12 de outubro de 2015 | Ano 2, Edição #19 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Conectar é expandir

O mundo é feito de muitas coisas. Tem milhões de tipos de gases, elementos químicos tóxicos e outros que são essenciais para a nossa sobrevivência, as moléculas mais minúsculas, as construções mais impressionantes. Tem todo o tipo de combinação; junções que fazem seres humanos, cachorros, baleias, tucanos, paredes, amebas, livros, pedras, árvores, nuvens. Tem ser vivo e ser não vivo, tem muita coisa maneira e, no meio de tudo isso, tem também energias.

Muita gente acha que essa história de energia é bobagem – e eu fui uma dessas gentes por muito tempo, até que chegou um ponto da minha vida que ignorar as energias que estavam no mundo me fazia mais mal do que bem. Acontece que quando você começa a sentir essas energias, fica difícil de ignorar. Não é vibe, não é humor da galera, não é tensão, não é religião: é energia. E ela está em todo o lugar, em todas as coisas, emanando por todo o canto. Ela é uma coisa física, você sente. Não me surpreenderia em nada se todas essas energias tiverem fórmulas reais cheias de letras e números elevados ao quadrado ou cubo e a ciência só não tenha descoberto porque ela decidiu brigar com a sensitividade muitos anos atrás.

Mas eu não estou aqui para explicar o que são as energias, muito menos para convencer pessoas que não acreditam na existência delas que isso é um equívoco. Vocês acreditem no que quiserem. Agora, quem quer acreditar nas energias, quem as sente e quem quer expandir essa percepção, vemk, vamos conversar.

Para escrever essa pauta, conversei com um montão de gente, perguntando como cada uma se conectava com essas energias, quais as dificuldades que tinham, como expandem esse sentimento. Com tantas conversas, cheguei a algumas conclusões e dicas que passo aqui para vocês!

  1. Conectar é expandir

Talvez seja meio óbvio, mas muitas vezes nos esquecemos disso. Conectar-se, com o que quer que seja, é também uma forma de se expandir. Quando juntamos dois legos, temos um bloco maior. Quando entramos na internet, acessamos milhares de mundo. Quando nos conectamos com uma pessoa, ela se torna uma parte nossa, uma espécie de extensão. Se conectar tantas coisas é também as expandir, por que isso também não valeria para as energias? Pois bem, vale sim! Vale tudo! (Vale também dançar homem com homem e mulher com mulher.)

Então vamos lá! Você está lá com a sua energia interior. E o mundo está do seu lado com as energias dele. É hora de se conectar! Mas como? Existem tantas, mas tantas opções que fica mesmo difícil de dar uma ou duas dicas. Cada pessoa encontra sua forma de se conectar com outras energias. Tem gente que gosta de colocar música bem alto e deixa-la fluir pelo corpo, como se estivesse dentro d’água, como se os movimentos viessem da música não do próprio corpo. Tem gente que gosta de deitar na grama, de barriga pra cima, palmas da mão viradas para a terra e sentir suas energias criando raízes ao mesmo tempo que o sol bate em seu rosto e expande tudo de bom que há dentro de si. Tem gente que gosta de meditar, de colocar um podcast que guia visualizações e se deixar levar por isso. Todo mundo encontra seu jeitinho de se conectar com outras energias – inclusive, a Sofia juntou algumas dicas dos amigos dela aqui –, qual será o seu?

  1. A natureza é enérgica

Apesar de cada pessoa ter uma forma de se conectar com as energias do mundo, a maioria das respostas sempre envolveu um padrão: entrar em contato com a natureza.

Mergulhar no mar, ficar descalça na grama, deixar a água da cachoeira passar por você, abrir os braços de frente ao sol, sentir o vento bater forte no rosto e fazer os cabelos dançarem, sentir a chuva cair e te ensopar enquanto você fica de braços abertos pro céu. Tudo isso são formas que as pessoas encontram de se conectar com as energias do mundo. Tudo isso é também se inserir na natureza. Deixar por um momento o lugar na cidade, na comunidade, na civilização em que se está inserida e ser apenas você e o mundo, juntos, uno.

  1. Você também é terra

Não, não estou falando de que do pó viemos e ao pó voltaremos. Estou falando desse sentimento de ser natureza.

Estamos tão acostumadas em viver nessa tal civilização (que pode ser comunidades grandes ou pequenas, cheias de prédio e asfalto ou com casinhas do ladinho do mato) que muitas vezes nos esquecemos que antes de sermos quem somos, seres únicos e complexos, somos poeira estrelar, parte intrínseca do universo. Somos terra, ar, água, fogo, raios solares e pedras estáticas. Dentro de nós, tudo isso se mistura e forma nossa própria energia, nos faz parte da natureza.

  1. Não é uma questão de concentração, é uma questão de harmonia

Uma das coisas que mais comentaram comigo sobre a dificuldade de se conectar com as energias é o problema da concentração, a qual é importante para certas práticas como meditação. Basicamente a maior questão é que é muito difícil ficar sem pensar em nada. E eu concordo. Você tenta focar em um ponto ou na fala calma das instruções que você baixou na internet, mas de repente se pega pensando em tudo o que tem que fazer ou em ideias mirabolantes para um novo projeto pessoal e todo aquele esforço de não ter nada na cabeça foi por água abaixo. Mas a verdade é que, para se conectar com as energias do mundo, você não precisa de concentração. É uma questão de entrar em harmonia com a natureza, com o que está a sua volta.

Todos os exemplos que dei aqui têm a ver com isso. É deixar-se levar. Seja pela música, pela água, pelo vento, o que quer que seja. O negócio é respirar fundo e abrir seus sentidos. Um exercício que gosto de fazer é fechar os olhos, respirar fundo e tentar sentir o ambiente. O que ele está te passando? Que energia é essa? Você não precisa nomear, mas deixar o em torno te penetrar e, aos poucos, se alastrar pelo seu corpo até sua respiração estar no mesmo ritmo que o mundo lá fora. Nesse momento, vem aquela sensação de plenitude: você está em harmonia com o mundo.

Mais do que uma visualização, conectar-se com as energias do mundo é uma questão de percepção. É você conseguir sentir o que está em volta e decidir se você quer que essas energias também se tornem parte de você ou se aquilo que está a sua volta te faz mal e o melhor é se fechar. Os dois casos podem acontecer. O importante é estar atenta ao que te deixa bem e deixar que esse sentimento te guie, passe por você, te deixe mais leve e, então, finalmente, viver a união entre você e o mundo.

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

  • Bruna Pereira

    Adorei o texto! Eu nunca tinha parado para pensar e aprender sobre energias, mas gostei do jeito que você abordou 🙂 Acho que mais posts assim seriam ótimos!

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Adoro esse assunto de energias, tento sempre me conectar com o mundo ao meu redor

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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