11 de setembro de 2015 | Ano 2, Edição #18 | Texto: and | Ilustração: Marina Sader
Conquistando o dia a dia

Existem momentos em que o mundo inteiro parece se desconstruir diante de nossos olhos. São vários os possíveis gatilhos: falecimento de um ente querido, término de namoro, briga entre amigos, etc. Independente do motivo, quem já passou por isso há de concordar: parece que a dor nunca vai passar. E isso afeta como nos enxergamos e como enxergamos as coisas ao nosso redor. A tristeza tem o potencial terrível de nos seduzir e nos entregar ao pessimismo o que, muitas vezes, nos leva a carregar nas costas um peso de culpa pela nossa própria dor. Acreditamos ser uma questão de merecimento. Estamos sofrendo porque merecemos de certa forma passar por toda essa dor. E, com isso, procuramos em nós um motivo racional para o sofrimento, pintando com negativismo a pior visão possível de nós mesmas. Mas aqui vai um spoiler: nada disso é verdade. E na maior parte das vezes nosso sofrimento não tem uma explicação racional, ele apenas acontece e não devemos nos culpar por ele existir.

Essa postura pessimista e encrustada de culpa pode nos levar a um quadro depressivo e sair disso pode parecer uma verdadeira guerra de nós contra nós mesmas. Mas talvez, enxergar dessa forma, no final das contas, só dificulte mais o processo de vencer o dragão da depressão. Afinal, se a guerra é contra nós mesmas, estamos enxergando essa faceta da depressão como parte de nós e ela não precisa ser. Vamos deixar a depressão ou tristeza ser o monstro e vamos ser ao mesmo tempo a donzela e a heroína.

A luta não vai ser fácil e, provavelmente, você vai precisar contar com a ajuda de alguns amigos e familiares e quem sabe de um(a) profissional para poder ir conquistando de volta sua força de vontade. Não necessariamente suas forças virão de pessoas, existem portos seguros que são atividades, como a arte, a leitura, a escrita, o esporte. Qualquer coisa que te lembre que existe força dentro de si mesma será seu ponto de apoio para se reerguer. Tudo o que te tire da posição de donzela e te leve para a posição de heroína faz diferença (lembrando que sempre podemos ser uma donzela-herói ao exemplo de Mulan).

Por muitas vezes você poderá sentir que estar melhor após uma tempestade emocional é como encontrar uma pequena luzinha que nasce dentro de nós mesmas, ou então um pequeno cristal que surge e ao qual nos atemos como se dele dependesse nossa caminhada, ladeira acima, para o bem estar. Proteger essa luz como se fosse uma vela em meio a um tornado pode privá-la de oxigênio ou segurar esse cristal com muita força pode muitas vezes quebrá-lo e é difícil compreender que nem sempre nossa estabilidade conquistada vai durar para sempre e, portanto, outras crises podem surgir. E não há problema nenhum nisso. Estar triste não é errado, é normal; e procurar ajuda, pedir por socorro e dividir nossos sentimentos com pessoas queridas de confiança pode ser um grande alívio e ajudar a nos manter emocionalmente estáveis. Você tem sim o poder de encontrar, perder, quebrar, reencontrar, compartilhar essa pequena luz dentro de si mesma e poderá, com muita calma, fazê-la brilhar mais forte várias vezes.

E não se assuste, guerras são feitas de batalhas e nem sempre vamos vencer todas. Nos altos e baixos da vida, haverá momentos em que perderemos a batalha e sentiremos como se a guerra estivesse perdida. Mas um dia ruim pode ser só um dia ruim, assim como uma semana ruim pode ser só uma semana ruim. E um ano ruim é sempre péssimo, porque parece que estamos mergulhados num sofrimento eterno que nunca vai acabar, mas, se não nos deixarmos contaminar, ele pode sim ser só um ano ruim. E quem sabe, pode ser um ano ruim que precede um ano maravilhoso!

A questão é: não deixem as quedas definirem o percurso futuro. Assim como o comandante precisa manter a moral de seu exército para que uma derrota não defina o final do conflito, nós precisamos nos manter otimistas para conseguirmos seguir adiante nos momentos difíceis.

É tão fácil, ao ter uma recaída, nos desmerecer por todo o progresso que tivemos ao sair de uma situação difícil… Conquistar fé em si mesma e amor próprio são conquistas emocionais que muitas vezes são subestimadas e não lembramos de celebrá-las, porém elas podem ser as mais valiosas. Por isso as pequenas conquistas devem ser valorizadas e lembradas com muito orgulho. Um dia bom não é só um dia bom. Um dia bom é uma pequena vitória a ser celebrada e pode ser o início de uma fase completamente diferente e positiva.

Carolina Sapienza
  • Colaboradora de Relacionamentos e Sexo
  • Revisora

Carol nasceu em 1991 e mora em São Paulo. Bióloga que queria ser de humanas, gosta de escrever sobre ciência mas mantém o caderninho de poemas sempre na bolsa.

Lúcia Dos Reis
  • Coordenadora de Social Media
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Colaboradora de Literatura

Lúcia dos Reis, pequena em tamanho e gigante em ambições. Não sabe se isso é bom ou ruim, mas tampouco se importa. Vive entre letras e códigos, entre o papel e o pixel. Ganhou aplausos na FLIP 2015 com comentário feminista sobre Star Wars e queria deixar isso registrado em algum lugar desse mundo maravilhoso das interwebs.

  • C.

    Adorei o texto! Me ajudou a pensar sobre as conquistas pequenas dos dias bons como um início melhor, e não deixar os baixos da vida me abalarem para sempre, por que podem vir dias melhores.

    O que me incomoda é que as vezes os dias melhores não aparecem…. Mas quando se está muito chateada você não consegue ver luz em nada, não é? Eu espero que sim, não só para mim mesma, eu espero que todo mundo encontre seus dias melhores.

  • L.

    Nossa , muito obrigada por escrever isso! As vezes estamos tao mergulhadas em nosso mar de problemas e decepçoes que acabamos esquecendo de que tudo passa … Me lembrei disso ao ler esse texto. Otimismo pelos dias melhores é tudo!

  • J

    Esse texto caiu como uma luva pra esse momento pelo qual estou passando…

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Lindo demais. Obrigada por escrever esse texto maravilhoso.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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