22 de junho de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
Conhecendo – e se apaixonando por – Amandla Stenberg
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Amandla Stenberg chamou a atenção de todas nós desde Jogos vorazes (The Hunger Games, 2013). Mas foi há pouco tempo que ela tem demonstrado ser maravilhosa também fora das telas. A adolescente de 16 anos é ativista feminista e militante do movimento negro.

Suas colocações falam por si só, então, para esse texto ficar o mais real e fiel possível, tratei entre as minhas breves divagações, discursos diretos da própria Amandla, que tem falado sobre temas como feminismo e racismo em entrevistas, vídeos e mídias sociais.

Aos dezesseis anos, essa norte-americana mantém um discurso bastante empoderador:

“Muitas vezes as mulheres, mas especialmente as mulheres jovens, nesse meio são vistas como tolas, pouco inteligentes e superficiais. Mas sabemos que as mulheres são multifacetadas. As mulheres podem falar sobre moda e ciência e biologia no mesmo fôlego. Somos ambiciosas. Somos afetivas. Uma coisa não exclui a outra; tudo isso está junto e descreve uma mulher sofisticada, bonita e motivada. Um viva para as jovens garotas! Precisamos de mais representações na mídia de mulheres como elas.” ¹

Um vídeo chamado “Don’t Cash Crop My Cornrows: A Crash Discourse on Black Culture“, algo como “Não exporte minhas trancinhas: um seminário sobre a cultura negra”, feito para sua aula de história, ganhou notoriedade após ter sido publicado em seu Tumblr. Nele, Stenberg se propôs a discutir a negritude e a dar exemplos sobre apropriação cultural, apontando para privilégios e racismo na indústria, principalmente por parte de ícones da cultura pop, como Miley Cyrus, Taylor Swift e Katy Perry, que se apropriam de elementos da cultura negra de diversas maneiras, sendo ao usar penteados, como tranças, ou gírias características em suas produções. Trago aqui uma tradução livre dos principais tópicos comentados:

“Estrelas pop se apropriaram como meio de ganhar atenção. Taylor Swift usa a cultura negra e se beneficia das associações disso com a moda, mas se esquece do contexto de luta do qual esses estilos muitas vezes vêm. (…) Em 2013, Miley Cyrus dançou e usou adereços típicos de mulheres negras. Em 2014, Katy Perry, no clipe de This Is How We Do, faz gestos étnicos e come uma melancia enquanto usa trancinhas no cabelo quando, de repente, corta inexplicavelmente para uma imagem de Aretha Franklin. Então, vocês podem ver a gritante apropriação cultural. Músicos brancos que adotaram a negritude falham ao ignorar e não falar sobre o racismo que acompanha a identidade negra.”

Ela consegue também elucidar a diferença entre a apropriação e o intercâmbio de culturas:

“Esta linha sempre vai ser borrada, mas a questão é: não é o empréstimo que é inerentemente apropriador, a apropriação acontece quando um estilo leva a generalizações racistas e estereotipadas, mas é considerado alta moda, legal ou engraçado quando o privilegiado o incorpora. Apropriação ocorre quando o apropriador não está ciente do significado mais profundo da cultura que ele está usando.”

Como se a lacração tivesse sido pouca, ainda comenta sobre o assassinato de jovens negros pela polícia e termina com uma pergunta crucial: “Como os Estados Unidos seria se amássemos os negros do mesmo jeito que amamos a cultura negra?”

Tempos depois, Amandla também se posicionou acerca dos protestos ocorridos em Baltimore, nos Estados Unidos. Veio a público e disse: “Minhas orações vão para todos os meus irmãos e irmãs em Baltimore. Essa batalha é difícil, mas crucial. A juventude revolucionária irá mudar o mundo.” Ainda acrescentou: “Não condenem nossa raiva. Não tratem nossa dor como selvageria. O que é selvagem é a crueldade, brutalidade e falta de humanidade da polícia. Condenem isso.” ²

Em uma entrevista concedida para a revista Dazed & Confused, ela fala também sobre a questão da representatividade negra na televisão norte-americana e feminismo para jovens:

“Na maior parte do tempo, diretores e escritores têm intenções bem específicas para o elenco, ou há uma família e já foi decidido que os personagens são brancos. Não quero soar amarga ou algo do tipo, porque eu sei que é difícil achar bons papéis pra qualquer ator ou atriz, mas ser uma jovem afro-americana definitivamente limita minhas chances.”

Entendem o meu fascínio? Fico muito feliz em ter essa oportunidade de vir falar com vocês sobre uma pessoa tão maravilhosa. É inspirador e empoderador ver uma jovem mulher negra falar sem medo sobre assuntos cruciais e quebrar velhos estereótipos de que adolescentes não têm opiniões formadas.  Por conta disso, a considero um importante modelo para garotas de todos os lugares.

 

¹ : http://www.dazeddigital.com/artsandculture/article/18410/1/amandla-stenberg-vs-tavi-gevinson

²: http://www.ew.com/article/2015/04/28/hunger-games-star-amandla-stenberg-responds-baltimore-riots

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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