24 de setembro de 2015 | Ano 2, Edição #18 | Texto: and | Ilustração: Dora Leroy
Conquistas (e pessoas) são incomparáveis – e dá para ficar feliz com a conquista alheia!

Por mais clichê que possa soar, a força definitiva que orienta nossas vidas são os nossos sonhos. Alguns deles com origens mais antigas, outros mais recentes; uns mais inatingíveis do que outros. Nos apegamos tanto a eles que se torna fácil pensar em cada um deles como algo exclusivamente nosso, e ainda mais: que nós merecemos realizá-los mais do que qualquer outra pessoa. E é aí que mora o perigo.

Não existe nadinha de errado em ser ambiciosa, criar metas e fazer de tudo para atingi-las. Mas a partir do momento que esquecemos que todo mundo tem o direito de querer passar no mesmo curso da faculdade que você, ou conhecer o seu ídolo, ou morar naquele país no qual você sempre sonhou em morar… Corremos o risco de alimentar aquele velho sentimento que tem a capacidade de nos tornar, além de desagradáveis, antiprodutivas: a inveja.

Por que antiprodutivas? Veja bem: todo tempo passado focando a sua energia, que é muito importante para realizar os seus sonhos, em pensar sobre o quanto aquela pessoa não merece conseguir – antes de você, ainda por cima! – o que você quer há tanto tempo, é menos tempo gasto realmente batalhando para conseguir o que você deseja. Além do mais, muitas vezes acabamos nos convencendo que uma equivalência absurda é verdade: já que ela conseguiu, agora eu não tenho mais como conseguir. Como se coisas como “conseguir o emprego dos sonhos” fossem brindes do McLanche Feliz que podem esgotar se gente demais estiver afim de tê-los também.

Aquela frase meio odiável e um tanto difícil de acreditar em certos momentos, “cada um tem o seu tempo”, tem o seu fundo de verdade. Vivemos numa cultura tão competitiva em todos os aspectos que acabamos verdadeiramente nos viciando em nos comparar com os outros, sempre preferindo focar em tudo aquilo que não temos ou não fizemos. Crescemos, também, acreditando que a vida tem uma única progressão “correta”, uma lista de coisas que devemos fazer, devidamente enumerada – e não existe conceito mais limitante do que esse. Não existe tamanho único de vida, e é impossível atribuir valores a conquistas diferentes. Quem disse que ter um(a) namorado/a é um acontecimento mais importante do que ter lido mais de vinte livros em um só ano? Ou que ser bem sucedido academicamente é mais importante do que ter um talento incrível pra música?

Às vezes, é verdade que “cada um tem seu tempo”, mas às vezes também é verdade que certas coisas que desejamos simplesmente não acontecem. Parece pessimista, mas o que queremos nem sempre acontece para nós, e mas tem vezes que acontece para os outros. É difícil lidar com isso porque nem sempre parece ser justo – e talvez nem sempre seja justo. Mas vivemos em um mundo desigual, cheio de injustiças e como bem sabemos, para algumas pessoas, as coisas simplesmente acontecem e para outras, é preciso batalhar muito. Não quer dizer que as coisas não vão acontecer para eu ou você. Quer dizer que, às vezes, quando não conseguimos alguma coisa, é porque outras coisas vão acontecer que não aconteceriam caso tivéssemos conseguido aquela primeira conquista. Às vezes não conseguimos o que queríamos porque a vida acontece diferente do que planejamos e sabe o quê? Tudo bem!

É difícil criar uma fórmula mágica para parar de se comparar com e invejar os outros. Até certo ponto, esses sentimentos são naturais. Entretanto, em vez de decidir odiar aquela pessoa que conseguiu o que você quer, que tal descobrir como ela chegou até lá? As experiências de outros (privilégios sendo levados em conta, é claro) podem servir de guia para planejar o seu caminho. Eles são tão reais quanto você – pessoas que escrevem livros bem-sucedidos existem, por exemplo! – e isso deve te dar força para continuar em vez de te desanimar.

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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