16 de janeiro de 2016 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Competição feminina

Este texto é um apelo. Lembrando sempre que a culpa não é nossa, e sim de uma sociedade inteira que nos diz desde sempre o que fazer e como agir.

Quando me descobri feminista conheci a palavra sororidade. O significado dela, segundo o site dicionário informal, é “o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo.”Ou seja, é necessário ter empatia com todas as mulheres, não importando se eu as conheço ou não. Não amor, mas sim ajudar, estar junto. E o mais importante de tudo: entender que a sociedade inteira cria todas as mulheres a serem competidoras entre si, não irmãs.

As falas“muita mulher junta dá fofoca”e“mulher não é amiga de mulher”mostram bem este tipo de pensamento entranhado entre a gente desde sempre. Ter amigo homem, na minha adolescência, era uma espécie de troféu, já que mulher é bicho ruim, não dá para confiar. Sempre desconfiamos das outras, querendo ser melhores e competindo — sim, porque isso é uma batalha com quem deveríamos nos unir.

Mesmo feminista, ainda caio na besteira de olhar a nova mina de um ex e pensar “eu sou mais bonita do que ela, hein?”. Há uma música que gosto muito dos anos 00 que se chama “Don’t Cha”, das Pussycat Dolls. No refrão, Nicole (a vocalista) canta “Você não queria que sua namorada fosse gostosa como eu? Você não queria que sua namorada fosse maluca como eu?”. A comparação com a outra tem esse fundo, uma espécie de autoestima disfarçada de insegurança. Queremos sempre ser melhores do que as outras, mas a troco de quê?

Não é apenas em relação a homem. É amizade, no emprego, família. Estamos sempre competindo. Sempre gritando uma para as outras, sempre nos chamando de putas e piranhas. Sempre nos colocando a culpa se tem um emprego melhor, ganhando mais, tendo um namorado bonito. Sempre prontas a falar mal apenas por falar mal.

Eu venho aqui para dizer a todas que não devemos competir, devemos nos unir. Sim. Se a menina é boa aluna, caraca, que bom, parabéns! Isso não significa que você não seja. Se seu ex arrumou uma namorada que para ti não é tão bonita, tudo bem, isso não faz com que ela seja uma má pessoa. Se a sua amiga está ganhando destaque com o que está fazendo, cara, que ótimo! Ela merece isso mesmo!

Tem espaço neste mundo para ela, para você e para todas as minas, Unidas somos mais fortes. Se tiver uma miga que diz que sofre tal coisa, compreenda e abrace. Se ela disser alguma besteira, repreenda, ensine. Saiba por que esta mina te causa isso, entenda sua segurança. Precisamos ter sim sororidade com as outras. Isso inclui mãe, avó, a caixa de supermercado, sua melhor amiga. Ter paciência, não competir. Abraçar e ajudar. É algo difícil, eu sei bem. Mas é uma lição que precisamos aprender em 2016.

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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