aqui pra te lembrar que basta uma simples rolagem na página para que você seja lembrado de que sim, ainda há muito amor no mundo e que, sim, ainda há razões para continuar acreditando num mundo melhor.

E lembre-se: tudo bem tirar um tempo para si, para o seu autocuidado e para poder, de fato, tentar digerir tudo que vivemos em 2018. Se necessário, busque apoio profissional e esteja perto de quem você ama. Reestruture-se e se fortaleça. Precisaremos disso, agora mais do que nunca.

A gente não pode continuar esse texto te prometendo nada, a gente não pode te dizer que este ano não será tão ruim quanto imaginamos, porque isso seria uma grande mentira. E que bem de fato faria? Mas, estamos aqui pra te contar duas coisas: 1º: Não, você não está sozinha. E 2°: Para cada acontecimento ruim, houve também uma coisa quentinha capaz de aquecer nossa esperança.

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

Nicole Ranieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Vlogger

Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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