3 de fevereiro de 2015 | Edição #11 | Texto: | Ilustração: Helena Zelic
Comun(idade)

Pensar em comunidade geralmente significa pensar em um grande número de pessoas juntas. Afinal, nós podemos definir a palavra como um grupo de pessoas que possuem algo em comum: seja um gosto específico, um costume diferente ou experiências parecidas com as nossas. Muitas vezes, as pessoas que fazem parte da nossa comunidade são aquelas que estão mais próximas de nós; talvez não em um sentido físico (vocês podem ou não morar perto), mas em um aspecto emocional. A nossa comunidade é formada por aquelas pessoas que nos entendem por completo, que compartilham os mesmos interesses e que se identificam com muitas das coisas pelas quais nós passamos. Essas pessoas que estão mais próximas de nós geralmente são nossos amigos; afinal, esses foram os seres com quem você se identificou tanto, tanto, que conseguiu criar um vínculo afetivo e especial!

Nossos amigos não precisam ser muitos. Nós podemos ter um grupo fixo de algumas pessoas ou, às vezes, um/a melhor amigo/a já basta e essa é a comunidade que criamos para nós. Curiosamente, esses amigos geralmente possuem algo em comum: a idade. Basta abrir sua lista de amigos do Facebook para perceber que as pessoas com as quais você mais se relaciona costumam ter a mesma idade que você. É natural; nós criamos vínculos com outras pessoas principalmente em ambientes de frequente socialização, como a escola e a universidade. Em salas de aulas, durante o recreio, as pessoas perto de nós geralmente possuem a mesma idade. E a nossa idade diz muito sobre quem nós somos e sobre a comunidade a qual pertencemos.

Hoje em dia, eu sei que a maioria dos meus amigos têm Facebook, talvez Instagram. Isso nós torna parte de uma comunidade que é totalmente ligada em redes sociais. Ser uma criança nos anos 90, por exemplo, diz muito sobre a pessoa que você é. Nós todos passamos por tendências em comum por vivenciarmos certa época com certa idade. E, por isso, criar vinculo com uma pessoa que possui a mesma idade que você é muito mais fácil.

Às vezes, comunidades podem se transformar em uma grande pedra no caminho. Nós criamos um bloqueio natural a pessoas que não pertencem a nossa comun(idade). Viver muito com a cabeça na nossa geração, por exemplo, nos faz esquecer que existem outras gerações por ai, habitando o mesmo mundo que a gente. Tente fazer o exercício contrário, quantas pessoas do seu Facebook são mais velhas ou mais novas do que você?

O que esquecemos é que muitas pessoas podem não possuir a maioria dos nossos interesses em comum (não precisamos ser melhores amigos de todo mundo), mas conversar com pessoas de idades diferentes pode ser uma experiência e tanto. Sua avó, por exemplo, pode não saber o que se passa no mundo de Game of Thrones, mas ela pode nutrir a mesma paixão por cozinha que você. Sua irmãzinha pode não entender tudo sobre desilusões amorosas, mas ela sabe consolar uma pessoa e contar ótimas piadas para te colocar num bom humor. A aproximação com pessoas interessantes de idades diferentes não depende de mais ninguém além de você mesma. Nada te impede de puxar assunto com aquela professora legal de física, conversar com o velhinho lendo um livro legal na biblioteca ou brincar de pular corda com as crianças na praça. Não existe essa de “isso é pra tal idade”, nós não devemos ficar fechadinhas no nosso mundinho. Expandir nosso universo, criar novas e espontâneas comunidades é um ótimo desafio.

 

Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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