17 de outubro de 2017 | Ano 4, Edição #38 | Texto: | Ilustração: Yasmin Lopes
Contos de fadas macabros: a ficção não tão colorida
Contos de fadas macabros para assustar as crianças

Já ouviu a expressão “quem conta um conto aumenta um ponto”? Essa é a mais pura verdade no caso dos contos de fadas infantis, aqueles dos quais ouvimos falar até hoje (e que ainda rendem muitos filmes e adaptações). Mas sabia que essas histórias tão presentes no nosso imaginário nem sempre foram assim? =O

Antes de Walt Disney nos dar o “felizes para sempre”, muitas dessas histórias tinham um desfecho bem diferente. Elas era contos de fadas macabros, muito mais mórbidos do que poderíamos imaginar. Segura esse forninho e vem entender…

Aurora, a Bela Adormecida, NÃO despertou com um beijo de amor verdadeiro do príncipe Philip. Na verdade, ela foi estuprada enquanto estava em sono profundo e deu à luz gêmeos. Só quando um deles mordeu seu dedo foi que ela despertou.

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As irmãs arrogantes da Cinderela se dão mal no final da história. Querendo tanto que o sapatinho de cristal da Gata Borralheira coubesse, as duas cortam os dedos e calcanhares. Mas, é claro, não adianta porque elas são pegas na mentira. Os passarinhos (nada fofinhos nessa versão), vendo a presepada delas, atacam as duas, cegando-as.

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Rapunzel engravida do príncipe ainda na torre e a bruxa, ao descobrir, corta suas tranças. Assim, quando o amado da jovem pede que ela jogue seus cabelos, a bruxa o faz só para empurrá-lo e deixá-lo cego, já que ele fura os olhos em espinhos. bem que eles depois ganham o final feliz, com as lágrimas de Rapunzel devolvendo visão ao príncipe. Mas aí nem sabemos o que aconteceu com o filho dos dois ou com a bruxa.

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Ariel, a Pequena Sereia, não termina ao lado de Eric. Ele se casa com outra princesa, deixando o coração da sereia partido. Desesperada, ela ouve das irmãs que pode voltar para o mar se matar o príncipe com uma faca de prata e deixar o sangue dele cair em seus pés. A jovem não tem coragem de levar o plano adiante e se atira no mar, virando espuma. Porém, ela não desaparece porque se torna um espírito, uma filha do ar.

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E a Branca de Neve, que é invejada pela própria mãe? Isso mesmo. Na versão original, é a mãe biológica que manda matar a princesa por causa de sua beleza. A culpa não é da madrasta, vejam só! Ah, e ela não acorda com um beijo, como vemos no filme. O príncipe consegue fazer com que ela cuspa a maçã envenenada que a deixou engasgada e ela acorda.

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Então, releitura pode?

Um ponto interessante de saber que nossos contos de fadas da infância não são bem o que parecem é pensar em como é possível, sim, mudar essas histórias e fazê-las se adaptarem ao tempo. Um exemplo é “Malévola”, que conta a história da Bela Adormecida de um ângulo completamente diferente. Na verdade, a fada, que sempre nos foi mostrada como vilã, reagiu daquela maneira por estar com raiva de Stefan, pai de Aurora. Mas ao conviver com a menina, seus sentimentos mudam e ela volta a ser como era antes da grande traição que sofreu.

Malévola.

E outra coisa que eu adoro no filme: o beijo de amor verdadeiro vem de onde a gente não espera. Isso deixa tão claro que o amores que não são românticos são tão importantes e verdadeiros quanto eles. <3

Outro que pode entrar nessa categoria de releitura e que ganha todo um novo significado é “Frozen – Uma aventura congelante”. O filme é ainda um grande sucesso: levou duas estatuetas do Oscar (Melhor Animação e a de Melhor Canção Original), rendeu um curta-metragem, vai ganhar uma continuação e ainda virou peça na Broadway. A história de amor entre as irmãs Anna e Elsa, porém, poderia ter tido um final muito diferente, mais parecido com a versão original do conto que a inspirou, A Rainha da Neve.

“Elas não eram irmãs, a Anna não era princesa e a Elsa era a auto-proclamada Rainha do Gelo, uma vilã. O filme terminaria com uma imensa batalha contra um exército de criaturas de neve criadas pela Elsa”, contou o produtor da animação, Peter Del Vecho, em entrevista à Entertainment Weekly: “Fazer das duas irmãs permitiu que compreendêssemos o temor de Elsa em relação seus poderes. Ela passou a ser uma personagem muito melhor. Em vez do tradicional bonzinho versus vilão, chegamos a um tema mais identificável: amor versus medo. A premissa passou a ser que o amor é mais forte que o medo”. Sorte a nossa que tudo isso mudou.

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Criar adaptações em cima de histórias já famosas não é especialidade apenas do cinema. A série “Once upon a time” também faz isso, mostrando diversas princesas, príncipes, rainhas, vilãs e outras personagens de contos de fadas transitando entre o mundo encantado ao qual pertencem e a cidade de Storybrooke. Se você curte uma releitura dos contos de fadas (ainda mais agora sabendo que muitas das histórias como as conhecemos são releituras), o seriado é mais uma boa pedida.

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

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