20 de novembro de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Conhecendo artistas negras
artenegra

Ilustração por: Helena Zelic

Texto de Paula Gomes e Stephanie Ribeiro

Quais são as suas artistas preferidas? Isso mesmo, artistas mulheres, quais? Consegue fazer uma lista rápida, independente da área? Desenhistas, escritoras, cantoras, pintoras, fotógrafas, enfim… até que é fácil, se pensar com carinho, não é?

Certo. E as artistas negras? Sim, as negras. Quantas você gosta, quantas conhece?

Já parou para pensar que é relativamente pequeno o nosso conhecimento em relação a essas mulheres? Se restringirmos só às brasileiras, então, menos ainda – apesar de termos uma enorme população negra em nosso país.

Pois é, infelizmente é mesmo minúsculo o nosso conhecimento, mas não por falta de representantes, de maneira alguma, e sim por falta de visibilidade, falta de atenção da nossa parte e de todas as instituições que pensam, criam e veiculam arte.

A invisibilidade negra existe das mais diversas formas: quando não vemos negros protagonizando novelas e filmes, apresentando programas, e também quando livros como  os da escritora Carolina Maria de Jesus não são considerados literatura básica “de vestibulares”, mesmo sendo trabalhos de referência, tanto da arte, como de denúncia do racismo institucionalizado.

Entender essas barreiras racistas é necessário, e para que isso aconteça é preciso dar legitimidade para nós, as mulheres negras. Nosso trabalho, nossa arte e nossa voz se entrelaçam para nos ajudar, empoderar e fortalecer.

Já sabemos que se depender da mídia tradicional nunca teremos acessos a essas artistas. Por isso, depende de nós ir atrás e valorizá-las.

E pra ajudar nessa busca, vamos dar um empurrãozinho que pode ajudá-las a começar e instigar a procurar mais. Aqui vai uma listinha de algumas artistas negras incríveis, cada uma à sua maneira mostrando seu amor à arte e sua luta. Sem dúvida vocês não irão se arrepender.

chimamanda

 Chimamanda Adichie

Escritora nigeriana de 37 anos, vencedora de prêmios como o Orange Prize for Fiction (um dos prêmios literários mais prestigiados do Reino Unido)  e o Commonwealth Writers, Chimamanda retrata em seus livros mais do que histórias típicas africanas. Sua escrita mostra a sua realidade, compondo com profundidade as características de seus personagens – que possuem sua cultura, mas que não são resumidos a uma única história e muito menos trabalhados com um tratamento “exótico”. Chimamanda nos mostra que as histórias africanas vão muito além do achamos que conhecemos, e podem ser tão mais próximas e ricas em detalhe e história do que imaginamos – um continente além da pobreza e das paisagens.

tati mc ludmilla

De Tati a MC Ludmila

 Duas cantoras de funk, mulheres e negras. A primeira, Tatiana dos Santos Lourenço, a Tati Quebra Barraco. Ficou conhecida em meados dos anos 2000 quando começou a se destacar no meio com suas músicas que, sim, tem muitos palavrões, mas que colocaram a mulher como sujeitas de suas próprias vidas. É importante falar da Tati pois ela é precursora e abriu portas para meninas como a MC Ludmila, conhecida primeiramente como MC Beyoncé, que hoje é um sucesso com suas músicas Hoje e  Sem querer. Sua carreira teve um up esse ano e com certeza ela será cada vez mais diva do funk.

Infelizmente, sabemos que até no meio do funk, um ritmo negro, o racismo dita regras e moças que estão mais próximas do padrão europeu tendem a ter mais visibilidade. Porém, desde a chegada da Tati, parece que algumas coisas mudaram e a MC Ludmila é uma esperança, de 19 anos e muito talento para compor, criar rimas e ritmos.

cristiane sobral

Cristiane Sobral

 Poetisa, atriz, escritora, crítica teatral, cantora e professora. Foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília. Como escritora, possui poemas e contos publicada na Antologia Cadernos Negros, edições 23, 24, e 25. Seus textos tratam do assunto racial, somado ao importantíssimo recorte de gênero, pautas essas que muito empoderam a nós, mulheres negras.  Um de seus poemas, intitulado Não vou mais lavar os pratos, se inicia assim: “Nem vou limpar a poeira dos móveis / Sinto muito. Comecei a ler”.

 raquel trindade

Raquel Trindade

Fundadora do Teatro Popular Solano Trindade, da Nação Kambinda de Maracatu, uma das criadoras do movimento de Artes da Praça da República, pintora, fundadora de um curso de extensão sobre folclore, teatro negro e sincretismo religioso na Unicamp. Sim, tudo isso! Essa é Raquel Trindade, filha do poeta Solano Trindade e, acima de tudo, uma grande mulher com grandes feitos pela cultura negra.

 keturah

 Keturah Ariel Nailah Bobo

 Ilustradora, designer e educadora. Quem usa a internet para conhecer arte provavelmente já se deparou com os desenhos dessa artista. Ficou conhecida no Tumblr e hoje está em diversas redes sociais. Seus desenhos, singelos e meigos, representam negros, principalmente crianças. Destacamos aqui a atenção de seu trabalho, tão bonito, em relação aos nossos cabelos crespos.

karla da silva

Karla da Silva

Dona de uma voz marcante, consegue permear por inúmeros estilos, porém seu maior vínculo é com as músicas de raíz negra, como o samba, ijexá e jazz. “Costumo dizer que meu trabalho não é nem tão samba, nem tão rock, nem tão jazz, nem tão soul. Tem um pouquinho de cada coisa. Faço um casamento com esses estilos”, explica Karla. Participou de diversos festivais, tendo colocações representativas em alguns. A maior visibilidade veio quando participou da primeira edição do The Voice, ficando entre as semifinalistas. Esse ano Karla está lançando seu primeiro disco “Quintal”. Vale a pena conferir essa mulher negra que é uma das promessas da MPB.

alile

Alile Dara Onawale

Alile é fotógrafa, também colaboradora aqui da Capitolina, e vocês que acompanham a revista já devem ter vistos ensaios incríveis dela.

O intuito nos seus ensaios é valorizar a beleza das mulheres, mostrar como são incríveis e mágicas, cada uma à sua maneira.  Ela é uma inspiração para muitas garotas, principalmente para as negras, que se veem representadas no meio artístico e, graças a ela, conseguem também enxergar a beleza que existe dentro de si.  Aqui vocês encontram os ensaios desse doce de menina.

 

Paula Gomes
  • Colaboradora de Artes

Um dia quase Luisa, agora e para sempre Paula Gomes, só Paula, 18 anos, uma criançona, sabe nada da vida. Ah, sou de Sampa, Sampa da fria garoa, das ruas coloridas e da gente boa. Me arrasto pelos palcos e pelas bibliotecas, só finjo saber algumas coisas. Só não perco a cabeça porque fotografei ou escrevi e às vezes brinco de ser qualquer coisa. Tem números? Não sei! Como é isso em palavras? Dá pra soletrar? Seria até melhor se desenhasse, viu. Mas no final a gente resolve tudo com um sorriso e um abraço (só um não, né). :)

  • nina

    meninas, arrasaram nas indicações. vou conferir todas!

  • Wander Barbieri

    Ótima lista, grandes sugestões! Mas senti um aperto pela falta de duas literatas majestosas, Toni Morrison e Paulina Chiziane! São leituras obrigatórias para quem quer desvendar mais do ser humano contemporâneo!

  • Luísa Tavares

    Duas para sua lista de artista plásticas: Kara Walker e Wangechi Mutu! Elas são maravilhosas!

  • Pingback: O mito da garota linda e louca (não caia nessa) - Capitolina()

  • http://desbravando-alem-mar.tumblr.com/ Nathália Ferreira

    Que texto massa Bruna! Inclusive, graças ao grupo Selfless Portraits das Minas conheci mulheres pernambucanas arretadamente emponderadas e formamos um coletivo de lambe-lambes feministas, o COLATIVA!
    https://www.facebook.com/colativa

  • Pingback: Os museus e as mulheres — Capitolina()

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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